dez 282010
 

Qual foi o fato mais marcante de 2010? (De uma enquete em qualquer portal de notícias)

Com o fim do ano chegando, é hora das famigeradas retrospectivas. Em ano de Copa do Mundo e eleições, então, assunto é o que no falta quando o ano chega ao fim. Dá até um certo saudosismo do que se passou, ou até um alívio com relação as coisas ruins que ficaram para trás. Continue reading »

jul 092010
 

Por que os clássicos literários estão fora de moda? É só ver a baixa repercussão que teve a morte de José Saramago, o único escritor de língua portuguesa a ganhar um Nobel de Literatura, frente a outros fatos, como essa história bizarra do jogador do Flamengo que assassinou a amante… (Flávia Rossi)

Ora bolas, quem mais tem tempo de parar e ler um livro atualmente? Não são só os clássicos que estão fora de moda, toda a literatura foi-se embora do gosto popular já há algum tempo. O livro em si tornou-se uma mídia ultrapassada. Pouco prática, desconfortável. Todas aquelas letrinhas, as páginas todas iguais… Fora o peso de cada um, que absurdo! Para que vou carregar quatro livros na mochila, se no meu laptop eu posso ter baixado toda a coleção de Machado de Assis? Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba, todos estão ali, a um clique de distância. Agora, se eu vou lê-los todos, isso já é outra história.

Quanto a Saramago, sua morte foi bastante sentida entre a população lusitana. Na Copa mesmo, a seleção de Portugal prestou uma homenagem ao seu maior escritor contemporâneo. É, passou rapidinho no canal de esportes, entre as curiosidades estatísticas sobre as seleções de uniforme vermelho e uma alfinetada no Dunga. E no Brasil, todos os intelectuais de algum modo relacionados com a boa literatura também lamentaram a morte do escritor. Todos os dez.

Não há como negar a importância do escritor português na literatura mundial, fato. Ele entraria para a História se as populações futuras fossem chegadas à leitura dos clássicos, o que parece bastante improvável pelo andar da carruagem hoje. Particularmente nunca gostei de ler Saramago, o estilo corrido de sua prosa não me apetece muito. Prefiro a beleza das pausas e pontuações. Sem pressa. Um contexto de cada vez. Mas como o Monge nunca recebeu um prêmio Nobel…

Quanto ao caso do goleiro do Flamengo… Sem comentários. Não há santo no meio desse rolo todo,  apenas o bebê. É interessante observar, do ponto de vista sociológico, como uma série coisas erradas fatalmente culmina em algo muito mais grave. Mesmo assim, duvido que há quem goste de ter essa história empurrada goela abaixo por todos os veículos da grande mídia, principalmente na hora do jantar, com a família reunida e a TV ligada. Perto disso, até a literatura mais indigesta torna-se um prato saboroso.