Recentemente, eu e uma colega de sala entrevistamos o cidadão Gilberto Caldeira, especialista em TI, criador do blogalizeja.com.br e por ventura webmaster daqui das bandas inconfidentes (ele criou este site).

Como você pode perceber, não há “jornalismo” na formação dele. Isso faz dele menos jornalista que eu, cursista do 4º ano de jornalismo ou algum jornalista diplomado? A resposta é não, absolutamente não. Sem medo de errar, falo por conta própria, que 90% dos estudantes que conheço não tem e dificilmente terá a capacidade de fazer algo no nível que Gilberto fez recentemente: a série internet lobo mau (clique para vê-la).

Afinal, a série internet lobo mau é o que deveria ser o jornalismo em geral: um meio alternativo de melhora e condução da sociedade, não uma fábrica de “você só vai saber sobre o que ‘eu’[veículo] quiser”.

É o que se tornou o jornalismo hoje em 99% dos casos: tudo o que é visto nas páginas (ou edições audiovisuais) de um jornal de médio ou grande porte existe pois algum interesse não-jornalístico maior provocou a ida de determinada matéria ao ar. Você realmente acredita que alguns casos de má gestão administrativa (e política), como o de Arruda por exemplo, chegaram a mim e a você por pura vontade jornalística? Essa é a última das possibilidades (dentre milhares).

A partir da segunda metade do século XX, o departamento comercial tornou-se regente do jornalismo. Notícia alguma vai ao ar em um médio ou grande veículo sem que haja a possibilidade de lucro financeiro. O lucro social e a credibilidade que se virem para pegar um pedacinho da fatia do reconhecimento*.

Mas a bronca do mortal que vos escreve não é com publicitários e marketeiros. Eles exercem a profissão deles. O que realmente irrita é o servilismo dos jornalistas. É fora de série como a maioria dos jornalistas são conformados com a prostituição em que a profissão se tornou. Pior ainda, há aqueles que defendem esse comportamento servil ao mundo comercial!

Ainda tenho que ouvir no mundo acadêmico, das mesmas bocas que condenam a queda da obrigatoriedade do diploma jornalístico, frases como “uma hora nós vamos ter de ceder ao comercial na nossa profissão”, “temos que ser flexíveis e políticos [referência à flexibilidade ética e moral]” e “para dar dois passos para frente, temos que dar um para trás”…

Alguém me explique: que diferença um maldito canudo vai fazer na vida desses cidadãos que já arreganham as pernas sem nem mesmo alguém ter pedido? Por que caras como Gilberto e muitos outros blogueiros por aí interessados na melhora da sociedade seriam menos importante que os jornalistas?

Façam-me o favor, senhores defensores do diploma!

*Assista ao filme Rede de Intrigas (1976). Representação melhor que essa do jornalismo ainda não foi feita no cinema. Amém.

fev 122010

Parecia implicância, esquizofrenia ou cabeça vazia mesmo. Toda vez que perguntam minha profissão e eu falo “jornalista”, as pessoas arregalam os olhos ou, se pelo telefone, mudam rapidamente para a defensiva.

Hoje (12/02) aconteceram três situações em um curto intervalo, que não puderam passar despercebidas. A primeira: fui a um determinado médico pela primeira vez, e como em todo lugar, tem de se preencher uma ficha com os dados pessoais para consultas futuras. Eram duas recepcionistas. Uma estava preenchendo a minha ficha, a outra estava no MSN (aquele sintomático efeito sonoro das mensagens denuncia). Cada uma distraída a seu modo. Eis que vem a pergunta mágica: “Qual sua profissão?”. Eu, despretensiosamente digo: “jornalista”. Bate o silêncio absoluto. A recepcionista para de olhar no MSN, a outra que estava me atendendo parou também. Foram uns três segundos de duas pessoas me olhando quase que como se eu tivesse cometido algum crime épico. Por aqueles três segundos me senti um comparsa dos irmãos Cravinhos e Suzana von Richthofen. Maldito olhar acusador.

Ainda no mesmo consultório, quando o médico foi me atender, estava lá ele em sua anamnese (aquele momento em que o médico colhe o depoimento do paciente para começar a formular um diagnóstico) me perguntando o que aconteceu e tudo mais. Ele estava muito centrado fazendo suas perguntas corriqueiras, anotando tudo, e de novo, a pergunta: “Você faz o que da vida?”. Acreditando que ainda era implicância minha, respondi: “jornalista”. Pronto. Fim da anamnese. De novo o olhar incriminador que dura alguns segundos. Ali achei que ia ser expulso do consultório, mas ele “apenas” mandou eu tirar a camisa.

A terceira (acabou por ser benéfica!): por telefone, uma vendedora de cartão de crédito, daquelas que não tem medo de abusar do gerundismo. Mesmo após afirmar categoricamente que não estava interessado, a dita cuja começou a listar as cinco principais vantagens do produto, e lá pelo meio da segunda… batata: “Qual sua profissão Senhor?”. Após dizer a profissão, aquele silêncio desconcertante e um “tudo bem senhor, caso se interessar ligue para 0800…blá blá blá. Muito obrigado, estaremos aguardando sua ligação…”

Nas próximas, tentarei dizer uma profissão menos assustadora. Assassino de aluguel, terrorista, desarmador de bombas, etc.

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Para recordar, a edição 03 do Inconfidência Ribeirão de maio de 2009 (quando ele era impresso). Seção ‘Esquizofrenia Classista’:

Muitos acham que o Inconfidência Ribeirão é bancado financeiramente por algum político ou empresário. No máximo por um “paistrocínio” moderado e pelos juros cândidos e generosos do sistema bancário brasileiro. No meio de uma conversa sobre o tal senso comum em torno do veículo, obtivemos a seguinte resposta:

“Ah! mas isso é assim. Jornalista hoje é tido como língua de aluguel, né?”.

E o diploma, como vai?

fev 122010

Quais os limites na disputa pelo poder? Eles existem?

O sentimento de estar no controle já levou a humanidade aos seus melhores dias. Conseguimos reverter parte da imposição da natureza e fazer com que o ambiente se adapte a nós. Fomos para o espaço, aumentamos a nossa expectativa de vida, dominamos viagens aéreas, criamos a democracia… Continue reading »

fev 012010

Sexta-feira cedo (29/01) acordo e logo recebo duas congratulações a respeito do “Dia do Jornalista”, uma delas inclusive era um email marketing todo produzido da Faculdade a qual estudo. Até aí tudo bem – apesar de ser extremamente contraditório, eu, cursista do 4º ano recebendo congratulações de uma Instituição de ensino, que como todas as outras, considera jornalista apenas o cidadão com o diploma que comprova seus quatro anos de estudo completos, mas não vem ao caso.

O importante são as datas. Por exemplo: o médico tem seu dia. As especialidades médicas também tem seus grifos no calendário (e são vários dias a se “comemorar”), mas de forma alguma se vê três “Dia do Médico”, seria um absurdo. Para o jornalismo não parece ser.

Entenda a confusão: O “Dia do Jornalista” se repete três vezes ao ano. Você não leu errado. Não é um dia do “jornalista econômico” e outro do “repórter de rua”, são três dias iguais só para o Jornalista!

O primeiro é 24 de janeiro, escolhido por também ser o dia de São Francisco de Sales (padroeiro da profissão).  O segundo dia vem muito tempo depois, dia 29 de janeiro, data da morte do escritor, farmacêutico e jornalista José Carlos do Patrocínio, morto em 1905. A terceira é o dia 07 de abril, data de fundação da ABI – Associação Brasileira de Imprensa, em 1908. Essa última é a mais “difundida” e aceita em publicações oficiais do governo e afins.

Uma profissão tão desorganizada como a nossa, que sequer aceita ser julgada (por achar que está acima da sociedade) precisa mesmo de três datas para encher seu ego. Parabéns, parabéns, parabéns!

Palavras Soltas

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