Reféns formados

 Posted by at 10:36 am  Pergunte ao Monge
jun 112010
 

Monge, por que é tão difícil para os recém formados conseguirem um mísero trocado para sobreviver? (Flávia Pádua)

Bem, eu não sei se sou a pessoa mais apropriada para responder esta pergunta, pois ainda não terminei a faculdade. No entanto, este é um problema facilmente observado entre muitos dos meus colegas, de profissão ou não. A falta de perspectiva profissional atinge a todos, independente da área escolhida. É triste encerrar o período de estudos na faculdade, quando se é a esperança da nação, e depois tornar-se problema social, estando desempregado.

A universidade não é uma porta escancarada para o mercado de trabalho, como muitas delas querem que a gente acredite. A especificação cada vez maior dos cursos, por exemplo, tende a formar cada vez mais profissionais especializados demais, perdendo a versatilidade. Não é fácil conseguir trabalho assim, quando o contexto da sua especialização já está saturado. Infelizmente, cada vez mais esta formação “tecnicista” toma conta da universidade brasileira do século XXI. E dá-lhe cursos de Matemática Aplicada a Negócios, Biologia Molecular, Química Ecológica, Física Médica, História Estrusca e Letras: Hebraico, para citar alguns exemplos (desafio o leitor a descobrir quais destes cursos são reais, e quais foram inventados pelo Monge).

Por outro lado, há cursos de formação bastante ampla, mas que não preparam mais para o mercado. Pegue o curso de administração, por exemplo. Praticamente nenhum recém formado nesta área consegue emprego fácil. Falta alguma especialização, sempre (quando não é no mínimo um MBA). O mercado não possui mais espaço, infelizmente.

A solução encontrada por quem manda na universidade, ao que parece, é botar a culpa no aluno. Nada de mercado saturado, nada de formações que não formam porcaria nenhuma. Se o aluno botar a bunda na cadeira, estudar, fizer seus trabalhos e só, ele deve estar preparado para ser um profissional, oras. Nada de festas, congressos, feiras multidisciplinares e conversas de corredor. Isso tudo apenas desvia o aluno do seu objetivo profissional. Pois é, para muitos, universidade é isso aí.