fev 152011
 

Por que os homens mentem e as mulheres choram? (Suellen Fernandes)

Minha querida, é preciso tomar muito cuidado com esse tipo de pergunta. Primeiro, porque é nome de livro de auto-ajuda. Segundo, porque incorre em uma falácia*. Se você pergunta o porquê de alguma coisa, parte do princípio de que aquilo é verdadeiro (da mesma maneira que perguntamos “por que o céu é azul?”, e não “por que o céu é verde?”). Porém, será mesmo uma verdade absoluta o fato de que os homens mentem e as mulheres choram? Continue reading »

dez 182010
 

Por que o joelho tem rótula (patela) e o cotovelo não tem? (André, do outro lado da sala)

Boa pergunta. Uma passada rápida no Google (pai da sabedoria de improviso) traz a conclusão de que a rótula (ou patela, o nome mais recente utilizado pela Medicina; pessoalmente, já que não sou médico, prefiro chamar de “rótula” porque é mais fácil ligar esse nome ao osso em questão; “patela” me parece um nome saído da tabela de preços do açougue), enfim, aquele ossinho arredondado no meio do joelho, é uma característica dos membros posteriores (os detrás) de diversos mamíferos. Por exemplo, cachorros gatos e cavalos possuem rótula nas patas traseiras, e também os primatas como o chimpanzé e o gorila. Além do ser humano, lógico. Continue reading »

nov 112010
 

Por que é tão difícil para nós humanos aceitarmos o que foge ao nosso controle? Será que ninguém é dono do próprio destino? (Maíra Pádua, por email)

Minha querida, não há controle sobre os eventos que cercam o seu destino. Há apenas uma ilusão de controle, ocasionado pelo fato de que você pode selecionar os seus próprios atos. Mas a maioria das experiências que vivemos depende de diversos outros fatores além da sua própria participação. Continue reading »

Valor humano

 Posted by at 11:44 am  Pergunte ao Monge
out 052010
 

Monge, você acha que a humanidade vem piorando através dos anos ou vem melhorando (em todos os aspectos)? (Augusto P. Duarte)

Hum… Creio que não dá para dizer que a humanidade piorou. Estamos longe de um modelo adequado de convivência mútua e de interação saudável com o ambiente, mas estamos tentando. É comum pensar que foi no passado longínquo que o homem encontrou seu verdadeiro papel no mundo, quando sua sobrevivência dependia de aspectos não muito mais complexos do que as necessidades animais. Ou seja, a vida “selvagem”, a busca pela natureza. No entanto, é fácil nos esquecermos dos “poréns” decorrentes deste estilo de vida.

Pense só: hoje somos aproximadamente 6 bilhões de humanos ao redor do globo. Imagine que de repente todo mundo desencane da tecnologia e da comodidade da vida moderna e vá viver como nossos longínquos antepassados. Será que temos um ecossistema pronto para receber de repente 6 bilhões de caçadores/coletores? Tenho certeza que não. Portanto, é melhor que continuemos concentrados nas cidades.

O ser humano padece de apenas um problema prático essencial, e isso não melhorou nem piorou ao longo dos anos: não somos muito adeptos da ideia do benefício coletivo. Enquanto espécie, a coletividade é essencial para nossa sobrevivência. Mas nós gostamos muito de pensarmos por nós mesmos, e o conflito de ideias é um dos principais expoentes da individualidade. Soma-se a isso uma valoração conceitual de tudo que produzimos, tratados como “bens de consumo”, materiais ou não. É a fórmula do nosso modelo de vida contemporâneo: somos todos humanos, diferentes entre si, e cada um de nós é especial. Mas a sua importância será mensurada pelo que você pode fazer.  Ou melhor, por quanto dinheiro irão oferecer pelo que você faz.

Mas o capitalismo não é necessariamente mais predatório do que outros modelos de exploração. Infelizmente, isso é algo que sabemos fazer muito bem.