O Trote

 Posted by at 11:18 pm  Artigos, T.I.
fev 222010
 

O ingresso do jovem na vida acadêmica é motivo de comemoração para praticamente todos os envolvidos. Afinal, foram longos períodos de estudo e dedicação, a dificuldade em se escolher um curso no qual exista alguma identificação, e para muitos, um momento de sair debaixo da asa dos pais e, pela primeira vez na vida, morar sozinho em outra cidade. Continue reading »

jan 302010
 

(publicada originalmente na edição 11 – setembro de 2009 – segunda quinzena)

Professor, diretor, reitor, amigo, pai. Durante as últimas quatro décadas esse jovem de cabelos brancos ensina, através de ensinamentos ou exemplo de vida, centenas de jovens (e adultos). Professor Valter de Paula é pró-reitor acadêmico do Centro Universitário ‘Barão de Mauá’. Concedeu-nos o prazer deste Colóquio no bar da Cláudia, na Lagoinha. Local onde encontra os amigos e brinda a vida.


IncRibeirão – Qual é a motivação que o senhor tem para, depois de 43 anos, continuar trabalhando com educação?

Prof. Valter – Não são bem 43 anos, acho que é um pouco mais. Há 43 que eu trabalho no Centro Universitário ‘Barão de Mauá’. Mas antes eu trabalhei no ginásio do estado em Altinópolis. Fiz uns cálculos e dos meus 66 anos, praticamente a minha vida toda eu passei dentro de uma escola. Ora como aluno, ora trabalhando.

IncRibeirão – Então o senhor nunca saiu da escola!? Continue reading »

jan 272010
 

(publicada originalmente na edição 10 – setembro de 2009 – primeira quinzena)

Começa no Brasil uma nova postura frente a um hábito muito comum em quase todas as culturas humanas: o fumar. O início do século XXI vem sendo marcado por leis mais rígidas e a estabilização ou queda do número de fumantes quase no mundo todo. Há consenso, inclusive entre fumantes, que fumar em locais fechados (locais com 4 paredes e teto) é uma prática que traz um outro tipo de “vítima”: o fumante passivo. Nesse ponto, quase todos os fumantes que conheço respeitam bastante o outro em ambientes fechados.

Mas o ponto que me chamou atenção é que as plaquinhas de proibido fumar estavam colocadas até em locais não especificados pela nova lei (como por exemplo, as mesinhas de bares e restaurantes na calçada cobertas por toldos ou teto), como se estivesse acontecendo uma verdadeira perseguição aos fumantes. Assim, mesmo sentado em uma cadeira na calçada, que é publica, o fumante teria que dar dois passos ao lado e fumar seu cigarro (como se dois passos impedissem que a fumaça chegasse ao nariz do fumante passivo). O principio da lei é de proteger o não fumante dos efeitos maléficos da fumaça. Esse tipo de efeito é bastante estudado em trabalhos científicos, mas há que se ressaltar que os efeitos nocivos relacionados ao ato de se fumar passivamente estão ligados a ambientes fechados (fechados mesmo).

O problema de o estado proteger algum grupo de pessoas é que todos os outros contribuintes podem um dia se sentirem no direito de exigirem a mesma proteção. Existem também estudos científicos que comprovam que vários outros tipos de poluição (sonora, visual, luminosa e etc.) fazem mal a saúde, mas obviamente não chegam a ser associadas a tantas mortes quanto o ato de fumar. Mas o que esta acontecendo hoje é que os não fumantes que sentem um cheirinho de fumaça, já entendem isso como um absurdo, e voltam sua fúria para os fumantes. A nova lei antifumo é correta e plausível, o grande problema é que por pressa, ou outros interesses ocultos, sua divulgação não se fez tão clara e há o risco de se promover ainda mais propaganda do cigarro (por exemplo, fumantes nas calçadas e nas ruas) e brigas entre grupos (fumantes e não fumantes), além da muita confusão e prejuízo nos estabelecimentos comerciais.

A nova lei, entretanto, me faz pensar que a tolerância é algo fora de moda nos dias de hoje. O não fumante diz: “Eu tenho o direto de respirar um ar limpo”; o fumante diz: “Eu tenho direito de respirar fumaça”, e ambos estão errados. Nesse caso há uma confusão entre direito e gosto pessoal. O não fumante agora tem por lei, ambientes livres do fumo, como ambientes fechados públicos e privados, de modo que a fumaça não se concentre e não exerça algum efeito nocivo. O fumante tem o direito agora de fumar em áreas abertas (áreas em que há possibilidade do ar circular, pelo que entendi, com no máximo uma parede e um teto).

Interessante é pensar que as sociedades elegem, de tempos em tempos, alguns vilões. Hoje é cigarro, no tempo do nazismo eram os judeus. Hoje beber cerveja está permitido, amanha pode ser diferente. Procura-se atacar objetos (cigarro, cerveja etc.) e esquecemos de atacar o verdadeiro problema, que está dentro de cada ser humano. Vejo no futuro uma sociedade engessada por leis proibitivas, enquanto seus integrantes se odeiam uns aos outros, pela falta de tolerância e pela pseudo-segurança dada por um estado paternalista, que considera os cidadãos simplesmente com vítimas e vilões sem direito de escolha e ação.

INFORME-SE: www.leiantifumo.sp.gov.br

Luis Fernando S. de Souza Pinto é biólogo, psicanalista e faz parte do Grupo Verde (grupo de divulgação e popularização da ciência).
email: luisfernandossp@gmail.com / blog: www.sinapseoculta.blogspot.com

jan 222010
 

(publicada originalmente na edição 9 – agosto de 2009 – primeira quinzena)

Recentemente tivemos a queda da obrigatoriedade de um diploma de jornalismo para exercer a profissão (como na França, Alemanha, Estados Unidos, Japão, etc.). Alguns jornalistas e estudantes do jornalismo organizaram protestos, pintaram a cara e colocaram nariz de palhaço e foram para as ruas, se auto nomearam palhaços. Tudo bem, todos temos liberdade de expressão.

Algumas questões: (1) A não obrigatoriedade do diploma causaria um desastre literário e queda na qualidade e confiabilidade das noticias? (2) A não obrigatoriedade do diploma desqualifica quem tem diploma, assim ter um diploma não serve mais para nada?

Nós psicanalistas convivemos com rumores de um questionamento bem parecido: Regulamentar ou não o profissional psicanalista? Sobre isso, no meu blog, temos alguns textos que podem ajudar. O que pessoalmente acredito, no caso da psicanálise, é que a nossa área ganha muito ao ter, em seu exercício, profissionais das mais diversas formações (filósofos, biólogos, psicólogos, médicos, jornalistas, etc.) que contribuem com diferentes pontos de vista, adequados ou não.

De fato, tal não regulamentação do exercício permite que um “fulano de tal”, sem a mínima formação, abra um consultório, com uma placa luminosa “Psicanalista Aqui” e exerça a profissão. Sem problemas. Acredito que o “fulano de tal”, desistirá na primeira semana, pois a clínica psicanalítica não se sustenta sem formação sólida e continuada, análise pessoal e supervisão de casos clínicos. Ou seja, a formação é necessária e fundamental para o exercício, e não apenas um certificado, um diploma na parede (vemos psicólogos recém formados, com o número de CRP, que pregam o diploma na parede, e depois de algum tempo percebem que precisam aprofundar-se numa formação especifica, pois não sustentam a atividade clinica.)

Mesmo não sendo regulamentada por órgãos federais ou estaduais, a psicanálise é conhecida mundialmente por seu rigor e confiabilidade. As próprias sociedades, núcleos, grupos etc. se encarregam da formação que, a meu ver, é feita artesanalmente, com um alto grau de pessoalidade e amparo. Não há faculdade de psicanálise que vomite 40 psicanalistas por ano no mercado de trabalho.

Quanto à questão acima numerada como (2), penso que o diploma nunca valeu nada. O que vale é a qualificação que o sujeito obteve no tempo em que esteve no curso. Por isso, uma pessoa formada em uma faculdade não tão bem conceituada pode ser um profissional melhor preparado que outro profissional formado em uma faculdade nota 10.

O que percebo é que os jornalistas, naturalmente, têm medo. Como se pensassem: “Nossa, agora alguém vai roubar meu emprego”; “qualquer um pode roubar meu emprego”, “as filas para emprego de jornalistas vão se encher de médicos, psicólogos, engenheiros etc.”

Ouvi uma manifestante, com nariz de palhaço, dizendo: “E eu? Que pago mil reais de uma faculdade de jornalismo? Meu diploma não vai valer nada?”. Para essa manifestante, sugiro que volte ao primário, pois parece que não conseguiu entender do que se trata.

Um diploma não garante nada. Consiste numa ilusão de que uma entidade toda poderosa consegue fiscalizar, organizar e garantir 100% alguma prática humana. O jornalismo está livre agora de pessoas que compram um diploma, e passa a dar espaço para outras pessoas com vocação e necessidade de se expressar. Obviamente, o curso de jornalismo continuará sendo concorrido, essencial e fascinante; e uma sólida formação valerá muito mais do que antes.

Luis Fernando S. de Souza Pinto é biólogo, psicanalista e faz parte do Grupo Verde (grupo de divulgação e popularização da ciência).
email: luisfernandossp@gmail.com / blog: www.sinapseoculta.blogspot.com