jan 312010
 

Era uma vez um gato preto, desses aê que rondam os telhados, passam despercebidos. Uma vez o gato tentou conversar com a lua e esta, no seu silêncio, nada lhe dizia que não se parecesse com o comum soar da passagem tímida dos carros nas avenidas.

Era uma vez um gato preto (ou seriam duas vezes?), desses aê que nunca ouvem a lua, rondam os telhados e dão apenas atenção aos motores dos automóveis.

Era uma vez uma lua, que de tão sozinha já havia perdido as esperanças de que alguém lhe desse atenção, e de tão triste, chorava todas as noites lágrimas prateadas.

Era uma vez, duas vezes, uma lua, que de tanto chorar , tinha a visão embaçada, e por isso estava tão sozinha.

O gato preto (falta da repetição?) andava com um desejo, ele queria saber como seria ser um humano.

A lua, tão cheia de brilho, tão cega e opaca, queria contar ao mundo como era a visão lá de cima, quanta existência existia.

Um dia, ou melhor, uma noite, o gato avistou um alto telhado.

O homem acha que consegue explicar as noites sem estrelas.

(thedarktowerofabyss@hotmail.com)