Querido Monge, a Dilma ganhou as eleições… O que devemos esperar para os 4 anos seguintes? (Patrícia Alves, por email)

Mais do mesmo, querida Paty. Não importa se barbado ou de salto, o ocupante da cadeira de Presidente da República tem que lidar praticamente com os mesmos problemas de sempre. Nada de problemas novos, tampouco soluções mirabolantes. Nossos problemas nacionais clássicos – pobreza, desigualdade, corrupção etc. – possuem uma razão para existirem. E como tal, não podem ser resolvidos por um aventureiro qualquer que chegou à presidência.

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out 252010
A Cidade
Pai fere bebê com facada durante briga com a mulher

CI – Notícia boa não vende jornal.

Gazeta Ribeirão
Ribeirão desperdiça área para lazer igual a 800 campos de futebol

CI – Se fosse só esse o desperdício…

Folha de São Paulo
Após Ceará, três Estados planejam vigiar mídia

CI – Vigiar a mídia ou os midiáticos corruptos?

O Estado de São Paulo
Na reta final, PF ouve Erenice e jornalista

CI – Ouvir e melhor que falar.

O Globo
Serra sobe o tom; Dilma e Lula adotam o silêncio

CI – Oposição.

Correio Braziliense
Cinco dias de vale-tudo

CI – Ou PV.

Estado de Minas
Mineiros vão à Justiça para ter leito em CTI

CI – Mas lá estava tudo tão bom.

Jornal do Brasil
Inflação imobiliária em alta no Rio

CI – Recordar é viver.

Valor Econômico
Boom de serviços reforça as receitas de municípios

CI – Não para mais de crescer.

Zero Hora
Comissão apresenta novo desenho do governo Tarso

CI – Começar de novo.

CI – Comentário Inconfidente
set 092010

Monge, que tal discutir política? (Marina Silva, dilmaserra@uol.com.br)

Bom, minha querida Marina (que suponho ser homônima da candidata à presidência da República, pois não creio que a dita candidata usaria um login de email com o nome dos seus dois principais adversários), o Monge gosta de discutir política. Não o tempo todo, senão até fico parecendo o chato. Mas se rola uma brecha, o assunto vem à tona, poderia ficar no velho jogo de ouvir e falar por horas e horas.

Então tá, vamos falar de política. Eleições, para ser mais exato. A campanha presidencial este ano não está das mais inspiradas. Muita briga e pouca proposta, é o que mais se vê. E a grande mídia adora dar uma mãozinha nesse sentido. Bote os cães para se degladiarem, e o vencedor sairá fortalecido. E será o novo presidente. Claro, a mesma grande mídia tem o seu favorito, na qual aposta todas as suas fichas. Há também quem tenta correr por fora, mas com o rabo preso nos lugares de sempre. E é uma pena que os candidatos menores, que juntos mal atingem 1% de intenção de voto, tenha um espaço tão pequeno para expor suas propostas, ou para também entrar de cabeça na arena dos gladiadores. Assim, suas representações políticas continuam ínfimas, nanicas. Impressão minha, ou as cartas estã marcadas de antemão?

Falemos mais eleições, só que agora dos outros cargos. Governadores e senadores, deputados estaduais e federais. Em alguns, a mesma coisa de sempre. Parece que em alguns estados, alguns grupos estão muito mais arraigados no poder, e a população não dá sinais de querer tira-los dali tão cedo. Fora isso, aplica-se a mesma dinâmica das eleições presidenciais, só que em escala menor. Fora a bagunça partidária, as alianças regionais muitas vezes contraditórias, que fazem o eleitor se questionar quem favorece quem mesmo.

E claro, o circo de sempre. Esta ano contando com um palhaço, um time de futebol praticamente completo, sósias, cantores ex-adolescentes e frutas femininas, entre outras atrações. Muita gente dita “esclarecida” mostra-se revoltada com o espetáculo, mas se esquecem de que a democracia garante o direto deles estarem ali. Claro, com a ajuda de alguns partidos espertos, que querem angariar votos para sua legenda. Não concorda? Simples, não vote neles. E é bom começar a pensar que, se o povo prefere dar votos a um palhaço de televisão, a oferta de candidatos vai de mal a pior. Sem contar o chamado “voto de protesto”, que prefere eleger um ser bizarro qualquer a anular o próprio voto. Me lembro de um célebre político barbudo, de óculos grossos e discurso inflamado, que cresceu bastante com isso.

Sim, falemos mais de política. Melhor ainda, falemos de política quando não for época de eleições. Ah, mas todo mundo se esquece disso, não é? Inclusive o Monge. Ficamos viciados no período eleitoral, como se política só se fizesse de quatro em quatro anos. De resto, só ficamos vendo de longe, seguindo o ritmo ditado por aqueles que transmitem a informação na medida dos próprios interesses. Estes sim, fazem política todos os dias.

Por que os clássicos literários estão fora de moda? É só ver a baixa repercussão que teve a morte de José Saramago, o único escritor de língua portuguesa a ganhar um Nobel de Literatura, frente a outros fatos, como essa história bizarra do jogador do Flamengo que assassinou a amante… (Flávia Rossi)

Ora bolas, quem mais tem tempo de parar e ler um livro atualmente? Não são só os clássicos que estão fora de moda, toda a literatura foi-se embora do gosto popular já há algum tempo. O livro em si tornou-se uma mídia ultrapassada. Pouco prática, desconfortável. Todas aquelas letrinhas, as páginas todas iguais… Fora o peso de cada um, que absurdo! Para que vou carregar quatro livros na mochila, se no meu laptop eu posso ter baixado toda a coleção de Machado de Assis? Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba, todos estão ali, a um clique de distância. Agora, se eu vou lê-los todos, isso já é outra história.

Quanto a Saramago, sua morte foi bastante sentida entre a população lusitana. Na Copa mesmo, a seleção de Portugal prestou uma homenagem ao seu maior escritor contemporâneo. É, passou rapidinho no canal de esportes, entre as curiosidades estatísticas sobre as seleções de uniforme vermelho e uma alfinetada no Dunga. E no Brasil, todos os intelectuais de algum modo relacionados com a boa literatura também lamentaram a morte do escritor. Todos os dez.

Não há como negar a importância do escritor português na literatura mundial, fato. Ele entraria para a História se as populações futuras fossem chegadas à leitura dos clássicos, o que parece bastante improvável pelo andar da carruagem hoje. Particularmente nunca gostei de ler Saramago, o estilo corrido de sua prosa não me apetece muito. Prefiro a beleza das pausas e pontuações. Sem pressa. Um contexto de cada vez. Mas como o Monge nunca recebeu um prêmio Nobel…

Quanto ao caso do goleiro do Flamengo… Sem comentários. Não há santo no meio desse rolo todo,  apenas o bebê. É interessante observar, do ponto de vista sociológico, como uma série coisas erradas fatalmente culmina em algo muito mais grave. Mesmo assim, duvido que há quem goste de ter essa história empurrada goela abaixo por todos os veículos da grande mídia, principalmente na hora do jantar, com a família reunida e a TV ligada. Perto disso, até a literatura mais indigesta torna-se um prato saboroso.

Palavras Soltas

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