Em uma rodinha de amigos em um boteco de esquina lá pelas bandas do Campos Elíseos:

- Rapaz, você viu? Caiu um avião lá na Polônia e matou o presidente, vários deputados e maior pessoal do alto escalão. Já pensou se isso acontece no Brasil?

- O problema é que aqui no Brasil teria que cair a frota inteira de aviões com políticos dentro pra ver se muda algo…

Após a divulgação da lista de livros exigidos pela Fuvest e Unicamp, questionei-me: até quando vão usar certas obras literárias enfadonhas que causam mais indisposição do que inspiração nos alunos?

Algumas obras (não incluo o canonizado Machado de Assis, longe disso) chegam ao extremo de criar um sentimento de repulsa em parte dos alunos, de tal forma, que muitos deles sequer leem a segunda exigência da lista e, de quebra, nunca mais vão ler um clássico em suas vidas tamanha ojeriza (sentimento de má vontade, aversão – Houaiss) causada.

Outra crítica é sobre a ausência de um conteúdo que aborde de modo mais direto a política. Fica a impressão que a imposição desses livros é alienar as pessoas quanto à política, mesmo porque, ter mentes politizadas é a última coisa que uma determinada fatia da sociedade quer.

Na onda da alienação, criou-se um preconceito com certos autores, que chega a dar medo de abrir um livro deles e ter os olhos queimados pelo fogo eterno. Para citar um exemplo, temos Nicolau Maquiavel (1469-1527), que deu origem ao termo “maquiavélico”, onde é definido no dicionário Caldas Aulete: “Diz-se de indivíduo ardiloso, pérfido, possuidor de mente treinada em arquitetar friamente atos de má-fé”.

Será que toda a obra do escritor italiano, que por bem ou por mal, descreveu o alicerce da política como conhecemos se resume a um rótulo da mesquinhice? Sem mencionar que, quando falamos dele, há quem ache impossível de ler (sem nem mesmo nunca ter pego um na mão ou baixado na internet). Só a “aura” em volta não só dessa obra e desse autor, mas de outros que falam de política, é o suficiente para que boa parte dos alunos jamais cheguem perto de um e o coloquem na mesma classe de livros “que só vão trazer desgosto”.

Para comprovar: você, caso tenha terminado o ensino médio há mais de um ano, lembra do conteúdo dos clássicos que leu no colegial?

por Leonildo Trombela Junior

(publicada originalmente na edição 9 – agosto de 2009 – primeira quinzena)

Já dizia o Mestre Yoda que o lado sombrio da Força (uma espécie de “poder sobrenatural” da história da franquia “Star Wars” que tanto pode pender para o bem, como para o mal) é o caminho mais fácil de ganhar o poder. Não só há muito tempo atrás, em uma galáxia muito muito distante as coisas são assim. Neste tempo e nesta galáxia, inúmeros exemplos já mostraram que a velocidade de ganho do poder é proporcional à velocidade em que você o perde.

Para ilustrar, vamos considerar o lado sombrio da Força representado nas figuras da politicagem e da corrupção (corriqueiramente os dois se confundem, quando não são dados por sinônimos):

- Um sujeito X segue sua vida pacata e honesta. Pratica o que ele considera o correto. Até que um dia, chega uma proposta de dinheiro e poder fácil. É aí que começa a grande saga de nossas vidas: enfrentar nossos piores demônios. Pôr em prática os ensinamentos dos velhos mestres da sabedoria que desde criança nos diziam que o mal é o errado e o bem é o correto.

Logicamente, nós todos como crianças tolas que ainda somos, só vemos o triunfo do mal na hora de ponderar. Os bandidos do colarinho branco impunes e ricos, profissionais inescrupulosos subindo aos mais altos cargos das empresas, e por aí vai. Essa é sempre a parte visível. O status sempre tem destaque aos nossos olhos. Jamais vemos a filha lésbica do senador que se suicida na frente do próprio pai, usando o paletó do pai e atribuindo ao próprio a culpa por ela estar fazendo aquilo. Tampouco vemos o político de origem árabe que é preso na mesma cela que seu próprio filho se sentir humilhado. Nós só vemos castelos, nepotismos e orgias. Talvez no fundo desejamos o mesmo para nós.

Em resumo, o imoral, indecente e ridículo é como uma ejaculada precoce proposital: você vai conseguir o que quer, antes de todo mundo e do jeito mais fácil possível; de forma que as demais pessoas o acharão um egoísta; mas quando elas estiverem se divertindo, elas não mais verão seu estado de marasmo e derrota. Você será passado.

Seria hipocrisia dizer aqui que seguir o caminho Jedi (ou seja, ser sempre o bonzinho) não tem também seus contras. De fato tem. Tudo virá mais demorado. Você lutará milhares de vezes mais para conseguir o que os “sombrios” demorariam. Será muito mais difícil. Mas no fim você poderá fazer algo que nenhum deles jamais fariam: relaxar e gozar.

por Leonildo Trombela Júnior

Palavras Soltas

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