mar 232010
 

Quando você acredita que o mundo acabou, que nada mais tem volta, que a esperança se tornou uma lenda das histórias em quadrinhos, eis que sempre aparecem seres para nos dar aquele chacoalhão e falar: “ei, se liga aí que ainda tem coisa pra fazer!”

Emoção. É o sentimento que esse reles mortal, autor destas singelas linhas, sentiu ontem (22/03) ao ver o programa CQC da Band, na matéria sobre o aparelho de TV doado ao sistema educacional municipal de Barueri.

Emocionei-me como há muito não me emocionava. Foi uma matéria com que, em outros tempos, eu me empolgaria e daria risadas com as brincadeiras feitas por Danilo Gentili e Rafinha Bastos no quadro “Proteste Já”. Ficaria empolgado por ver uma OBRA jornalística de tamanha qualidade sendo veiculada para milhões de pessoas, mesmo porque nem a velhinha de Taubaté acredita mais naquelas contagens de audiência que apontam 50% dos televisores ligados na Rede Globo vendo comédia romântica de quinta categoria e nem 5% dos televisores ligados vendo o CQC simplesmente arrasar. É subestimar a inteligência de qualquer um, isso.

Porém, o sentimento ontem não foi (só) euforia, foi emoção. Daquelas que vem dos confins mais profundos do inconsciente, que reordena sua visão de mundo, que te arranca lágrimas dos olhos.

No meio de tanta ridicularidade no jornalismo, profissionais desiludidos com o futuro, rendidos ao departamento comercial, chegam lá sete “babacas” despretensiosos e mostram para esses mesmos profissionais “honoráveis”: “Olha aqui, ISSO é jornalismo! Dá pra fazer! Vejam e aprendam! É só vocês levantarem das suas confortáveis cadeiras e pararem de apreciar a caixa de email lotada de releases”.

Esses “babacas” são o nosso futuro. A Geração Y está aí. Ontem o CQC deu o recado final, algo como  um  ultimato darwinista de uma linha inscrito “adaptem-se ou serão eliminados”. A era dos porcos está por um fio. A foice degoladora dos lamacentos terá a palavra “ética” esculpida na lâmina. A coisa se inverteu: Nós não precisamos mais de vocês, são vocês agora que precisam de nós.

Adorei o rótulo “babaca” que foi dado a quem faz jornalismo DE VERDADE.  Sinto-me bem representado quando tais palavras saem da boca de quem saiu. É uma homenagem! Espero que o pessoal do CQC esteja lisonjeado também e se sintam cada vez mais na obrigação de serem mais “babacas” ainda.

E como diz meu “amigo-irmão”  Marcelo Dias: “Ah que saudade do futuro…”