abr 212011
 

Uma questão que tristemente se repete…

 

(Publicado originalmente em 21 de fevereiro de 2010)

Monge, por que o ser humano briga tanto? (Tauhana Mariana, de Brasília-DF, por e-mail)

Às vezes penso, querida Tauhana, que a pergunta mais precisa seria: quando o ser humano conseguiu, ao longo de sua história, deixar de brigar? Porque parece que a violência para com nosso semelhante está nos genes, na natureza do homem. E não podemos simplesmente culpar o instinto de sobrevivência, fruto de nossa herança animal. Continue reading »

fev 222011
 

Querido Monge, já dizia a sabedoria popular: toda regra tem sua exceção. Se isto é uma regra, cadê a exceção? (Patrícia Alves)

Hehe, Paty e suas perguntas paradoxais. Não que o Monge esteja achando ruim, muito pelo contrário. Geralmente são as perguntas mais legais de se responder, mas isto também não é regra geral. Vejamos: toda regra tem uma exceção. Esta afirmativa em si é uma regra. Logo, deve possuir também uma exceção. E qual seria ela? Creio que algo do tipo “algumas regras, no entanto, não possuem exceção” caberia bem como exceção ao regulamento inicial. Mas se for assim, como saber qual regra possui exceção e qual não possui? Continue reading »

nov 112010
 

Por que é tão difícil para nós humanos aceitarmos o que foge ao nosso controle? Será que ninguém é dono do próprio destino? (Maíra Pádua, por email)

Minha querida, não há controle sobre os eventos que cercam o seu destino. Há apenas uma ilusão de controle, ocasionado pelo fato de que você pode selecionar os seus próprios atos. Mas a maioria das experiências que vivemos depende de diversos outros fatores além da sua própria participação. Continue reading »

ago 242010
 

Na sua opinião, o que uma pessoa deve fazer quando dá aquela pisada na bola? (“um leitor assíduo…”, anjinhaucb@gmail.com)

Bom, meu querido leitor (ou querida leitora, já que o endereço do email enviado é do gênero feminino), quando uma pessoa dá uma pisada na bola forte mesmo, daquelas que fazem qualquer casa cair, a única coisa que se pode fazer é levantar e seguir em frente. Ninguém está imune a cometer erros históricos, mesmo em situações em que tudo pode ir por água abaixo.

É comum acharmos que o mundo é injusto é cruel quando erramos feio em alguma coisa. Que a sociedade espera que todos sejam perfeitos e infalíveis, e isso se torna uma pressão insuportável sobre o pobre ser humano. Ledo engano. A civilização não parte do princípio de que ninguém pode errar jamais, pelo contrário. Ela tem seus dispositivos legais, penais e morais justamente para dar conta dos erros cometidos por seus integrantes. E vale lembrar, nem todo vacilo é necessariamente um crime.

A questão volta-se para a esfera individual: temos sérios problemas pessoais em admitirmos nossos erros. Todos nós. Porque sempre temos nossos motivos para cada ação que realizamos, sejam elas certas ou não. E por diversas vezes cometemos erros, mas a intenção era boa. E nos sentimos injustiçados quando o outro – seja um único indivíduo ou um grupo social – não compreende nossas razões, ou nossas falhas. Que muitas vezes a gente mesmo também não compreende muito bem, mas pelo menos entende mais de si mesmo do que qualquer outra pessoa, não?

Então é hora de encarar os próprios erros. Não falo só de assumir para si, embora seja uma etapa importante para não cair na autoflagelação mais tarde. Mas assumir o erro perante o outro, para o meio em que se vive. Compreender que toda ação tem suas consequências, e são exatamente com estas que se tem de lidar depois que a burrada já foi feita. Paciência e bola pra frente.