mar 192010
 

Recentemente, eu e uma colega de sala entrevistamos o cidadão Gilberto Caldeira, especialista em TI, criador do blogalizeja.com.br e por ventura webmaster daqui das bandas inconfidentes (ele criou este site).

Como você pode perceber, não há “jornalismo” na formação dele. Isso faz dele menos jornalista que eu, cursista do 4º ano de jornalismo ou algum jornalista diplomado? A resposta é não, absolutamente não. Sem medo de errar, falo por conta própria, que 90% dos estudantes que conheço não tem e dificilmente terá a capacidade de fazer algo no nível que Gilberto fez recentemente: a série internet lobo mau (clique para vê-la).

Afinal, a série internet lobo mau é o que deveria ser o jornalismo em geral: um meio alternativo de melhora e condução da sociedade, não uma fábrica de “você só vai saber sobre o que ‘eu’[veículo] quiser”.

É o que se tornou o jornalismo hoje em 99% dos casos: tudo o que é visto nas páginas (ou edições audiovisuais) de um jornal de médio ou grande porte existe pois algum interesse não-jornalístico maior provocou a ida de determinada matéria ao ar. Você realmente acredita que alguns casos de má gestão administrativa (e política), como o de Arruda por exemplo, chegaram a mim e a você por pura vontade jornalística? Essa é a última das possibilidades (dentre milhares).

A partir da segunda metade do século XX, o departamento comercial tornou-se regente do jornalismo. Notícia alguma vai ao ar em um médio ou grande veículo sem que haja a possibilidade de lucro financeiro. O lucro social e a credibilidade que se virem para pegar um pedacinho da fatia do reconhecimento*.

Mas a bronca do mortal que vos escreve não é com publicitários e marketeiros. Eles exercem a profissão deles. O que realmente irrita é o servilismo dos jornalistas. É fora de série como a maioria dos jornalistas são conformados com a prostituição em que a profissão se tornou. Pior ainda, há aqueles que defendem esse comportamento servil ao mundo comercial!

Ainda tenho que ouvir no mundo acadêmico, das mesmas bocas que condenam a queda da obrigatoriedade do diploma jornalístico, frases como “uma hora nós vamos ter de ceder ao comercial na nossa profissão”, “temos que ser flexíveis e políticos [referência à flexibilidade ética e moral]” e “para dar dois passos para frente, temos que dar um para trás”…

Alguém me explique: que diferença um maldito canudo vai fazer na vida desses cidadãos que já arreganham as pernas sem nem mesmo alguém ter pedido? Por que caras como Gilberto e muitos outros blogueiros por aí interessados na melhora da sociedade seriam menos importante que os jornalistas?

Façam-me o favor, senhores defensores do diploma!

*Assista ao filme Rede de Intrigas (1976). Representação melhor que essa do jornalismo ainda não foi feita no cinema. Amém.

fev 282010
 

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Caro Monge, venho acompanhando esse site e gostei muito do desempenho do grupo. Agora à pergunta: Monge, você acredita na força da atração? (Do filme O SEGREDO)? (Anônimo Anomimuz, por e-mail)

Meu caro Anônimo, confesso que ainda não havia visto o filme antes de receber sua pergunta. Aluguei-o e pus-me a assistir, tentando deixar a desconfiança de lado para com uma obra cinematográfica tão dada a requintes de auto-ajuda. Mesmo assim, a reação do Monge à mensagem do filme não foi das mais positivas.

A teoria da atração, mote principal da trama e das entrevistas com filósofos, escritores, doutores e um metafísico (existe esta profissão?), diz respeito ao poder do pensamento positivo. Saiba o que você quer, visualize-se desfrutando de seus objetivos, e deixe que o universo fará o resto por você. O universo? Sim, pois de acordo com a teoria, estamos completamente interligados com as energias cósmicas que nos permeiam. Desta maneira, o pensamento positivo age sobre estas forças, levando-as a modificar o rumo da sua vida e, consequentemente, do resto do mundo. Em outras palavras, faz com que o universo conspire a seu favor. Este seria o famigerado Segredo, tantas vezes escondido ao longo da história da humanidade. Sim, é simples desta maneira.

Há uma série de ressalvas que gostaria de apontar, conclusões lógicas misturadas a um sentimento de engodo (enganação) que faziam o Monge revirar-se na poltrona. Primeiramente, o fato de o filme tratar de uma ideia que, de acordo com seus adeptos, pode mudar completamente o curso da humanidade, nos trazendo o potencial de ser ou obter o que quisermos. E esta ideia revolucionária é vendida como uma fórmula mágica, um “segredo” milenar que caiu nas mãos de quem soube fazer dinheiro propagando-a, na forma de um livro e um filme. Muito promissor. O que leva a uma segunda conclusão: a teoria da atração atende diretamente aos anseios de uma sociedade consumista. Quer um carro novo? Imagine-se dirigindo antecipadamente sua BMW novinha em folha. Mais dinheiro? Não pense nas contas a pagar que você irá encontrar na caixa do correio, mesmo que sejam dívidas que você realmente acumulou. Ao invés disso, pense sempre em encontrar ali um cheque com uma porção de zeros. E milagrosamente, o cheque irá aparecer! Acreditem, pois um dos personagens afirma que já aconteceu com ele.

O filme traz orientações sobre como utilizar a teoria em diversos aspectos da sua vida. Por exemplo, nos relacionamentos pessoais. Quando a relação com seu cônjuge, familiar ou melhor amigo estiver indo por água abaixo, pare e pense nas qualidades que aquela pessoa possui, nos bons momentos que viveu com ela. Não pensa na sua injúria com seja lá o que for que aconteceu, não sinta raiva. É o primeiro passo para as coisas se acertarem. Faz sentido, tanto que diversos psicólogos e autores de livros de auto-ajuda recomendariam a mesma coisa. Mas isso porque pensar em coisas boas sobre o outro muda a forma como você encara o problema.

Este é o ponto principal que me angustia em relação à ideia do filme. A teoria propõe uma inversão das relações de causa e efeito na vida de alguém. Como se o pensamento positivo agisse magicamente no mundo ao seu redor, afetando a postura das outras pessoas e transformando o mundo em prol dos seus objetivos. E não mudando a sua postura com relação ao mundo ingrato em que você vivia anteriormente. E uma mudança de visão do mundo, acreditem, muda muito como as pessoas ao seu redor lidam com você. Mas é porque você que está diferente, e não eles.

Há ainda um problema a ser considerado, que faz a lógica tilintar. E se todas as pessoas do mundo resolverem usar este dom ao mesmo tempo? O filme tem a resposta pronta para isso, dizendo que neste mundo há o bastante para todos. E que nem todas as pessoas do mundo desejam as mesmas coisas. Nem todo mundo está interessado em um carro novo, nem em uma promoção no emprego. E isto é verdade, ainda bem. Mas no contexto do filme serve como uma perfeita desculpa para você não sentir-se mal em ser ganancioso e materialista. Afinal, o 1% da população mundial que detém os 95% das riquezas só chegaram aonde estão porque conhecem há muito tempo este Segredo. Ceeerto, vamos fingir então que não há um sistema socioeconômico injusto moendo a todos nós. Que não há quem não dê a mínima para a população, a não ser quando pudermos gerar mais lucro para eles. Eles são sábios, conhecem o Segredo. E o Segredo é pisar na cabeça do outro para chegar mais alto.

fev 122010
 

Quais os limites na disputa pelo poder? Eles existem?

O sentimento de estar no controle já levou a humanidade aos seus melhores dias. Conseguimos reverter parte da imposição da natureza e fazer com que o ambiente se adapte a nós. Fomos para o espaço, aumentamos a nossa expectativa de vida, dominamos viagens aéreas, criamos a democracia… Continue reading »

jan 292010
 

(publicada originalmente na edição 7 – julho de 2009 – primeira quinzena)

Filosofia que vem, não apenas de Atenas, mas diretamente do Olimpo. O filósofo Luiz Rufino dos Santos Júnior transmite ao Colóquio desta edição a digna qualidade de Ágora (Praça principal na constituição da cidade grega durante a Antiguidade Clássica) ao “palestrar” através da esfera pública do Inconfidência.

“Estamos num caminho sem retorno, a decadência final da civilização.”

“Estamos num caminho sem retorno, a decadência final da civilização.”

Inconfidência Ribeirão – Hiperdemocracia, o que é isso? Continue reading »