jan 202010
 

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O dia 20 de janeiro é dia de São Sebastião, padroeiro da cidade de Ribeirão Preto, do Rio de Janeiro e de muitas outras. A data já era comemorada como feriado no município até 1967 e o resgate da tradição veio na forma de um projeto aprovado pela câmara dos vereadores em fevereiro de 2009. A tradição católica conta que Sebastião foi um soldado romano, membro da Guarda Pretoriana, a guarda oficial do Imperador de Roma. Foi julgado traidor e condenado à morte por ser considerado piedoso demais para com os inimigos eleitos do Império naquele período, os cristãos. Talvez porque ele mesmo fosse cristão, mas é difícil aferir até onde isso vem ao caso. O fato (ou a lenda) é que ele foi flechado, atirado ao rio, afogado, espancado, para daí só morrer ao ser perfurado por uma lança, que ninguém é de ferro. Santificado, é considerado o defensor da humanidade contra a fome, a peste e a guerra. Não é a toa que diversos municípios clamam pela sua proteção, mas parece que em algumas localidades o coitado não está dando conta. Que o digam os moradores das favelas cariocas, em constante miséria e guerra civil não-declarada. E seria mentira dizer que em Ribeirão Preto isso não ocorre, não é?

Então resgatamos a pergunta: por que decretar o feriado? Que fique claro, porém, que o Monge não pretende discutir o simbolismo e a importância dos feriados religiosos no maior país católico do mundo. Mas inserindo uma boa dose de pragmatismo, qual o efeito prático de se instituir um ponto facultativo em meados de janeiro? Párocos e devotos podem ter motivos para comemorar (literalmente), mas o cidadão comum, que labuta dia após dia e reza para todo santo que aparece (ou que apetece à causa), só compreende que aquele será mais um dia confuso.  Uns trabalham e outros ficam em casa, bancos não abrem e entopem as filas no dia seguinte, os cinemas cobram a entrada no valor de fim-de-semana (mais caro), e por final ele nem sabe o que comemorar ou porque descansar. Só sabe que este feriado lhes foi concedido (ou imposto) de cima, como um favor dos nossos políticos à cansada classe trabalhadora, que merece um dia a mais de descanso. Mesmo que queira trabalhar. Constata-se assim o que todo brasileiro já sabe: tudo pode ser motivo de festa, e  o país só começa a funcionar mesmo depois do Carnaval.