out 272010
 

Monge, o preceito bíblico “Se Deus é por nós, quem será contra nós” não gera uma briga eterna posto que a maioria das pessoas acreditam em Deus e se sentiriam abençoadas em suas convicções e princípios? (Marcelo Dias)

É uma citação capciosa. “Deus é a nosso favor”, ela diz, então quem ousaria colocar-se contra? É como uma auto-afirmação de fé, exaltando a importância da crença na palavra de Deus. A frase é atribuída a São Paulo, e está presente no livro Romanos, um dos primeiros do Novo Testamento. Ou seja, historicamente, o contexto da frase situa-se nos primórdios do Cristianismo, um período em que a Igreja Católica ainda não estava consolidada. Na necessidade de uma sentença impactante como essa, imagina-se o caos espiritual que reinava entre aqueles que desejavam seguir os ensinamentos do profeta-mártir de Jerusalém.

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Do lado de lá

 Posted by at 12:37 pm  Pergunte ao Monge
ago 102010
 

Monginho… depois de reler a sua matéria sobre o porquê das pessoas morrerem, eu me pergunto… ou melhor, pergunto a você, o que será que existe depois da morte? Nos resta virar pó ou ainda temos muito que acertar do outro lado? (Flavia Rossi)

Flavinha minha querida, sua pergunta é exatamente a chave do grande mistério da humanidade. Assim, você compreende porque o Monge não pode responde-la. Não existe uma resposta, pelo menos não neste mundo. Só a encontraremos quando não estivermos mais aqui, o que fatalmente acontecerá com todos nós.

Toda a nossa espiritualidade ao longo da História, toda a nossa compreensão do sobrenatural, tem o objetivo de oferecer algum entendimento desta questão. Um lampejo de compreensão, algo que ofereça conforto diante da inevitabilidade do mistério. Algumas doutrinas e crenças buscam trazer informações mais concretas sobre o outro lado, principalmente através da comunicação com aqueles que já efetuaram a passagem. Ou mesmo com outras entidades, não necessariamente espíritos que já estiveram fisicamente por aqui. Mas com o perdão e o respeito ao espiritismo, às religiões afro-brasileiras, médiuns, contatados etc., não há como considerar essa comunicação como completamente verdadeira.

O Monge não está afirmando que toda sorte de fenômeno desse tipo seja enganação ou charlatanismo. No entanto, quando um médium afirma receber o espírito de alguém que já se foi, estamos lidando com um evento sobrenatural, um fenômeno não previsto dentro da compreensão de realidade de uma determinada civilização. Eventos assim tendem a gerar mais dúvidas do que certezas. E surgem inúmeras explicações, apenas pelo fato de que nenhuma delas possui os meios de ser provada. Ou seja, do ponto de vista “sobrenatural”, “mágico”, “metafísico”, qualquer coisa pode estar acontecendo ali. Pode ser telepatia ou adivinhação, por exemplo. Ou pode ser mesmo uma incorporação genuína, mas se for o caso, ninguém considera a hipótese de que aquela entidade pode estar mentindo? Por que consideramos toda informação que vem do outro lado como concreta?

Respondo: por causa da fé, aquela pequena fagulha existente dentro de cada um de nós. Em alguns ela tem pouca intensidade, em outros ela é alimentada e torna-se uma labareda. E somos nós que escolhemos para onde a direcionamos. Seja cristianismo, espiritismo, doutrinas orientais etc. Pode até ser que orientemos a nossa fé para a ciência e o materialismo. São todos contextos que se propõem dar alguma explicação, algum conforto sobre as grandes questões da existência, sendo a morte a principal de todas elas. Achamos que, quando descobrirmos a verdade sobre o outro lado, poderemos compreender todo o resto do mistério, inclusive de porque estivemos aqui. Talvez apenas retornemos ao pó, à insignificância de não existir mais, e isso em si seria a resposta que buscamos. Ou talvez realmente exista uma razão maior para tudo, mas só descobriremos quando chegarmos ao fim do caminho de cá. Até lá, qualquer explicação dada sobre o que existe depois é puramente uma interpretação, baseada nos modelos humanos de justiça e harmonia. E se o outro lado funcionar de um modo tão mesquinho quanto o nosso, eu prefiro recolher-me à minha humilde inexistência.