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(publicada originalmente na edição 10 – setembro de 2009 – primeira quinzena)

1936 - 2009

Assim o empresário Antônio era conhecido. Hoje o edifício que leva seu nome é a casa do Inconfidência Ribeirão. O principal símbolo de progresso da cidade carrega parte de sua história, que poucos contemporâneos conhecem.

Ribeirão já era conhecida pelo título de “Capital do Novo Oeste” no século XIX (por representar o progresso e a modernização, algo que relegou a Campinas a insígnia de “Capital do Velho Oeste”). Portanto, não seria o primeiro prédio multifuncional do interior do Brasil que causaria espanto em plena década de 1930. O espírito retribuidor de Antônio Diederichsen (que fez muita riqueza por aqui) tornou possível o pioneirismo da cidade em 22 de setembro de 1934. Eis que em 20 de dezembro de 1936, após dois anos e meio de obras, é inaugurado oficialmente o Edifício Antônio Diederichsen (nomeado de “Palacete Diederichsen” pelos que prestigiaram a inauguração), localizado à Rua Álvares Cabral, 469, logo adiante ao famoso Quarteirão Paulista.

Projetado pelos engenheiros e “architectos” Antonio Terreri e Paschoal de Vicenzo, o prédio possui até hoje em seu térreo, primeiro e segundo andares, salas destinadas ao comércio ou prestação de serviços. Diferente dos dias atuais, da inauguração até o final da década de 1970, boa parte das salas eram consultórios médicos e odontológicos devido ao status social que o local representava. Os andares três e quatro representam até hoje dormitórios de moradia fixa, o quinto e o sexto eram o conjunto que comportava o “Grand Hotel”, formando assim, o primeiro edifício multifuncional do interior do Brasil. Especificamente no quinto andar, de início funcionava o restaurante do hotel. Segundo relatos de frequentadores antigos do prédio, até circo já se fez no sexto andar.

Segundo o Arquiteto e Urbanista Cláudio Baúso, a arquitetura do edifício segue um visual Art déco (estilo arquitetônico onde as fachadas têm rigor geométrico e ritmo linear, com fortes elementos decorativos em materiais nobres), em seu exterior, o prédio possui uma porção de dolomita moída adicionada ao cimento da parede, para assim brilhar com a luz radiante do sol que pouco se ausenta em Ribeirão Preto.

Junto com o “Palace Hotel” (aquele ao lado do Theatro Pedro II, na esquina com a Rua Duque de Caxias), o “Grande Hotel” era dos mais cobiçados e prestigiados hotéis da cidade nos dois primeiros terços do século XX. Dentre vários nomes importantes, o “Grande” já abrigou figuras como Adhemar de Barros (ex-governador de São Paulo) e Getúlio Vargas.

Antônio Diederichsen, como um de seus últimos gestos que confirmaram um espírito cívico ímpar, deixou a direção do prédio nas mãos da Santa Casa de Misericórdia de Ribeirão Preto, que até hoje mantém a governança do local.

Da janela do Dr. Gabarra

Sala 230. Sessenta e três anos de história para contar. Darcy Gabarra, 86 anos, cirurgião dentista especialista em prótese, viu da janela de seu consultório a história de Ribeirão Preto ser moldada. Desde os tempos de faculdade na década de 1940, quando cursou odontologia na Faculdade de Farmácia e Odontologia de Ribeirão Preto e tinha cinco irmãos dentistas trabalhando no Diederichsen (cada um com uma sala própria), o Dr. Gabarra já os ajudava na montagem das próteses (área em que mais tarde ele seria uma referência acadêmica e profissional).

Da janela da sala 230 (que viria a se tornar dele pouco tempo depois), Gabarra relata: “Na época em que comecei aqui [1947], era um sossego só. Como eram só médicos e dentistas, o silêncio imperava. Praticamente não existiam carros e esse mundo de pessoas lá fora. Não havia toda essa gritaria, helicópteros, buzinas, anúncios falados em megafones, etc.”

O que consideramos o avanço da civilização, de fato não fez bem a esse sênior da odontologia. Hoje, onde há somente paredes e concretos, já foi uma vista bem mais a aprazível. “Aqui podia se ver a Vila Tibério inteira. Dava pra ver até lá na USP. Podia ficar vários minutos apreciando a paisagem. Hoje se você olhar aqui só verá os luminosos das lojas e janelas de prédios do outro lado da rua. É o mais longe que se vê”.

Daqui ninguém sai

Danilo Santana Reis, oito anos de Diederichsen. Veio de Salvador, Bahia direto para seu apartamento. Desde então faz a vida aqui na cidade. Diz que não pretende sair tão cedo do prédio, diz que pretende morar e trabalhar lá “até quando Deus permitir”. Trabalha como porteiro desde que chegou. Complementa a vida com serviços de eletricista. Como diria o velho jargão de rodeio, “não leva a vida que ama, mas ama a vida que leva”.
Ele tem motivos. Apesar de localizado no centro territorial e comercial da cidade, o interior do edifício é muito sossegado. “Aqui nunca se ouviu falar de roubo, briga ou qualquer coisa de ruim. É um lugar tão bom que quem chega para morar aqui não quer sair”.

Bruno Gallucci – filho de Giuliano Gallucci (fundador do “Grande Hotel”) – morou no prédio com seu pai de 1937 até 1953. Daquela época, Bruno só guarda boas lembranças. Veio da Itália com seus pais, aonde nasceu, após breve volta de seu pai à terra natal depois da vida feita.
Apesar de italiano, seu pai tinha um amor pela nossa pátria varonil que poucos tem. Foi a pátria que o acolheu no final do século XIX. Veio para cá sozinho e esta pátria o ajudou a crescer e se tornar um dos maiores empreendedores do ramo hoteleiro do Brasil na primeira metade do século XX.

Bruno guarda relíquias. Jóias inestimáveis. Uma delas é a série de cardápios do restaurante do hotel que seu pai formulou na década de 1930. Nas capas, fotos das belezas naturais do Brasil. Relíquias pouco apreciadas nos dias de hoje.
Bruno seguiu a vida de bancário e empresário no ramo de produção de eventos junto de seu filho Élio. Os dois foram os produtores da estrutura de som utilizada na “Diretas Já” carioca e paulista (aquela que parte da mídia noticiou como “Festa de aniversário da cidade São Paulo”).

Esse edifício tem história…

Infraestrutura e restauração

Desgaste histórico

Declarado “Bem Cultural” em 01 de setembro de 2005 no Diário Oficial do Estado de São Paulo, o Edifício Diederichsen passa agora por um estudo liderado pelo arquiteto e urbanista especializado em patrimÿnios históricos Cláudio Baúso.

O estudo tem como objetivo realizar a restauração do prédio e, na medida do possível, torná-lo mais fiel ao visual pertencente ao edifício à época de sua inauguração em 1937. “A prioridade da restauração é na parte exterior, a que dialoga com a cidade” diz Baúso.

Além da restauração, o líder do projeto diz que serão feitas mudanças para garantir a acessibilidade aos deficientes, visto que, na época da construção, não existiam tais exigências.
Na parte elétrica, Cláudio diz que não é um problema a ser resolvido. “As ligações elétricas e telefônicas aqui do prédio são bem precárias. Hoje em dia com as novas tecnologias, acabou se fazendo um amontoado de gambiarras. Se fôssemos mexer nessa parte, o preço do projeto dobraria”.

Para se ter ideia, a fiação antiga do prédio (que não é mais usada), tinha a parte elétrica coberta por chumbo, para que não houvesse interferência eletromagnética nas ligações telefônicas. Um metro desse tipo de encape de chumbo pesa, no mínimo, 20 vezes mais que a metragem de fio dos sistemas atuais. “Mesmo assim não há problemas, o prédio foi projetado para suportar esse peso” lembra o arquiteto.
Outra parte a ser renovada são os três elevadores (dois presentes na entrada da Álvares Cabral e um na entrada da São Sebastião). Cada um custará 60 mil. Além deles serão colocadas novas peças de mármore nas escadas que dão acesso ao primeiro andar na entrada da Álvares. Originalmente, cada peça tinha 3 cm de espessura. Com o tempo, e o desgaste causado pelo trânsito de pessoas ao longo de 75 anos, cada peça hoje tem no máximo 1 cm de espessura. O desgaste, segundo Cláudio Baúso, acontece pelo fato do mármore ser uma pedra porosa, que perde partes conforme o atrito.

Esquina da história

Sem choro nem vela e, muito menos jabá, a Única, na esquina da Álvares Cabral com a São Sebastião tornou-se,  ponto obrigatório para se discutir a história de Ribeirão Preto. Sem distinção de classes, o local tem uma “aura” de história. Recebe do mais alto executivo ao vendedor ambulante.

Não há censura para assuntos. Do “Come-Fogo” ao “San-São”; do acidente de carro ao crime bárbaro que enxurrou os noticiários do país. Nas manhãs do local já se discutiram o Bandido da Luz Vermelha, o comício de Getúlio Vargas, o sequestro de Silvio Santos, os incêndios do Joelma e do Andraus. Além do respeito pelas pessoas que nunca é o mesmo de antigamente.

Segundo notícia do site da BBC, os deputados franceses publicaram um relatório sugerindo a proibição do uso de véus e trajes típicos das mulheres muçulmanas em lugares públicos.

Famosas pelos nomes de burca e niqab, essas vestimentas não são apenas estética. Na crença muçulmana ela serve para tapar as partes “awrah” (aquelas que não devem ser mostradas em público) do corpo dos fiéis. É humilhante para certas correntes do Islã não seguirem tal rito.

Independente de concordarmos ou não com os ritos de outras religiões e crenças, devemos no mínimo, respeitar as tradições alheias. Já dizia o velho ditado: “A sua liberdade acaba onde começa a minha”.

É de uma sovinice sem fim querer dar força de lei às nossas aspirações individuais (apesar disso ser prática corriqueira no mundo ocidental). É o sintoma máximo do que o escritor espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955) definiu como “Rebelião das massas”, onde basicamente a “maioria” atropela as “minorias”, impõe seus gostos e suas visões como lei pétrea. Ironicamente – ou não – ele moldou essa teoria enquanto vivia na França.

Como também disse Ortega y Gasset em seu livro “A Rebelião das Massas”, essa maioria passou a fazer tudo que dá na telha, ignorando qualquer consequência que a minoria tenha de arcar. Colocaram suas casas para a sociedade na mesma proporção que seus países se colocaram perante o conjunto de nações: “Faço o que quiser na minha casa, os incomodados que se mudem”. A isso deram o nome de “nacionalismo”.

O problema dessa lei, caso for (por um infortúnio do destino) aprovada, é o precedente que será aberto para o massacre de qualquer valorização e respeito às minorias que restam na sociedade.

Crédito da foto usada no destaque do site: Mohamad Affan

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(publicada originalmente na edição 8 – julho de 2009 – segunda quinzena)

Minha terra tem palmeiras...

Mais que monumentos ou manifestações artísticas, os patrimônios históricos representam a memória coletiva da sociedade e sua ligação com o passado. A palavra “patrimônio” vem dos vocábulos pater (do latim, que significa chefe de família, ou antepassado, em um sentido mais amplo) e nomos (do grego, é um vocábulo que se refere às leis, usos e costumes relacionados à origem, tanto de uma família quanto de uma cidade), ou seja, a palavra remete ao legado dos nossos antepassados.
Apesar disso, nem tudo que vem do passado é considerado patrimônio. O principal critério para a escolha do tombamento é a relevância cultural do bem independente de sua natureza.
Segundo Cláudia Morrone, presidente do CONPPAC (Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural do Município de Ribeirão Preto), “um patrimônio histórico não necessariamente precisa ser uma edificação, pode ser até uma fotografia, uma música, desde que represente um legado cultural”.
Para ilustrar a afirmação, a presidente do conselho enfatiza que “uma das discussões atuais [do conselho] sobre o tombamento gira em torno da cultura dos negros e escravos do Brasil colonial, que deixaram um legado imaterial, pois não tinham dinheiro como os seus senhores para edificar e registrar suas crenças, portanto, o que ficou foram apenas memórias”.

Memória, dita no dicionário Aurélio como “faculdade de reter as ideias, impressões e conhecimentos adquiridos”, teve sua personificação muito bem representada na cultura grega por Mnemósine, a deusa da Memória.
Segundo o poeta Hesíodo (o mais antigo poeta grego que se tem alguma certeza de sua existência), em sua obra Teogonia (literalmente “nascimento dos deuses”) relata que a deidade da reminiscência era onisciente: sabe “tudo aquilo que foi, tudo aquilo que é e tudo aquilo que será”. A metáfora do poeta ilustra que memória é algo atemporal e coletivo (de todos), assim como a cultura, que por sua vez dispensou qualquer rótulo de manifestação (física, musical, etc.) para ser considerada patrimônio histórico. Basta sua relevância.

Patrimônio Imaterial

Após críticas por apenas valorizar patrimônios edificados (como aqueles dos senhores do engenho e coronéis), em 04 de Agosto do ano 2000 foi aprovado o Decreto Federal nº 3.551, instituindo o “Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial que constituem o patrimônio cultural brasileiro”, ou seja, algo mais específico para lidar com os bens culturais imateriais, que desde as argumentações do poeta Mário de Andrade na década de 1930, vem pedindo atenção, mesmo que já houvesse uma legislação que possibilitasse tais ações sobre bens imateriais.
O registro desses bens é dividido em quatro categorias:
- Dos Saberes, onde serão inscritos conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades;
- Das Celebrações, onde serão inscritos rituais e festas que marcam a vivência coletiva do trabalho, da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas da vida social;
- Das Formas de Expressão, onde serão inscritas manifestações literárias, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas;
- Dos Lugares, onde serão inscritos mercados, feiras, santuários, praças e demais espaços onde se concentram e reproduzem práticas culturais coletivas.

Preservação local

Em Ribeirão Preto, a regularização veio ano passado, quando a Câmara Municipal aprovou a Lei n.º 11.586 do dia 24 de março de 2008, que assim como a Federal, deu maior especificidade à questão dos bens culturais imateriais do Município. Além da regularização, a Lei delegou ao CONPPAC (Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural do Município de Ribeirão Preto)a tarefa de cuidar dos projetos dessa natureza.

“A guarda dos patrimônios públicos depende das denúncias dos moradores”

Criado em 1996 pela Lei 7521, o CONPPAC/RP  é “um órgão colegiado (os participantes têm iguais poderes) encarregado de representar a comunidade e assessorar o Poder Público Municipal em assuntos referentes a preservação do patrimônio cultural do município de Ribeirão Preto”.
Formado como um dos braços da Secretaria da Cultura, o Conselho conta atualmente com 27 órgãos e entidades – doze a mais que em sua fundação. Esses integrantes (Ordem dos Advogados do Brasil – Ribeirão Preto, Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto e a Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto para citar alguns) são os responsáveis pela indicação dos membros integrantes do Conselho, que por sua vez atuam em caráter secundário. Em outras palavras, um integrante do CONPPAC não precisa abandonar seu trabalho para ser parte do Conselho.
O fato dos integrantes do CONPPAC não poderem se dedicar integralmente às tarefas, faz com que a população seja a principal aliada.
“Qualquer morador hoje pode protocolar um pedido de tombamento na Prefeitura, e assim que possível, faremos a avaliação do local com técnicos especializados que também fazem parte do conselho” conclui Cláudia Morrone.

História cruzada.

Os Revolucionistas e as Imperiais

Dentre os principais patrimônios de Ribeirão Preto está a Avenida Nove de Julho. Fundada em 1922 sob o nome de ‘Independência’, ela passou a se chamar ‘Nove de Julho’ a partir de 1937 em homenagem à Revolução Constitucionalista de 1932 (o maior movimento cívico da história do Estado de São Paulo).
Ironia do destino ou não, a avenida comporta um fato inusitado como ressalta o historiador Alexandre Sumele: “A Rua Comandante Marcondes Salgado, referente ao Chefe da Força Pública Paulista que foi um dos principais personagens da Revolução Constitucionalista de 1932, é paralela á Avenida Presidente Vargas, ou seja, são duas ruas próximas que jamais se cruzam. O único ponto em comum com os dois endereços e os dois rivais é a Nove de Julho (a data e a avenida)”.
Em 15 de julho de 2008, a avenida foi definitivamente tombada. Tornou-se patrimônio de Ribeirão Preto. E como todo patrimônio público tombado, o local deveria permanecer intocado, ou caso necessitasse, a reconstituição deveria ser fiel à original. Não foi o que aconteceu. Como mostrado na capa do Número Quatro deste jornal, taparam um buraco na avenida – feita de basalto – com asfalto, que como dito naquela edição, fica mais caro do que se feito com os paralelepípedos.
Importante local da cidade, a Avenida Jerônimo Gonçalves, que margeia o ribeirão que dá nome à nossa cidade, é outro importante patrimônio histórico que não precisa de decretos oficiais ou leis para ser considerado como tal. A dita oficialização não vem devido às discussões políticas acerca de vários problemas, dentre eles, a já famosa saga das palmeiras imperiais, que em alguns casos estão na sua sobrevida, enquanto outras estão condenadas por cupins.
Outro problema são as enchentes, que obrigam a Prefeitura a discutir padrões de segurança, que em tese, obrigariam a modificação da paisagem arquitetônica do local para evitar que a avenida encha a cada chuva. Daí o fato de não ter um decreto que tombe o lugar. A mudança visual do local, mesmo que por padrões de segurança e saneamento, seria uma desobediência legal.
Se depender das leis e discussões, a data de um Decreto Oficial de tombamento torna-se imprevisível. Em consulta ao Arquivo Público de Ribeirão Preto, constatou-se que o problema é de longa data. O primeiro (dentre vários) registro oficial data de 7 de janeiro de 1896, quando o Major Dr. Joaquim Estanislau da Silva Gusmão, propôs o “saneamento dos córregos, rasgando, retificando e alargando os leitos, aterramento das margens e saneamento dos extensos pântanos que circundam a cidade por meio de valetas e drenos que encaminham para os referidos córregos as águas estagnadas”.

Palavras Soltas

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