fev 082011
 

Monge, é verdade que toda panela tem sua tampa? E a frigideira, como faz??? (Fernanda)

Bom, minha querida, é bem verdade que praticamente toda e qualquer frigideira não dispõe de uma tampa. Mas isso não quer dizer que uma frigideira nunca pode ser tampada, entende? Se achar uma tampa que encaixe direito, não tem porque não tentar. Afinal, tecnicamente cada tampa pertence a uma panela específica, mas todo mundo sabe que no armário da cozinha sempre tem um cantinho com um monte de tampa que não faz jogo com panela nenhuma dali. Alguma há de servir. Continue reading »

Perfeição

 Posted by at 1:28 pm  Pergunte ao Monge
set 152010
 

Por que sempre procuramos defeitos nas coisas? (Natália “Poli” Amaral Antunes)

Simples, minha querida Poli: não sabemos lidar com a perfeição, de jeito nenhum. Ela é apenas um conceito abstrato, uma bela ideia evocada por diversas vezes ao longo da vida. Nada mais que isso. Mesmo assim, nós a buscamos, por vezes ferrenhamente. E quando finalmente achamos que alcançamos o patamar mais elevado possível na escala da perfeição, não demora até que tudo desabe perante um simples sopro, uma simples observação. Porque quando a encontramos, não sabemos o que fazer com ela.

Assim, achar defeito em tudo é algo perfeitamente natural. Para alguns, um hobbie. Para outros, é mais um defeito a ser encontrado nas pessoas. Nada mais chato do que aquele cara que critica tudo, como se nada nunca estivesse bom o suficiente para ele. Mas ele sabe muito bem que o mundo não é perfeito, e regozija-se em apontar isso para os outros. Sim, ele é um chato, mas também pode ser muito útil para o grupo. Porque mesmo que estrague a diversão, ele fatalmente irá reparar nos detalhes que ninguém mais nota, o que pode salvar alguns de situações inconsequentes, que tem tudo para dar muito errado. Mesmo que ele só tenha falado para estragar a diversão do pessoal.

De qualquer forma, reconhecer que alguma coisa não é perfeita não é necessariamente só reclamar e viver de mal com o mundo. A questão aí é qual o efeito daquele defeito na sua vida. Parabéns, você constatou que o seu curso na faculdade está longe de ser perfeito. Ou que aquela menina fantástica com quem você está saindo tem chulé e gases noturnos. Ou mesmo percebeu, depois de reparar muito, que o quadro pendurado no saguão de entrada do seu prédio pende levemente para a esquerda. E daí? Acabou o mundo só porque você notou estes defeitos em algo que você valoriza?

Era perfeito até aquele momento, e agora não é mais. Ufa, não é? Não é confortante saber que os defeitos existem? Porque a perfeição ou é uma ilusão, mascarando os defeitos que aquela pessoa ou situação fatalmente possuem, ou é o prenúncio da decadência. Assim como o caminho histórico das civilizações. A ascensão, o ápice perfeito e a o declínio. O que também é pura física. E é o ciclo natural também. A natureza é um sistema extremamente funcional, mas está longe de ser perfeita. Prova disso somos nós, humanos, que viemos dela. E talvez sejamos os responsáveis por sua queda.

ago 312010
 

Querido Monginho, considerando que na maioria dos relacionamentos (qualquer tipo de relacionamento) as pessoas são infiéis em algum momento, qual a relação do ser humano com a traição? Beijos (Nathalia Carvalho)

Querida Nati, a chamada “traição” não precisa ser exatamente uma coisa ruim. Encaremos a coisa como uma mudança brusca de ideia, quando de repente queremos fazer algo diferente do que estamos fazendo. Tal mudança pode ser gerada tanto da própria vontade quanto de alguma influência externa – algo que o parceiro ou colega fez que desagradou a você, uma ideologia diferente, pressão por parte de terceiros etc.

O Monge está tentando pensar em larga escala agora. Quando você diz “qualquer tipo de relacionamento”, na minha cabeça isso inclui amor, família, trabalho, grupos sociais, até mesmo exércitos aliados em uma guerra. Mesmo em situações diferentes, o fenômeno é o mesmo. Se o outro conta com alguma atitude sua, e o que você faz é exatamente o contrário, aí está a traição como a conhecemos.

Não existe “traição menor”. O que muda são as conseqüências dela, de acordo com os contextos do relacionamento que ela afeta. Se um destacamento de um exército resolve debandar e aliar-se ao inimigo, isso pode não fazer diferença no resultado de um conflito, apenas “desestabilizar” a situação que existia anteriormente. Mas se tal debandada ocorre durante uma batalha crucial, onde qualquer desequilíbrio pode fazer a diferença, provavelmente os ex-aliados dos traidores estarão em apuros.

Ok, o exemplo foi um pouco inverossímil. Mas deu para pegar a ideia, não? Da mesma forma, um relacionamento amoroso não irá necessariamente por água abaixo quando ocorre uma traição. A questão, novamente, é a consequência. De repente pode acontecer de a parte traidora apaixonar-se loucamente após o ato, e querer dar um adeus definitivo à antiga companhia. Ou pode ser só uma coisa momentânea, uma vontade carnal irresistível. Claro que uma “escapada” inofensiva também pode acabar definitivamente com um relacionamento, mas aí depende mais da reação da parte traída ao fato. Para algumas pessoas, até mesmo um olhar lânguido para uma terceira seria imperdoável. Por isso mesmo, a comunicação entre as partes é essencial. É sempre interessante saber até onde se pode ir.