Você mora sozinha, ou sozinho, e quer sempre ter um queijo e presunto na geladeira praquele misto rápido no café da manhã ou à tarde, quando a fome bate. O problema é manter os frios sempre frescos na geladeira, pois mesmo comprando em pouca quantidade, as últimas fatias acabam invariavelmente agonizando nas prateleiras, não?
Então, a receita desta vez é justamente para quando você abrir a geladeira e encontrar aquelas fatias de presunto e de mussarela, ou aquele pedaço de queijo branco, todos implorando para serem usados antes que suas últimas horas de validade expirem. Também é ótima para aproveitar aquela caixinha de creme de leite usada na noite anterior e que está pela metade, ou algum restinho de requeijão no fundo do copo.
Essa receita é de uma amiga da minha mãe, e talvez você já tenha ouvido falar no nome dessa torta: Berenice. Só Deus sabe a razão desse nome (se alguém por aí conhecer a dita cuja, dona Berenice, provável criadora da receita, então por favor, mate a curiosidade desta que vos escreve!).
Agora entre na sua cozinha, faça uma “limpeza” na geladeira, e experimente esta receita. As quantidades foram adaptadas justamente para quem mora sozinho, e são suficientes para 2 porções generosas. Se você quiser uma torta maior, faça o seguinte: utilize 3 ovos e dobre todos os outros ingredientes.

Massa:

6 colheres (sopa) de farinha de trigo
½ xícara óleo
2 ovos
½ xícara leite
sal
½ colher (sopa) de fermento químico em pó


Recheio:

fatias de presunto
creme de leite / sal
fatias de mussarela

Bater todos os ingredientes da massa no liquidificador, deixando o fermento por último, para não bater demais. Despejar metade da massa em uma assadeira antiaderente, ou untada com óleo e farinha de trigo, e arrumar as fatias de presunto, cobrindo a massa. Por cima do presunto, coloque o creme de leite temperado com um pouquinho de sal, e por cima dele as fatias de mussarela. Cubra tudo com o restante da massa, e leve ao forno médio pré-aquecido (180° C), por 30-35 minutos, ou até dourar. O tempo de forno sempre depende do tamanho e formato da fôrma utilizada, então fique atento à cor da torta!

Para a massa você pode utilizar algum tempero pronto no lugar do sal, desses que são à base de cebola, salsa e alho, tanto os industrializados, como os caseiros. As massas das fotos foram feitas assim. Ou então você pode temperar com sal e parmesão ralado, que fica ótimo também.
Se você não tiver mussarela em casa, pode usar vários outros queijos. Procure o que está sobrando e invente um outro recheio, misturando queijos diferentes, por exemplo. Apenas atente para queijos que soltam muita água, como alguns queijos frescos. Se este for o caso, você pode ralar o pedaço a ser usado e espremê-lo levemente para retirar o excesso de água.
O importante sobre o recheio é que o creme de leite fique entre 2 camadas. Na receita clássica, usamos presunto embaixo e mussarela em cima. Mas você pode optar por usar somente queijos, ou somente presunto, quem sabe mortadela? Deve ficar uma delícia com aquele franguinho desfiado que sobrou do almoço de domingo…
Quanto ao creme de leite, ele pode ser substituído facilmente por requeijão de copo misturado com um pouco de leite (o suficiente para que fique com a consistência parecida com a do creme de leite), ou quem sabe um pouco de cream cheese ou requeijão de cortar dissolvido em um pouco de leite, também. Prove para ver se há necessidade de adicionar mais sal antes de colocar na massa, e adicione qualquer outro tempero a esse creme que você desejar.

Lembre-se sempre de não misturar muitos sabores marcantes, para que sua torta não vire um festival de gostos e aromas que podem não fazer muito sentido. Escolha aqueles que você acha que vão combinar, e vá em frente!
Quer ainda mais idéias? Então pense em camadas:

-presunto/requeijão com leite/queijo branco (ver foto)
-frango desfiado/creme de leite com curry/mussarela
-mortadela/requeijão com leite/mussarela
-peito de peru/creme de leite com folhas de manjericão/queijo branco
-provolone/requeijão com pedacinhos de tomate seco/mussarela
-frango desfiado/catupiry com leite/mussarela e orégano

Se você criar mais variações interessantes para o recheio, divida conosco. E bom apetite!

(publicada originalmente na edição 11 – setembro de 2009 – segunda quinzena)

Quando era pequena, torcia o nariz para certas coisas que apareciam nos pratos dos adultos. Laranja na feijoada, abacaxi na churrasqueira, banana no arroz e feijão, por exemplo, são coisas que eu simplesmente não entendia como podiam ser deliciadas com tantos hummms pelos mais velhos. Mas a gente cresce e vai perdendo algumas frescuras (outras ficam, não tem jeito…), e assim se abre uma porta, na verdade um enorme portal, para infinitas combinações nas quais nosso paladar pode se perder à vontade.
Vamos tratar deste assunto de vez em quando, o “doce no salgado”, pois assim quebramos a rotina da refeição. Lembrando destes sabores da infância, podemos nos arriscar um pouco mais, e para realmente surpreender o paladar (e não pesar no bolso), vale começar a se aventurar por esse mundo: já pensou em fazer um molhinho de jabuticaba para servir com aquela linguiça apimentada que você tem na geladeira, mas não sabia como fazer? Abrindo os horizontes, descobrimos que não é preciso comprar ingredientes caros para comer bem. Ingredientes de qualidade, destes sim não há como abrir mão. Mas aproveitar a sazonalidade dos alimentos e criar pratos diferentes é o que faz toda a diferença. Além dos preços estarem mais baixos, pois a oferta é grande, há também menos agrotóxicos, portanto são baratos e mais saudáveis.
Desta vez, não vamos nos aventurar tanto. Comecemos devagar, para ir acostumando os paladares mais tradicionais, e com o tempo vamos juntos explorar novos sabores.
As quantidades que sugiro abaixo são apenas isto: sugestões! O interessante é manter o equilíbrio entre os sabores: a carne bem temperadinha, o arroz (que suaviza o sabor da carne), e a banana (bem madurinha, para conferir o sabor adocicado ao prato). Portanto, veja o quanto sobrou do arroz de ontem na geladeira, e faça a receita da forma que você quiser e com os ingredientes que tiver disponíveis: tente linguiça no lugar da carne moída; parmesão no lugar da mozarela; ou simplesmente não gratine, e finalize a montagem com as bananas douradas na frigideira; tente arroz vegetariano, fazendo um arroz bem temperado com um refogado (por exemplo) de alho, cebola, azeitona verde e cenoura ralada, feito na manteiga e finalizado com cheiro-verde… Então, dê uma olhadinha na receita e vá inventar a sua!


Arroz com banana ao forno

2 colheres (sopa) óleo
1 colher (café) alho picado
1 xíc. carne moída
3 colheres (sopa) cebola picada
2 colheres (sopa) azeitona verde picada
2 colheres (sopa) salsinha
sal / pimenta-do-reino
3 xíc. arroz pronto
5 a 6 unidades de banana-nanica
2 colheres (sopa) manteiga
200g (aproximadamente) queijo mozarela para gratinar
manteiga p/ untar

Doure o alho no óleo, acrescente a carne moída e refogue até que ela esteja cozida. Junte a cebola e a azeitona verde, pingue água se necessário, e vá refogando até que a cebola fique macia. Acerte o sal e a pimenta, e misture a salsinha e o arroz branco (já pronto). Reserve.

Descasque as bananas e corte-as no sentido do comprimento em 3 fatias. Em uma frigideira (antiaderente, de preferência), derreta um pouco de manteiga e doure as fatias de bananas. Vá reservando em um prato ao lado até terminar tudo.

Unte um refratário com manteiga e coloque metade do arroz com carne moída, cubra com metade da banana dourada, e depois com metade do queijo. Repita as 3 camadas (arroz com carne, banana e queijo), e leve ao forno bem quente para gratinar.
Você pode fazer este arroz com antecedência e guardá-lo na geladeira coberto com papel alumínio. Aí, antes de servir, leve-o coberto ao forno baixo, para que ele esquente sem queimar, e depois retire o papel alumínio para gratinar o queijo.

(publicada originalmente na edição 10 – setembro de 2009 – primeira quinzena)

Pudim é coisa de vó. Pelo menos, na minha família. E aposto que dá pano pra manga discutir qual pudim da avó de quem é o mais gostoso, o mais tradicional. Mas acontece que não tem como ganhar essa discussão, justamente porque cada um tem uma preferência, um gosto que foi sendo formado ao longo da infância, durante almoços de família e encontros de final de semana.

Então, para fazer esta receita, a primeira coisa que fiz foi… ligar para minha avó. E ela me passou sua receita de pudim de… pom. Sim: pom. Porque, como boa descendente de italianos, ela não faz macarrão: faz macarrom. E ainda com aquele “r” tremido no céu da boca e com aquele biquinho que coloca um sorriso instantâneo na boca dos privilegiados que a conhecem. Aliás, quando contei para ela que um amigo havia sugerido começar a coluna falando sobre esse jeito gostoso que ela tem de falar, ela disse: “Ai, que cachorrom…”, e caiu na risada. “Corujices” à parte, vamos à receita.

Pudim de Pom da Vó Laura

3 ½ xícaras de pão amanhecido picado
1 ½ xícara de leite
2 ovos
4 colheres (sopa) de açúcar
canela em pó
4 colheres (sopa) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento em pó
2 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado

Misture o pão picado e o leite em uma tigela e deixe amolecer. Junte os ovos, o açúcar, a farinha de trigo e o parmesão, e misture bem. Tempere com a canela em pó, e coloque por último o fermento. Coloque a massa em uma fôrma untada com manteiga e enfarinhada, e leve para assar a 180°C por 30 a 35 minutos.

Partamos do princípio de que existem tantos tipos de pudim de pão e tantas variações da receita quantas famílias italianas nas quais as avós falam “pom”. Assim, você também pode se aventurar e mexer e remexer na receita a seu bel-prazer. Prove novos sabores, misturando à massa uvas passas, ameixa seca, maçã, banana, nozes, coco ralado, essência de baunilha, etc; ou substituindo parte do leite integral por leite de coco. Se preferir, ao invés de colocar canela na massa, faça uma mistura de açúcar e canela para peneirar por cima do pudim antes de servir. Ou faça os dois!
Abaixo estão mais 2 receitas que testei, baseadas na da Vó Laura.
E aí? Qual vai ser nesse final de semana?

Pudim de pão cremoso

Faça a receita exatamente como descrito acima (inclusive o modo de preparo), mudando apenas a quantidade de pão para 3 xícaras, e de leite para 3 xícaras também.
Com esta receita, você pode também fazer o seguinte: em uma fôrma untada com manteiga, coloque uma calda de açúcar (tipo calda para pudim), e arrume rodelas de banana sobre essa calda. Despeje a massa sobre essa calda, asse em forno à 180°C, e confira o resultado depois de desenformar.

Pudim de pão em calda

1 ½ xícara de pão picado
2 ½ xícaras de leite
3 ovos
3 colheres (sopa) de açúcar

Deixe o pão amolecer no leite por alguns minutos, junte os ovos e o açúcar, e coloque a massa em uma fôrma para pudim, já com a calda de açúcar no fundo. Asse em banho-maria e desenforme depois de frio.

Palavras Soltas

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