mar 102011
 

Ó, estimado leitor,

Que em toda sua vida a luz da sabedoria alcance seu caminho

Que as peripécias do destino não peguem-no de calças curtas

Sem saber o que fazer, o que dizer, como agir

Que em todos os percalços vindouros, fatalmente

Tenha sempre uma opção, uma saída Continue reading »

Do lado de lá

 Posted by at 12:37 pm  Pergunte ao Monge
ago 102010
 

Monginho… depois de reler a sua matéria sobre o porquê das pessoas morrerem, eu me pergunto… ou melhor, pergunto a você, o que será que existe depois da morte? Nos resta virar pó ou ainda temos muito que acertar do outro lado? (Flavia Rossi)

Flavinha minha querida, sua pergunta é exatamente a chave do grande mistério da humanidade. Assim, você compreende porque o Monge não pode responde-la. Não existe uma resposta, pelo menos não neste mundo. Só a encontraremos quando não estivermos mais aqui, o que fatalmente acontecerá com todos nós.

Toda a nossa espiritualidade ao longo da História, toda a nossa compreensão do sobrenatural, tem o objetivo de oferecer algum entendimento desta questão. Um lampejo de compreensão, algo que ofereça conforto diante da inevitabilidade do mistério. Algumas doutrinas e crenças buscam trazer informações mais concretas sobre o outro lado, principalmente através da comunicação com aqueles que já efetuaram a passagem. Ou mesmo com outras entidades, não necessariamente espíritos que já estiveram fisicamente por aqui. Mas com o perdão e o respeito ao espiritismo, às religiões afro-brasileiras, médiuns, contatados etc., não há como considerar essa comunicação como completamente verdadeira.

O Monge não está afirmando que toda sorte de fenômeno desse tipo seja enganação ou charlatanismo. No entanto, quando um médium afirma receber o espírito de alguém que já se foi, estamos lidando com um evento sobrenatural, um fenômeno não previsto dentro da compreensão de realidade de uma determinada civilização. Eventos assim tendem a gerar mais dúvidas do que certezas. E surgem inúmeras explicações, apenas pelo fato de que nenhuma delas possui os meios de ser provada. Ou seja, do ponto de vista “sobrenatural”, “mágico”, “metafísico”, qualquer coisa pode estar acontecendo ali. Pode ser telepatia ou adivinhação, por exemplo. Ou pode ser mesmo uma incorporação genuína, mas se for o caso, ninguém considera a hipótese de que aquela entidade pode estar mentindo? Por que consideramos toda informação que vem do outro lado como concreta?

Respondo: por causa da fé, aquela pequena fagulha existente dentro de cada um de nós. Em alguns ela tem pouca intensidade, em outros ela é alimentada e torna-se uma labareda. E somos nós que escolhemos para onde a direcionamos. Seja cristianismo, espiritismo, doutrinas orientais etc. Pode até ser que orientemos a nossa fé para a ciência e o materialismo. São todos contextos que se propõem dar alguma explicação, algum conforto sobre as grandes questões da existência, sendo a morte a principal de todas elas. Achamos que, quando descobrirmos a verdade sobre o outro lado, poderemos compreender todo o resto do mistério, inclusive de porque estivemos aqui. Talvez apenas retornemos ao pó, à insignificância de não existir mais, e isso em si seria a resposta que buscamos. Ou talvez realmente exista uma razão maior para tudo, mas só descobriremos quando chegarmos ao fim do caminho de cá. Até lá, qualquer explicação dada sobre o que existe depois é puramente uma interpretação, baseada nos modelos humanos de justiça e harmonia. E se o outro lado funcionar de um modo tão mesquinho quanto o nosso, eu prefiro recolher-me à minha humilde inexistência.

Cíclicos

 Posted by at 9:38 pm  Pergunte ao Monge
jul 062010
 

Se sabe tudo me diz, por que quem a gente ama tem que morrer? (Hélio “Zitto” Sbroion Rocha)

Meu querido Zitto, as pessoas tem que ir em algum momento. Faz parte do ciclo. Temos começo, meio e fim, como tudo na natureza e no universo. Reles mortais é o que somos. Frágeis. Suscetíveis. Nosso “rolê” acaba algum dia, muitas vezes de maneira brusca. E mesmo quando isto ocorre no fim natural do ciclo, quando o corpo já está fraco e a missão está cumprida, quem fica sempre terá a sensação de que foi algo abrupto. De que algo foi tirado de nós, e nunca mais irá voltar. De fato, as pessoas queridas nos deixam para não regressar. Saberemos delas somente quando trilharmos o mesmo caminho.

Vivemos questionando o mundo que nos cerca, na esperança de encontrarmos pistas para aquelas perguntas que nos angustiam: de onde viemos, qual a razão de estarmos aqui, para onde vamos depois. Curioso como em uma existência cercada de dúvidas, a única certeza é de que nossa vida irá encerrar-se algum dia. É como ter uma viagem marcada na qual você pode ser chamado para embarcar a qualquer momento, mesmo que demore anos e anos. Você sabe que ela irá ocorrer de qualquer forma, mas desconhece completamente a rota e o destino. Um efeito surpresa inescapável.

No entanto, todos que se vão deixam algo para trás. E isto não é necessariamente ruim. Pelo contrário, é nosso legado. Não é fácil compreendê-lo, pois ele está além do luto e da tristeza. Mas ele permanece vivo, ao redor e no interior daqueles que ficaram. Estes mesmos são parte deste legado, pois são constituídos de valores, dores e amores. Coisas que compartilhamos com as pessoas que realmente nos importam, inclusive com aquelas que estão por vir.