(publicada originalmente na edição 9 – agosto de 2009 – primeira quinzena)

Globalização. Para a integração das pessoas através do mundo e, é claro, da cidade, a comunicação e o transporte são carro-chefe. Sem ambos, os processos que sustentam a realidade atual seriam atrofiados. Comunicação não falta, mesmo que, algumas vezes, ela não se dê aconteça da forma ideal. No entanto, o transporte não só deixa a desejar, mas também deixa prejudica os cidadãos nos pontos por não poderem que não podem pagar o valor nada democrático da tarifa. O ex-secretário municipal de transportes de São Paulo, Lúcio Gregóri, em intenção de democratizar o acesso ao Transporte Público criou o projeto Tarifa Zero segundo o qual seria criado um imposto para os ricos com a finalidade de arcar com os custos do transporte para os pobres. Na visão do ex-secretário, é um direito assim como a escola pública.


(Inconfidência)
O transporte público gratuito poderia ser aplicado em qualquer lugar do país?
(Lúcio Gregóri) Sim. Pode ser aplicado em qualquer cidade. A pergunta me lembra que existe muito tabu em relação ao transporte gratuito, isto é, pago indiretamente. Seria como perguntar se a iluminação pública gratuita (como é) pode ser aplicada em qualquer lugar do país.
O modo pelo qual cada município o fará depende de cada situação. A próxima pergunta versa sobre essa questão.
(Inconfidência) A Reforma Tributária seria o caminho ideal para abrir caminho para isso?
(Lúcio Gregóri) Depende de cada local. Na cidade de Hasselt, na Bélgica, onde o transporte é gratuito desde 1997, os três níveis de governo colaboram para a gratuidade através de uma espécie de convênio. Existem prefeituras cuja arrecadação permite a gratuidade, ou seja, o município  pode pagar o transporte público com o seu orçamento. É o caso de municípios que recebem royalties por exploração de riquezas minerais ou municípios que, por características específicas, têm orçamentos folgados.Em outros casos, será necessário ampliar a arrecadação através de uma reforma tributária. Nada muito escandaloso num país em que está mais do que comprovado que os de menor renda pagam, proporcionalmente, mais impostos. Estudo recente  do IPEA mostra isso.
O ideal será a instituição da taxa transportes. Por ela, indústria, comércio e serviços pagarão uma taxa, progressiva, para auxiliar a implantação de um fundo para bancar a gratuidade. Muito justo, pois quem se beneficia do transporte público, que garante o acesso ao trabalho ou fruição dos serviços dos seus funcionários e usuários, são esses setores da sociedade. Só que quem paga é o funcionário ou usuário.
O vale transporte é limitado e ainda por cima é uma renúncia fiscal do governo. Ou seja. Todos pagam, igualmente, por essa renúncia fiscal.
(Inconfidência) Qual o principal obstáculo para a implantação desse projeto?
(Lúcio Gregóri) É difícil caracterizar o principal obstáculo. Diria que, no âmbito dos valores, é o tabu incutido por anos e anos de que o transporte público deve ser pago pelo usuário, suposto grande beneficiado pela sua utilização. Esse tabu no âmbito dos valores subjetivos, dos mais robustos que conheço, provavelmente  é fruto de uma disputa pelos recursos públicos ao longo do tempo. Um custo que deveria ser internalizado pelos setores antes indicados, foi socializado  para os usuários. Uma disputa econômica como tantas outras na nossa sociedade. Mas transformada em tabu. Como se fosse interdito (proibido) pensar, falar  e propor tal coisa.

por Willian Rodrigues

(publicada originalmente na edição 8 – julho de 2009 – segunda quinzena)

A cidade é um corpo vivo e, assim como os animais, possui artérias pelas quais corre o fluido que, transportando nutrientes e oxigenando as células, sustenta o funcionamento deste organismo. Se, por motivo qualquer, esse fluxo for interrompido, o corpo morre. A mobilidade urbana é o cerne (a parte central, fundamental) deste ciclo. Como transporte coletivo, ela deve ser assegurada pelo município, seja diretamente ou através de concessão, segundo o artigo 30, inciso V da Constituição Federal, uma vez que, além de ser fundamental para a continuação do processo ao qual se chama sistema, o transporte público e com qualidade é um direito como qualquer outro.

Em Ribeirão Preto, os serviços de transporte público coletivo são designados a três empresas permissionárias (que possuem permissão, mas não se tornam proprietários do bem): Transcorp, Turb e Rápido D’oeste, totalizando uma frota de aproximadamente 310 ônibus que atendem 112 linhas e mais 28 microônibus que operam o serviço “Leva e Traz”. Juntos, garantem o transporte de cerca de 170 mil pessoas por dia útil.

O preço subindo.

Em pesquisa realizada pelos principais pontos do centro cidade, ficou nítida a desaprovação dos usuários do serviço com as condições sob as quais são transportados durante a rotina diária. As queixas seguem um senso comum: a carência no cumprimento dos horários previstos; a espera de cerca 40 minutos ou até mais nos pontos de parada, dependendo da linha. A superlotação, visto que alguns veículos, como um encontrado da linha 707 Jardim Procópio, da Transcorp, nem mesmo possuem limite de lotação. É apresentada uma placa especificando número de passageiros sentados e um “branco” no local no qual supostamente deveria ser indicado o número de passageiros em pé. Quando questionado sobre o assunto, o gerente de transporte coletivo da TRANSERP, Reynaldo Lapati, afirmou desconhecer o fato e prometeu averiguar.

A tarifa da passagem é, atualmente, de R$ 2,30, preço considerado absurdo na opinião da maioria dos passageiros, se levadas em consideração as condições ditas anteriormente. Como diz o aposentado Faustinho, “O serviço prestado não vale pelo valor cobrado”. Segundo Lapati, além do aumento de 6% no salário dos funcionários, Ribeirão gaba-se por ter a frota mais nova do país, o que acarreta em mais gastos e justifica o reajuste proposto pelas empresas.

Além dos motivos citados, Lapati afirma ainda que a prefeitura não oferece subsídios para que o valor da passagem seja fixado sem necessidade de reajustes, diferentemente de cidades como São Paulo e Curitiba. “O IPK (Índice de Passageiros por Quilômetro) vem diminuindo em Ribeirão Preto, baixando a produtividade e, consequentemente, levando à necessidade de aumento da tarifa” diz o gerente.

Você concorda?

por Willian Rodrigues

Palavras Soltas

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