fev 102010
 

Cada vez mais vejo toneladas de sites engessando a interação com o leitor. Toda semana é um veículo de mídia estadunidense que fecha as portas para comentários. E pasmem: praticamente todas (senão todas) as iniciativas são legitimáveis. A bola da vez foi o democrático – e brasileiro – Observatório da Imprensa, que agora adotará um sistema mais rígido para os comentários. A ação por sinal foi feita com muito pesar, vide o nome do post (“O leitor canalha“).

A internet mostrou (e mostra cada vez mais) que quando é dado a liberdade à boa parte das pessoas, elas se comportam da mesma forma que um macaco selvagem se comportaria se dessem a ele um notebook. Aquilo nada mais é que um “brinquedo” sem valor que logo será quebrado sem motivo algum, mesmo porquê, o animal em seu ímpeto selvagem não sabe do que se trata, é irrelevante. É o mesmo caso das pessoas (boa parte) com a liberdade. Tratam ela como se fosse um souvenir.

Reclama-se tanto que os veículos da grande mídia são fechados ao público, mas quando se abrem, sua área de comentários vira uma área fértil para spam, racismo, xenofobia e todos os similares. Negligenciam qualquer valor libertário. É quase uma súplica cafajeste para que matem a liberdade.

É verdade que não se deve fechar uma estrada por existirem pessoas que dirigem alcoolizadas nela, mas cada vez que esse tipo de coisa acontece as regras ficam mais rígidas. Sofrem os poucos que sabem apreciar o mínimo de liberdade.

Para refletir: “… não é que o vulgo pense que é excepcional e não vulgar, mas sim que o vulgar proclama e impõe o direito da vulgaridade, ou a vulgaridade como um direito.”

José Ortega y Gasset – A Rebelião das Massas

Prática na Extensão

 Posted by at 7:26 pm  Crônicas, T.I.
jan 212010
 

(publicada originalmente na edição 4 – maio de 2009 – segunda quinzena)

Prática na extensão. Feliz o universitário que possui em sua faculdade, oferta de cursos de extensão. Ou melhor, que abrigue tal qual um  guarda chuva acadêmico provendo liberdade de ação. Destes projetos nascem as maiores empresas, as melhores idéias e os melhores produtos. De pino cirúrgico biodegradável à diamantes de álcool. Este último conquistado através de um laboratório de sucata na Unicamp pelo pesquisador Vitor Baranauskas.
Explorar o potencial de seus discentes talvez seja sempre o único investimento de retorno ao longo prazo garantido e perene. As instituições que sobreviveram décadas foram por tais práticas, de pesquisa e extensão. O mercado aberto na gestão passada e comedidamente na atual forçaram as faculdades a uma busca  por alunos a ponto de que analfabetos funcionais engordassem as estatísticas de jovens no ensino superior.
A OAB recomendou a não abertura de um sem número de cursos que o MEC autorizou sem grandes dificuldades. A resposta veio pelo Exame da Ordem. É vergonhoso ver  quase 3/4 dos alunos reprovados a cada exame. Mas não se dá cobertura devida ao fato.
As faculdades de jornalismo se formassem com um pouco mais de empenho, talvez os alunos se preocupassem menos com diploma. Haja vista que os publicitários não necessitam do mesmo para exercer a profissão. A criatividade é o limite e vence quem estiver melhor preparado. Cada vez mais a profissão se refina e seus profissionais se profissionalizam.
Francisco Ornellas, diretor do Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado do jornal “O Estado de São Paulo”, em palestra de abertura da Semana de Jornalismo – Banco Real falou sobre isso. Disse que nos Estados Unidos não existe essa cobrança e quase a totalidade de profissionais são diplomados. Estejam preparados.
P.N.O. – Com quantas matérias se faz um diploma?

Marcelo Dias