Esquizofrenia da Copa

Posted by gabrielmonge at 10:14 am Sem categoria
jul 062010

Dois senhores na portaria do edifício Diederichsen:
- Riquelme… Não tinha um jogador com esse nome?
- Acho que sim, jogava na Argentina, não é?
- Bom, mas não importa. O importante é onde o celular está…

jul 012010

Monge quem você acha que vai dar amanhã: flor ou cana? (Holanda ou Brasil)? (Natália Amaral Antunes)

Oba, uma pergunta sobre a Copa! E uma das mais clássicas: palpite de resultado. Bem, o Monge gosta da imprevisibilidade que às vezes ocorre no futebol, especialmente na Copa do Mundo. Porém, como todo brasileiro, é claro que já tenho uma previsão: vai dar Brasil, mas no sufoco. Nem vou tecer considerações sobre os problemas da defesa e sobre a falta que o Elano vai fazer, mas acho que ainda assim a seleção brasileira consegue passar para as semifinais. E se por acaso der Holanda, nem vou me surpreender tanto assim. Não se pode subestimar um adversário de uniforme laranja, e isso nós aprendemos na marra em 1974.

De lá pra cá as seleções de ambos o países mudaram muito, mas a Holanda sempre será considerada uma seleção de nome, mesmo quando não bate tanta bola assim. A tradição do futebol é mais forte do que qualquer outra coisa. Isso explica o porquê de o Uruguai, por exemplo, ser considerado uma equipe forte em cada Copa no qual participa, embora pouco ouvimos falar do futebol uruguaio. Seus dois títulos mundiais, conquistados em 1930 e 1950, impõem respeito até hoje. Principalmente o segundo, trauma eterno da nossa seleção, que perdeu para o Uruguai na final em pleno Maracanã. E não há coleção de títulos ou simpatias que tire esse mau agouro. Somente a vitória na Copa de 2014, novamente em nossa casa, poderá nos redimir. Se a gente chegar até lá.

Porém, nesta Copa o Uruguai já está nas quartas, e irá enfrentar o Brasil na semifinal, se ambos passarem. Talvez venha aí o tricampeonato uruguaio, quem sabe? E não adianta chamar o Monge de agourento. Eu apenas gosto de pensar em outras possibilidades além do hexa, sonho vendido atualmente por toda a pátria de chuteiras.

Mas a Copa do Mundo é uma bela festa, não acha? É sempre legal acompanhar tantos times de nacionalidades distintas, tantas culturas diferentes, todos envolvidos, ligados pela mesma paixão em torno do futebol. Menos os Estados Unidos, lógico.

Em tempo: fantástico o modo como a pergunta foi feita. Nestas épocas de Copa, é comum nos esquecermos de que poesia existe em todos os lugares, não só em campo, e de que há outras vegetações além dos verdes gramados.

mar 052010

Monge, vale tudo durante a campanha eleitoral? (Will Parisi)

Vale de tudo, é lógico. Este ano de 2010, como já sabemos, será mais um ano de eleições para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. E também mais um ano da Copa do Mundo de Futebol, a sensação nacional, o maior motivo de orgulho do brasileiro perante o resto do planeta. Diante de um espetáculo tão grandioso e eloquente, o próprio cenário eleitoral precisa desde já disputar a atenção da população. Senão as eleições ficarão à míngua do imaginário popular, ofuscadas pelo brilho da camisa amarela nos verdes gramados da África do Sul.

Ah, mas creio que não era exatamente isso que minha colega quis perguntar. Afinal, uma eleição é uma disputa, e é difícil imaginar que alguém entre em tamanha contenda (embate, luta) sem a perspectiva de vencer. Mesmo assim há quem o faça, buscando apenas a visibilidade no cenário político do país, almejando maior força nas próximas eleições. Mas deixemos estes de lado por enquanto.

A primeira atitude de um candidato a qualquer cargo político é polir a sua imagem. Isto envolve desde plásticas e mudança de vestuário, a sessões de fonoaudiologia e lições de etiqueta. Afinal, ninguém quer aparecer feio, xucro e ignorante na hora de pedir o seu voto, mesmo aqueles que afirmam com orgulho advirem das classes mais populares. Esta “recauchutagem” do candidato às vezes envolve até mesmo uma mudança radical de comportamento, pelo menos da maneira como o veremos durante o horário eleitoral. Célebres políticos “linha dura” surgem falando manso e sorridentes. Aqueles mais chegados às festanças da comunidade irão aparecer mais discretamente, apenas “fazendo o social” nos eventos em que possam angariar votos. E todos que tiverem qualquer tipo de mancha negra em suas promissoras carreiras políticas usarão e abusarão de todo tipo de produto de limpeza possível. Sabonetes, desengordurantes, desinfetantes, detergentes e, é claro, muito óleo de peroba.

Mas é certo que, no campo de batalha dos pretensos representantes do povo, a maior e melhor arma é a desvalorização do adversário. Às vezes isto ocorre de maneira sutil, por exemplo expondo a inexperiência ou a ineficácia do outro em termos de administração pública e ocupação de cargos políticos. Mas em diversas ocasiões nos deparamos com candidatos que gostam de jogar baixo. Por exemplo hipotético, desencavando uma história da adolescência do adversário, quando este bateu no filho da vizinha. Ou que maltratava os cachorros de rua. Ou então que roubava moedas da caixinha da igreja. Quanto mais antiga e sórdida a história melhor, e mais difícil de ser provado o contrário.

Pois é, as eleições estão próximas. Antes ainda tem a Copa, mas sinceramente o Monge não se interessa muito. Os jogos políticos são muito mais divertidos, porque mesmo quando alguém dá um carrinho por trás dentro da área, são remotas as chances de rolar um cartão vermelho.

Palavras Soltas

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