Após a divulgação da lista de livros exigidos pela Fuvest e Unicamp, questionei-me: até quando vão usar certas obras literárias enfadonhas que causam mais indisposição do que inspiração nos alunos?

Algumas obras (não incluo o canonizado Machado de Assis, longe disso) chegam ao extremo de criar um sentimento de repulsa em parte dos alunos, de tal forma, que muitos deles sequer leem a segunda exigência da lista e, de quebra, nunca mais vão ler um clássico em suas vidas tamanha ojeriza (sentimento de má vontade, aversão – Houaiss) causada.

Outra crítica é sobre a ausência de um conteúdo que aborde de modo mais direto a política. Fica a impressão que a imposição desses livros é alienar as pessoas quanto à política, mesmo porque, ter mentes politizadas é a última coisa que uma determinada fatia da sociedade quer.

Na onda da alienação, criou-se um preconceito com certos autores, que chega a dar medo de abrir um livro deles e ter os olhos queimados pelo fogo eterno. Para citar um exemplo, temos Nicolau Maquiavel (1469-1527), que deu origem ao termo “maquiavélico”, onde é definido no dicionário Caldas Aulete: “Diz-se de indivíduo ardiloso, pérfido, possuidor de mente treinada em arquitetar friamente atos de má-fé”.

Será que toda a obra do escritor italiano, que por bem ou por mal, descreveu o alicerce da política como conhecemos se resume a um rótulo da mesquinhice? Sem mencionar que, quando falamos dele, há quem ache impossível de ler (sem nem mesmo nunca ter pego um na mão ou baixado na internet). Só a “aura” em volta não só dessa obra e desse autor, mas de outros que falam de política, é o suficiente para que boa parte dos alunos jamais cheguem perto de um e o coloquem na mesma classe de livros “que só vão trazer desgosto”.

Para comprovar: você, caso tenha terminado o ensino médio há mais de um ano, lembra do conteúdo dos clássicos que leu no colegial?

por Leonildo Trombela Junior

jan 222010

(publicada originalmente na edição 9 – agosto de 2009 – primeira quinzena)

Já dizia o Mestre Yoda que o lado sombrio da Força (uma espécie de “poder sobrenatural” da história da franquia “Star Wars” que tanto pode pender para o bem, como para o mal) é o caminho mais fácil de ganhar o poder. Não só há muito tempo atrás, em uma galáxia muito muito distante as coisas são assim. Neste tempo e nesta galáxia, inúmeros exemplos já mostraram que a velocidade de ganho do poder é proporcional à velocidade em que você o perde.

Para ilustrar, vamos considerar o lado sombrio da Força representado nas figuras da politicagem e da corrupção (corriqueiramente os dois se confundem, quando não são dados por sinônimos):

- Um sujeito X segue sua vida pacata e honesta. Pratica o que ele considera o correto. Até que um dia, chega uma proposta de dinheiro e poder fácil. É aí que começa a grande saga de nossas vidas: enfrentar nossos piores demônios. Pôr em prática os ensinamentos dos velhos mestres da sabedoria que desde criança nos diziam que o mal é o errado e o bem é o correto.

Logicamente, nós todos como crianças tolas que ainda somos, só vemos o triunfo do mal na hora de ponderar. Os bandidos do colarinho branco impunes e ricos, profissionais inescrupulosos subindo aos mais altos cargos das empresas, e por aí vai. Essa é sempre a parte visível. O status sempre tem destaque aos nossos olhos. Jamais vemos a filha lésbica do senador que se suicida na frente do próprio pai, usando o paletó do pai e atribuindo ao próprio a culpa por ela estar fazendo aquilo. Tampouco vemos o político de origem árabe que é preso na mesma cela que seu próprio filho se sentir humilhado. Nós só vemos castelos, nepotismos e orgias. Talvez no fundo desejamos o mesmo para nós.

Em resumo, o imoral, indecente e ridículo é como uma ejaculada precoce proposital: você vai conseguir o que quer, antes de todo mundo e do jeito mais fácil possível; de forma que as demais pessoas o acharão um egoísta; mas quando elas estiverem se divertindo, elas não mais verão seu estado de marasmo e derrota. Você será passado.

Seria hipocrisia dizer aqui que seguir o caminho Jedi (ou seja, ser sempre o bonzinho) não tem também seus contras. De fato tem. Tudo virá mais demorado. Você lutará milhares de vezes mais para conseguir o que os “sombrios” demorariam. Será muito mais difícil. Mas no fim você poderá fazer algo que nenhum deles jamais fariam: relaxar e gozar.

por Leonildo Trombela Júnior

Árvore Genealógica

Posted by daredacao at 10:31 pm Crônicas, T.I.
jan 202010

(publicada originalmente na edição 0 em 11 de março de 2009)

A genealogia da política brasileira nos últimos 20 anos é monótona. Principalmente quando se trata de descobrir seus personagens. Quem busca várias correntes e doutrinas encontra um saco de farinha. Interprete a palavra “farinha” em qualquer contexto. Cabe.
A politicagem se espalha desde o movimento estudantil até as águas que circundam o Congresso.  Fraudes, intimidações, voto de cabresto e tantas outras práticas, dentro de um simples diretório ou centro acadêmico, em congressos estudantis ou associações de bairro. A seleção de pessoal é simples: Quanto mais alcance tem sua influência, mais poder te fornecem e mais favores te pedem. Claro que sempre em nome da construção de um ideal maior. E a velha desculpa: “Mas sabe como é né? Pra chegar lá em cima e poder fazer o correto, tem que liberar muito debaixo do pano…”
É o caráter flexível. A eterna justificativa no erro do próximo. Perfeição não existe, mas ética com a coisa pública é possível. E não só por parte dos eleitos. Todos temos a obrigação de fiscalizar. Qualquer um que reclame dos políticos sem buscar as soluções que a legislação oferece para ação, se iguala a eles.
Lula não sabe de nada. Gosta mesmo é de álcool e o resto é biodiesel. A irmã de José Serra era sócia de Verônica Dantas (irmã do Dani) em uma empresa de pesquisa com sede em Miami. Fernando Henrique teve mais de 600 (seiscentos) processos arquivados pelo independente Geraldo Brindeiro. Nomeado Procurador da República pelo próprio FHC. Antonio Palocci não gosta de sigilo de caseiro, Alckmin adora sigilo de metrô e José Dirceu dispensa qualquer apresentação.
Informações jogadas que se misturam no cimento da política brasileira, com a qualidade do Sérgio Nahas (alguém se lembra?).
Grande parte dessa história está encerrada nos discos de computadores apreendidos pela Polícia Federal com Daniel Dantas. Estavam em uma parede falsa e segundo relatos, foi o único momento de alteração de Dantas quando os viu: “Vocês não podem levar isso!”.  Comparativamente, é como uma grande Orkut que mostraria toda a teia de relacionamento de corrupção no país. Pararia a República por dois anos, dizem. Mas, graças à argumentação risível de nossa suprema juíza federal Ellen Gracie, não podemos conhecer seu conteúdo. Justificativa: “Daniel Dantas pode não ser Daniel Dantas.”
Gostaria de votar para Juiz…

P.N.O.: Qual é pior, a parcialidade criminosa das revistas, o oportunismo financeiro de jornais ou a hipocrisia sensacionalista dos canais de televisão?

Marcelo Dias

Palavras Soltas

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