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	<title>Inconfidência Ribeirão &#187; patrimônio público</title>
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		<title>O Diederichsen rachado</title>
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		<pubDate>Sun, 30 May 2010 15:47:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daredacao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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		<category><![CDATA[diederichsen]]></category>
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		<description><![CDATA[O IR fechou. Obrigado à todos aqueles que fizeram parte. Fim. O Diederichsen rachado * por  Marcelo Dias O Diederichsen está rachando. Verdadeiro emblema da cidade, ele dá sinais de desagregação de sua estrutura de mais de 70 anos, encontrados durante a tentativa de reforma da redação do Inconfidência Ribeirão. Descobriu-se um emaranhado de rachaduras <a href='http://inconfidenciaribeirao.com/2010/05/o-diederichsen-rachado/'>[...]</a>]]></description>
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<h6 style="text-align: center;">O IR fechou. Obrigado à todos aqueles que fizeram parte.</h6>
<h6 style="text-align: center;">Fim.</h6>
</blockquote>
<h1 style="text-align: center;"><strong>O Diederichsen rachado</strong></h1>
<p style="text-align: center;"><strong>* </strong>por  Marcelo Dias</p>
<div id="attachment_5264" class="wp-caption aligncenter" style="width: 490px"><a href="http://inconfidenciaribeirao.com/wp-content/uploads/2010/07/confidencial.jpg" rel="shadowbox[post-4364];player=img;"><img class="size-full wp-image-5264 " title="Marcelo Dias" src="http://inconfidenciaribeirao.com/wp-content/uploads/2010/07/confidencial.jpg" alt="" width="480" height="319" /></a><p class="wp-caption-text">Rachadura em diagonal</p></div>
<p>O Diederichsen está rachando. Verdadeiro emblema da cidade, ele dá sinais de desagregação de sua estrutura de mais de 70 anos, encontrados durante a tentativa de reforma da redação do Inconfidência Ribeirão. Descobriu-se um emaranhado de rachaduras por dentro e por fora da sala. Em uma breve caminhada pelos corredores, observa-se diversos pontos com o mesmo problema.<span id="more-4364"></span></p>
<div id="attachment_5266" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://inconfidenciaribeirao.com/wp-content/uploads/2010/07/trinco_01.jpg" rel="shadowbox[post-4364];player=img;"><img class="size-full wp-image-5266 " title="Mariana Lellis" src="http://inconfidenciaribeirao.com/wp-content/uploads/2010/07/trinco_01.jpg" alt="" width="300" height="447" /></a><p class="wp-caption-text">2º andar</p></div>
<p>Com maior visibilidade na parte frontal à Praça XV, um trinco vai do primeiro ao terceiro andar, e continua subindo. Reformas sucessivas em seu interior, com uso de maquinário pesado, podem ter danificado um dos maiores bens arquitetônicos do Estado.</p>
<h2><strong>Possíveis causas</strong></h2>
<p style="text-align: justify;">Foram relatados diversos casos de obras internas que descaracterizavam e influíam nas atuais condições, como a suposta alteração em uma viga do prédio. Malaguti, locatário da sala 109 e há três anos no prédio, relembra o dia em que, voltando do cafezinho da tarde, encontrou diversos funcionários de uma empresa do ramo de fotografia no saguão principal. Preocupados, abandonaram as salas do primeiro andar porque o prédio estaria chacoalhando. Quanto à trinca que “orna” sua sacada, é taxativo: “Está aumentando.”</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo um dos funcionários do edifício, a “tremedeira” aconteceu durante a reforma da antiga choperia, para a locação da loja de calçados. “Fizeram um buraco para abrir porta entre as duas lojas, para um prédio que não tem nada a ver com este aqui. Na hora do estrondo, eu não estava, mas quando cheguei no dia seguinte, vieram me falar.”</p>
<h2><strong>Não autorizada</strong></h2>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_5267" class="wp-caption aligncenter" style="width: 490px"><a href="http://inconfidenciaribeirao.com/wp-content/uploads/2010/07/causa_01.jpg" rel="shadowbox[post-4364];player=img;"><img class="size-full wp-image-5267 " title="Anônimo" src="http://inconfidenciaribeirao.com/wp-content/uploads/2010/07/causa_01.jpg" alt="" width="480" height="360" /></a><p class="wp-caption-text">O silêncio da noite de 28 de outubro de 2009 foi interrompido quando, por volta das 20h, um forte estrondo chamou a atenção dos moradores e frequentadores locais para uma das obras em execução. O espanto foi maior quando um cidadão avistou ao longe um maquinário pesado nas antigas dependências da esquina das ruas Álvares Cabral e General Osório. Apressou-se em buscar em casa a câmera fotográfica. “Eu já estava indignado que tínhamos perdido um dos marcos da história de Ribeirão e agora estava assistindo a destruição do interior de um edifício”, disse a fonte.A reforma seguiu a portas fechadas, o que não impediu o morador de fotografar o estado da obra e o equipamento utilizado no interior edifício. A minicarregadeira é utilizada para remover pavimentações e nivelar o solo para receber nova camada.“Segui com um amigo para a lateral da loja na Rua Álvares Cabral e esperei até as portas se abrirem. Quando o funcionário levantou a porta de aço, corri e fotografei o interior da futura loja. Porém fui interrompido por um dos funcionários da obra, que arrancou das minhas mãos a câmera e me disse que aquela era uma obra particular, e que eu não poderia fotografar o local. Perguntou-me o que faria com as fotos e, sob tom ameaçador, disse-me que as apagaria. Respondi que não precisaria se preocupar em apagar nada. Chamaríamos a polícia e deixaríamos o delegado fazer isso. Com medo, ele devolveu a câmera. Naquele momento, não sabia o que faria com aquelas imagens, mas tinha certeza que um dia elas seriam úteis para a preservação da nossa história”. (por Will Parisi)</p></div>
<p>Sem autorização do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), houve várias intervenções no local ocupado pela antiga choperia, hoje tomado por uma loja de sapatos. Com as portas fechadas, ninguém viu as máquinas furando paredes e arrancando o piso – tudo o que não podia ser feito. O prédio é tombado desde 2005, de acordo com a Resolução Secretaria de Cultura &#8211; 33, de 8-8-2005. A pessoa apontada como responsável pela obra clandestina deixou a firma e o gerente de marketing insiste em querer perguntas por email, não proporcionando o acesso aos donos da loja de calçados.</p>
<div id="attachment_5268" class="wp-caption aligncenter" style="width: 490px"><a href="http://inconfidenciaribeirao.com/wp-content/uploads/2010/07/condephaat_porta.jpg" rel="shadowbox[post-4364];player=img;"><img class="size-full wp-image-5268 " title="Marcelo Dias" src="http://inconfidenciaribeirao.com/wp-content/uploads/2010/07/condephaat_porta.jpg" alt="" width="480" height="360" /></a><p class="wp-caption-text">O Condephaat</p></div>
<p>Buscamos informações com o Condephaat. Fomos bem atendidos e mal respondidos. Encaminhamos perguntas referentes ao tombamento, ao pedido de obras no edifício e ao que é passível de reforma sem autorização, além de como interpretar o artigo do tombamento. Não fica claro o que são considerados salões comerciais e se há a necessidade de autorização para reparos.</p>
<p style="text-align: justify;">A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo não respondeu satisfatoriamente a esta questão. As demais foram respondidas de maneira confusa. Ora havia autorizações para obras, ora não havia. Fomos pessoalmente pesquisar na Secretaria. Marcamos a data, comparecemos, mas não obtivemos sucesso. Fora o processo de tombamento, não tivemos acesso a nenhum outro documento. Novamente na Assessoria, agora ao vivo, recebemos a informação de que deveríamos encaminhar, mais uma vez, um email com o pedido e as perguntas, que seriam então respondidas. Resumo: tirando o projeto de restauro, nada de pedidos.</p>
<p style="text-align: justify;">De volta a Ribeirão, retornamos à administração do prédio. O administrador, nomeado pela Santa Casa de Misericórdia, expôs a situação. “O edifício é muito antigo. Os encanamentos estão enferrujados, rede de esgoto e água. Temos vazamentos em apartamentos. Eu não posso deixar do jeito que está. Não vou fazer um projetinho para trocar 40 tacos (do chão). Tem de haver bom senso, trazer o prédio na melhor ordem e na melhor beleza. Há uma coisa que é a lei e a coisa que é o correto. Eu desejo para o Antônio Diederichsen que ele fique para todas as gerações futuras. Como vai acontecer isso, se toda vez que eu quebrar a parede tiver que pedir para o Condephaat? Preciso comunicar para fazer alguma coisa boa? Tombar não é preservar, é deixar cair ao chão.”</p>
<p style="text-align: justify;">Questionado sobre as obras realizadas, uma surpresa. Apresentou a autorização concedida ao Grand Hotel Diederichsen pelo órgão regulador para a reforma. Sobre os demais comerciantes que realizaram obras, declarou que não houve autorização. Quanto à loja de calçados, disse que foram acompanhados pelo arquiteto que elabora o projeto de restauração do edifício. “Essa transação (da choperia com a loja de calçados) foi feita pela advocacia da Santa Casa, não foi feita através de nós. Ali embaixo eu me eximo de declarações porque aquilo ali não foi feito com essa administração. Se você me pedir um contrato, eu tenho um porque pedi por fax”.</p>
<p style="text-align: justify;">Já o arquiteto responsável pelo projeto de restauro de partes do edifício fala o contrário. Não teve qualquer participação. Somente uma recomendação ao engenheiro da obra para que elaborasse um projeto e requeresse a autorização do Condephaat.</p>
<p style="text-align: justify;">A situação é preocupante. Autoridades e responsáveis não explicam nem resolvem o problema. A falta de capacidade e fiscalização do Condephaat, a necessidade diária dos locatários e o uso do jeitinho para tudo estão, pouco a pouco, minando um dos maiores exemplos do empreendedorismo ribeirãopretano.</p>
<p style="text-align: justify;">__________________________________________________________________</p>
<h1 style="text-align: center;"><strong>Diederichsen &#8211; A História</strong></h1>
<p style="text-align: center;">* por Gabriel Monge<strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Antônio Diederichsen era um empreendedor. Nascido em 1º de agosto de 1875, filho de Bernardo Diederichsen, proprietário da fazenda Morumbi na cidade de São Paulo, o pequeno Antônio foi mandado à Alemanha para terminar os estudos e aprender alemão. O pai não aceitava que o filho não soubesse o idioma da pátria natal dos Diederichsen. O garoto desdobrou-se em seus esforços para conseguir terminar os estudos um ano antes do previsto, com direito a uma festa de despedida, tradição entre os estudantes, mas que seu tio alemão não despendeu um centavo para bancar. Um de seus mestres sugeriu que vendesse sua coleção de selos, fruto das incursões infantis ao sótão do casarão na fazenda, e isto bastou para pagar a comemoração.</p>
<p style="text-align: justify;">De volta à fazenda Morumbi, começou a trabalhar ajudando a cuidar da produção de chá e vinho da família. Mas uma discussão por causa do cigarro (o pai dizia ao filho que só poderia fumar por conta do próprio dinheiro que ganhasse, mas não aceitava que ele gastasse parte do seu salário para isso) fez com que Antônio desistisse da remuneração pela ajuda na fazenda. Quando uma praga assola as videiras da fazenda, prejudicando a qualidade e a venda do vinho, os Diederichsen decidem encerrar a produção da fazenda Morumbi. Bernardo utilizou o dinheiro poupado pelo filho para enviá-lo de volta à Alemanha, desta vez para aprender agronomia. Em dois anos o jovem retorna ao Brasil já formado, e com planos de vir a Ribeirão Preto para trabalhar junto ao seu primo Arthur Diederichsen. Na barca que fazia o trajeto Rio de Janeiro-Santos conheceu um conterrâneo de seu pai e amigo de seu primo: Francisco Schmidt. O Rei do Café impressionou-se com a sagacidade do rapaz e convidou-o para passar um tempo na fazenda Monte Alegre, já que seu primo demoraria algum tempo para retornar a Ribeirão Preto.</p>
<p style="text-align: justify;">Arthur precisava de ajuda para administrar suas fazendas, e Antônio tinha toda a formação e a vontade para fazer o serviço. Foi mandado para Batatais para cuidar da fazenda Retiro do Desencanto, atacada por uma praga do café. Em menos de um ano, o café foi replantado e a fazenda reorganizada. Logo, o Retiro torna-se a única das oito fazendas de Arthur Diederichsen que não precisa de auxílio financeiro da fazenda central. Semanalmente, uma parelha de carros de boi percorria o trajeto São Sebastião do Paraíso-Batatais para escoar a produção de café através da estação ferroviária de Batatais. Antônio acompanhava os carros de boi a cavalo toda semana.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo uma nova praga surgiu nos cafezais da região, minando os negócios de Arthur Diederichsen e exigindo cortes de gastos em cada fazenda. Antônio propôs que o primeiro a ser cortado fosse ele mesmo, para minimizar o sufoco do resto dos trabalhadores do Retiro. Há quem diga que ele desentendeu-se com o primo nesta época. O fato é que Antônio retornou a São Paulo, e logo foi contratado pelo Banco Brasileiro-Alemão para fazer o levantamento das fazendas de propriedade da empresa. Nesta época, o Banco Construtor e Auxiliar de Santos declarou falência, e Diederichsen interessou-se pelo espólio dos negócios do banco falido na cidade de Ribeirão Preto, constituído por uma serraria, uma oficina mecânica e uma fundição. Formou então uma sociedade com João Hibblen, outro descendente de alemães estabelecido na região. A nova empresa de ambos, batizada de Antigo Banco Construtor (ABC), iniciou suas atividades em 1903, num barracão de zinco na esquina das ruas São Sebastião e José Bonifácio.</p>
<p style="text-align: justify;">Conta-se que a empresa funcionava pontualmente das 6 da manhã às 21 horas, e que os funcionários, além de estarem obrigatoriamente prontos para o trabalho cinco minutos antes do início do expediente, não iam embora até terem guardado em seus devidos lugares todos os materiais que foram utilizados durante o dia. O patrão era rígido com a organização. Os negócios do ABC vão crescendo a cada dia, e em 1914 é construído um novo galpão na Vila Tibério. Posteriormente, naquele mesmo ano, uma inundação ocorreu na sede original, causando grande prejuízo e fazendo com que a empresa transferisse todas as atividades industriais para o novo galpão, permanecendo no centro apenas os setores comerciais do ABC. A eclosão da Primeira Guerra Mundial, porém, fez com que a sociedade se rompesse. João Hibblen era partidário da Alemanha na guerra, posição não compartilhada por Diederichsen. Este comprou então a parte do sócio, uma parcela em dinheiro e a outra em títulos a serem resgatados em seis anos. Porém, o estoque de mercadorias importadas da Alemanha trouxe um grande retorno financeiro ao ABC, e a dívida com Hibblen pode ser paga dentro de um ano apenas. Ao invés de atuar sozinho e soberano no comando da empresa, Antônio propôs sociedade aos seus empregados mais próximos e responsáveis, entre eles um jovem chamado Manoel Penna, que posteriormente se tornou um de seus amigos mais próximos. Os funcionários da empresa contavam que Diederichsen tomou esta atitude em acordo com os ensinamentos do pai, que ofereceu liberdade e uma soma em dinheiro a cada um dos escravos da fazenda Morumbi quando a adquiriu, tornando-os associados na produção de chá e vinho da fazenda.</p>
<p style="text-align: justify;">O Antigo Banco Construtor estava envolvido em quase toda a atividade econômica em Ribeirão Preto, de oficina mecânica a materiais de construção, de equipamentos agrícolas à primeira concessionária de automóveis da cidade. Diederichsen foi um homem de visão, que compreendeu o potencial de Ribeirão Preto para além do café e da lavoura, como uma cidade voltada para a indústria, comércio e prestação de serviços. O auge deste seu pensamento empreendedor foi a construção do edifício Diederichsen.</p>
<p style="text-align: justify;">Obra arquitetônica ambiciosa, o edifico Diederichsen foi o primeiro prédio com mais de três andares de Ribeirão Preto, e o primeiro edifício multifuncional do interior do país. Antônio compra o grande terreno existente na rua Álvares Cabral, entre as ruas São Sebastião e General Osório, ao lado do Quarteirão Paulista, juntamente com o chalé do falecido coronel Quinzinho da Cunha, que ali se encontrava. Entregou a proposta da obra a dois arquitetos italianos, Antonio Terreri e Paschoal de Vicenzo, e o prédio começou a ser construído em meados de 1934. Exaltando o progresso econômico e o prestígio que o empreendimento traria para a cidade, Diederichsen enviou um requerimento formal à prefeitura pedindo a isenção dos impostos prediais do edifício durante sua construção e durante os cinco anos subsequentes ao seu término. Durante aquele período, meados da década de 30, o Brasil e o Mundo começavam a se recompor da crise econômica de 1929. Ribeirão Preto ainda vivia os reflexos da depressão e da desvalorização do café, que diminuiu em muito o poderio econômico da cidade. Os negócios de Diederichsen, no entanto, mantinham-se em crescimento constante. O pedido não demorou a ser atendido.</p>
<p style="text-align: justify;">A inauguração do edifício Diederichsen realizou-se no dia 20 de dezembro de 1936, em uma celebração que se transformou em homenagem ao empresário idealizador do projeto. O prédio, de linhas modernas e ousadas para a época, conta seis andares e um terraço, e sua fachada compreende todo o quarteirão da rua Álvares Cabral, com faces também nas ruas General Osório e São Sebastião. Sua estrutura é toda feita de concreto armado e tijolos fechando as paredes, além de muretas de alvenaria e um reforço de barrado de mármore na fachada. Os arquitetos italianos inovaram também ao introduzir a Art Déco no visual do edifício, notada principalmente nos ladrilhos decorados, no mármore das escadarias, nos vitrais e nos revestimentos trabalhados em motivos geométricos.</p>
<p style="text-align: justify;">O edifício foi planejado de forma a ser multifuncional, com diversas atividades comerciais em seus andares, além de apartamentos para moradia. No térreo, lojas voltadas para a rua, tais como armarinhos, sapataria e lojas de roupas para senhoras, além de um restaurante “a preços módicos e populares” (como noticiou um jornal da época); a esquina da rua São Sebastião foi ocupada pela cafeteria Única, frequentada desde sempre por toda classe de gente, de empresários a engraxates; na outra esquina, da rua General Osório, o Snooker Pinguim, primeiro estabelecimento da famosa chopperia, sucesso tanto entre os barões do café quanto entre os boêmios e intelectuais da época; e finalmente, com entrada na rua São Sebastião, foi projetado o Cine São Paulo, uma sala de cinema ampla e confortável como não existia em Ribeirão Preto. O cinema manteve seu funcionamento até 1992, quando fechou suas portas e transformou-se em casa de bingo, atualmente desativada.</p>
<p style="text-align: justify;">No primeiro e no segundo andar do prédio foram montadas salas comerciais, ocupadas em sua maioria por consultórios médicos e odontológicos até aproximadamente a década de 70. Hoje estas salas abrigam principalmente escritórios, chaveiros, ourives, salões de beleza, firmas de pequenos negócios e a redação do Inconfidência Ribeirão. O terceiro e o quarto andar são constituídos de apartamentos para moradia, cujo valor de aluguel foi delimitado a não alcançar preços inacessíveis, sendo voltados principalmente para a classe média. O quinto andar e a área do terraço foram reservados ao Grande Hotel, que encerrou suas atividades em 2007 e reabriu no primeiro semestre de 2010. O Grande Hotel era referência em sua época e recebeu diversas personalidades e políticos de passagem por Ribeirão Preto. Segundo uma das lendas da esquina da Única, Getúlio Vargas encontrava-se periodicamente com uma amante da cidade no quarto 512, tendo visitado várias vezes a cidade por conta deste affair. No terraço existe ainda um anfiteatro e havia uma área aberta, onde funcionava um bar e a área de lazer para os hóspedes do hotel. Porém, devido a um problema de infiltração por causa das chuvas, esta área precisou ser coberta com telhas dois anos depois da inauguração, em 1938, numa petição que o próprio Diederichsen encaminhou à prefeitura. Desvinculado do hotel, o terraço desde a década de 90 abriga ensaios de grupos de teatro de rua. Atualmente, o grupo Engasga Gato utiliza o local.</p>
<p style="text-align: justify;">Antônio Diederichsen faleceu em 30 de setembro de 1955, e deixou em testamento o edifício Diederichsen para a Santa Casa de Misericórdia de Ribeirão Preto. O prédio foi declarado Bem Cultural e tombado pelo Estado de São Paulo em 2005, e desde então passa por uma série de estudos para se iniciar o projeto de restauração.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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		<title>O velho Diederichsen</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 18:48:43 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[bem cultural]]></category>
		<category><![CDATA[diederichsen]]></category>
		<category><![CDATA[edifício diederichsen]]></category>
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		<description><![CDATA[Reportagem em pdf (clique aqui para baixar/visualizar &#8211; 626kb) (publicada originalmente na edição 10 – setembro de 2009 – primeira quinzena) Assim o empresário Antônio era conhecido. Hoje o edifício que leva seu nome é a casa do Inconfidência Ribeirão. O principal símbolo de progresso da cidade carrega parte de sua história, que poucos contemporâneos <a href='http://inconfidenciaribeirao.com/2010/01/o-velho-diederichsen/'>[...]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://inconfidenciaribeirao.com/wp-content/uploads/2010/01/diederichsen.pdf">Reportagem em pdf (clique aqui para baixar/visualizar &#8211; 626kb)</a></p>
<p style="text-align: center;"><em>(publicada originalmente na edição 10 – setembro de 2009 – primeira quinzena)</em></p>
<div id="attachment_609" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://inconfidenciaribeirao.com/wp-content/uploads/2010/01/diederichsen.jpg" rel="shadowbox[post-510];player=img;"><img class="size-medium wp-image-609" title="Arquivo Público / Vitor Pasqualim" src="http://inconfidenciaribeirao.com/wp-content/uploads/2010/01/diederichsen-300x137.jpg" alt="" width="400" height="182" /></a><p class="wp-caption-text">1936 - 2009</p></div>
<p>Assim o empresário Antônio era conhecido. Hoje o edifício que leva seu nome é a casa do Inconfidência Ribeirão. O principal símbolo de progresso da cidade carrega parte de sua história, que poucos contemporâneos conhecem.</p>
<p style="text-align: justify;">Ribeirão já era conhecida pelo título de “Capital do Novo Oeste” no século XIX (por representar o progresso e a modernização, algo que relegou a Campinas a insígnia de “Capital do Velho Oeste”). Portanto, não seria o primeiro prédio multifuncional do interior do Brasil que causaria espanto em plena década de 1930. O espírito retribuidor de Antônio Diederichsen (que fez muita riqueza por aqui) tornou possível o pioneirismo da cidade em 22 de setembro de 1934. Eis que em 20 de dezembro de 1936, após dois anos e meio de obras, é inaugurado oficialmente o Edifício Antônio Diederichsen (nomeado de “Palacete Diederichsen” pelos que prestigiaram a inauguração), localizado à Rua Álvares Cabral, 469, logo adiante ao famoso Quarteirão Paulista.</p>
<p style="text-align: justify;">Projetado pelos engenheiros e “architectos” Antonio Terreri e Paschoal de Vicenzo, o prédio possui até hoje em seu térreo, primeiro e segundo andares, salas destinadas ao comércio ou prestação de serviços. Diferente dos dias atuais, da inauguração até o final da década de 1970, boa parte das salas eram consultórios médicos e odontológicos devido ao status social que o local representava. Os andares três e quatro representam até hoje dormitórios de moradia fixa, o quinto e o sexto eram o conjunto que comportava o “Grand Hotel”, formando assim, o primeiro edifício multifuncional do interior do Brasil. Especificamente no quinto andar, de início funcionava o restaurante do hotel. Segundo relatos de frequentadores antigos do prédio, até circo já se fez no sexto andar.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo o Arquiteto e Urbanista Cláudio Baúso, a arquitetura do edifício segue um visual Art déco (estilo arquitetônico onde as fachadas têm rigor geométrico e ritmo linear, com fortes elementos decorativos em materiais nobres), em seu exterior, o prédio possui uma porção de dolomita moída adicionada ao cimento da parede, para assim brilhar com a luz radiante do sol que pouco se ausenta em Ribeirão Preto.</p>
<p style="text-align: justify;">Junto com o “Palace Hotel” (aquele ao lado do Theatro Pedro II, na esquina com a Rua Duque de Caxias), o “Grande Hotel” era dos mais cobiçados e prestigiados hotéis da cidade nos dois primeiros terços do século XX. Dentre vários nomes importantes, o “Grande” já abrigou figuras como Adhemar de Barros (ex-governador de São Paulo) e Getúlio Vargas.</p>
<p style="text-align: justify;">Antônio Diederichsen, como um de seus últimos gestos que confirmaram um espírito cívico ímpar, deixou a direção do prédio nas mãos da Santa Casa de Misericórdia de Ribeirão Preto, que até hoje mantém a governança do local.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Da janela do Dr. Gabarra</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sala 230. Sessenta e três anos de história para contar. Darcy Gabarra, 86 anos, cirurgião dentista especialista em prótese, viu da janela de seu consultório a história de Ribeirão Preto ser moldada. Desde os tempos de faculdade na década de 1940, quando cursou odontologia na Faculdade de Farmácia e Odontologia de Ribeirão Preto e tinha cinco irmãos dentistas trabalhando no Diederichsen (cada um com uma sala própria), o Dr. Gabarra já os ajudava na montagem das próteses (área em que mais tarde ele seria uma referência acadêmica e profissional).</p>
<p style="text-align: justify;">Da janela da sala 230 (que viria a se tornar dele pouco tempo depois), Gabarra relata: “Na época em que comecei aqui [1947], era um sossego só. Como eram só médicos e dentistas, o silêncio imperava. Praticamente não existiam carros e esse mundo de pessoas lá fora. Não havia toda essa gritaria, helicópteros, buzinas, anúncios falados em megafones, etc.”</p>
<p style="text-align: justify;">O que consideramos o avanço da civilização, de fato não fez bem a esse sênior da odontologia. Hoje, onde há somente paredes e concretos, já foi uma vista bem mais a aprazível. “Aqui podia se ver a Vila Tibério inteira. Dava pra ver até lá na USP. Podia ficar vários minutos apreciando a paisagem. Hoje se você olhar aqui só verá os luminosos das lojas e janelas de prédios do outro lado da rua. É o mais longe que se vê”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Daqui ninguém sai</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Danilo Santana Reis, oito anos de Diederichsen. Veio de Salvador, Bahia direto para seu apartamento. Desde então faz a vida aqui na cidade. Diz que não pretende sair tão cedo do prédio, diz que pretende morar e trabalhar lá “até quando Deus permitir”. Trabalha como porteiro desde que chegou. Complementa a vida com serviços de eletricista. Como diria o velho jargão de rodeio, “não leva a vida que ama, mas ama a vida que leva”.<br />
Ele tem motivos. Apesar de localizado no centro territorial e comercial da cidade, o interior do edifício é muito sossegado. “Aqui nunca se ouviu falar de roubo, briga ou qualquer coisa de ruim. É um lugar tão bom que quem chega para morar aqui não quer sair”.</p>
<p style="text-align: justify;">Bruno Gallucci – filho de Giuliano Gallucci (fundador do “Grande Hotel”) – morou no prédio com seu pai de 1937 até 1953. Daquela época, Bruno só guarda boas lembranças. Veio da Itália com seus pais, aonde nasceu, após breve volta de seu pai à terra natal depois da vida feita.<br />
Apesar de italiano, seu pai tinha um amor pela nossa pátria varonil que poucos tem. Foi a pátria que o acolheu no final do século XIX. Veio para cá sozinho e esta pátria o ajudou a crescer e se tornar um dos maiores empreendedores do ramo hoteleiro do Brasil na primeira metade do século XX.</p>
<p style="text-align: justify;">Bruno guarda relíquias. Jóias inestimáveis. Uma delas é a série de cardápios do restaurante do hotel que seu pai formulou na década de 1930. Nas capas, fotos das belezas naturais do Brasil. Relíquias pouco apreciadas nos dias de hoje.<br />
Bruno seguiu a vida de bancário e empresário no ramo de produção de eventos junto de seu filho Élio. Os dois foram os produtores da estrutura de som utilizada na “Diretas Já” carioca e paulista (aquela que parte da mídia noticiou como “Festa de aniversário da cidade São Paulo”).</p>
<p style="text-align: justify;">Esse edifício tem história&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Infraestrutura e restauração</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<div id="attachment_610" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><strong><strong><a href="http://inconfidenciaribeirao.com/wp-content/uploads/2010/01/escada.jpg" rel="shadowbox[post-510];player=img;"><img class="size-medium wp-image-610" title="Vitor Pasqualim" src="http://inconfidenciaribeirao.com/wp-content/uploads/2010/01/escada-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></strong></strong><p class="wp-caption-text">Desgaste histórico</p></div>
<p><strong> </strong>Declarado “Bem Cultural” em 01 de setembro de 2005 no Diário Oficial do Estado de São Paulo, o Edifício Diederichsen passa agora por um estudo liderado pelo arquiteto e urbanista especializado em patrimÿnios históricos Cláudio Baúso.</p>
<p style="text-align: justify;">O estudo tem como objetivo realizar a restauração do prédio e, na medida do possível, torná-lo mais fiel ao visual pertencente ao edifício à época de sua inauguração em 1937. “A prioridade da restauração é na parte exterior, a que dialoga com a cidade” diz Baúso.</p>
<p style="text-align: justify;">Além da restauração, o líder do projeto diz que serão feitas mudanças para garantir a acessibilidade aos deficientes, visto que, na época da construção, não existiam tais exigências.<br />
Na parte elétrica, Cláudio diz que não é um problema a ser resolvido. “As ligações elétricas e telefônicas aqui do prédio são bem precárias. Hoje em dia com as novas tecnologias, acabou se fazendo um amontoado de gambiarras. Se fôssemos mexer nessa parte, o preço do projeto dobraria”.</p>
<p style="text-align: justify;">Para se ter ideia, a fiação antiga do prédio (que não é mais usada), tinha a parte elétrica coberta por chumbo, para que não houvesse interferência eletromagnética nas ligações telefônicas. Um metro desse tipo de encape de chumbo pesa, no mínimo, 20 vezes mais que a metragem de fio dos sistemas atuais. “Mesmo assim não há problemas, o prédio foi projetado para suportar esse peso” lembra o arquiteto.<br />
Outra parte a ser renovada são os três elevadores (dois presentes na entrada da Álvares Cabral e um na entrada da São Sebastião). Cada um custará 60 mil. Além deles serão colocadas novas peças de mármore nas escadas que dão acesso ao primeiro andar na entrada da Álvares. Originalmente, cada peça tinha 3 cm de espessura. Com o tempo, e o desgaste causado pelo trânsito de pessoas ao longo de 75 anos, cada peça hoje tem no máximo 1 cm de espessura. O desgaste, segundo Cláudio Baúso, acontece pelo fato do mármore ser uma pedra porosa, que perde partes conforme o atrito.<br />
<strong><br />
Esquina da história</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sem choro nem vela e, muito menos jabá, a Única, na esquina da Álvares Cabral com a São Sebastião tornou-se,  ponto obrigatório para se discutir a história de Ribeirão Preto. Sem distinção de classes, o local tem uma “aura” de história. Recebe do mais alto executivo ao vendedor ambulante.</p>
<p style="text-align: justify;">Não há censura para assuntos. Do “Come-Fogo” ao “San-São”; do acidente de carro ao crime bárbaro que enxurrou os noticiários do país. Nas manhãs do local já se discutiram o Bandido da Luz Vermelha, o comício de Getúlio Vargas, o sequestro de Silvio Santos, os incêndios do Joelma e do Andraus. Além do respeito pelas pessoas que nunca é o mesmo de antigamente.</p>
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