ago 192010
 

A velocidade de rotação da Lua é a mesma da rotação da Terra? (Luís Paulo Bertocco)

Interessante, uma pergunta sobre astronomia. Mais interessante ainda é receber uma pergunta daquelas que se pode procurar no Google pela resposta. Os leitores devem gostar mesmo dos comentários do Monge!

Então vamos lá. O primeiro passo é buscar a informação na internet (sim, porque não faço a mínima ideia). A Wikipédia diz que o tempo de rotação da Lua é de 27 dias, 7 horas e 43 minutos. Ou seja, é bem mais lenta do que a rotação da Terra, cujo período completo é de 23 horas, 56 minutos e 4,09 segundos. Curioso é que a rotação da Lua possui o mesmo período que sua translação. Isso explica o porquê dela exibir sempre a mesma face para nós que a observamos daqui: conforme a Lua gira ao redor da Terra, ela vai realizando uma volta sobre si mesma na mesma proporção, como se estivesse nos observando de volta, o tempo todo. O famoso “lado escuro” da Lua, porém, é iluminado pelo Sol quando ela está em sua fase Nova.

A Lua deve ser um lugar bem interessante. Embora não seja o maior satélite natural do nosso sistema (Ganimedes, uma lua de Júpiter, ocupa este posto de honra), ela é proporcionalmente a maior, com relação ao tamanho do planeta em que orbita. Nossa Terra é um planeta de dimensões modestas perto dos gigantes do Sistema Solar, mas a nossa Lua é bem grandinha. Tão grande que influencia diversos fenômenos naturais por aqui, como as marés, o ciclo de vida de vários seres vivos, o crescimento das plantas (e do cabelo, segundo alguns)… Até mesmo nossos humores, dizem, são afetados pelo ciclo lunar. E convenhamos, não dá para imaginar o céu noturno sem a presença dela. Os poetas e namorados não teriam a quem recorrer nos momentos de amor e inspiração.

jun 212010
 

Qual é a opinião do Monge sobre 2012?Quais as teorias prováveis do que aconteça(ou do que NÃO aconteça)? (Augusto Plastino Duarte)

Pois é, 2012 é mais uma das teorias apocalípticas espalhadas pela civilização ocidental. Graças em parte ao filme homônimo, com certeza, mas o assunto já é discutido há muito tempo. Principalmente na internet, é claro. A rede é ótima para a disseminação de informações mirabolantes, tais como a data precisa para o final dos tempos, receita de bomba caseira com uma caneta e guaraná em pó e o último capítulo da novela.

Mas afinal, que barulho todo é esse em torno de 2012? Para quem não assistiu ao filme (na verdade o Monge também não assistiu, mas conhece essa história há um bom tempo), tudo começa com o Calendário Maia. Os maias foram um dos povos mais curiosos do continente americano. Moravam no meio da selva, em plena América Central, não conheciam o arado nem as ferramentas de metal, e mesmo assim construíram monumentos de pedra impressionantes. Aos poucos, os estudos arqueológicos foram descobrindo que aqueles desenhos diversificados, entalhados em pedra em disposições padronizadas, eram marcações de calendário! Toda a temática decorativa dos maias era sobre marcação de datas, eles passavam anos fazendo isso. E o calendário deles é um dos mais precisos do mundo, o que é ainda mais surpreendente por ser um fruto avançadíssimo, astronomicamente falando, de uma cultura que era bem atrasada em diversos outros aspectos. Vários fenômenos astronômicos contemporâneos – passagem de cometas, eclipses solares etc. – foram previstos com exatidão pelos maias. Não há como negar a perícia deles nesta área.

Porém, a maior peculiaridade do Calendário Maia reside no fato de que ele possui um fim, um último dia, que no nosso Calendário Gregoriano corresponde a 21 de dezembro de 2012. Do que aprendemos sobre os maias até hoje, não é possível afirmar com certeza o que eles disseram que acontecerá neste dia. Mas há de se considerar que sobrou muito pouco da cultura deles depois da investida espanhola, então é bem possível que isto seja um conhecimento que se perdeu. Mas voltando ao fim do mundo (ou da civilização como a conhecemos), o fato é que os maias pensavam o tempo de forma cíclica. Ou seja, depois da data final, o calendário recomeça do zero. “Então tudo bem, isso não significa que o mundo vai acabar, não é Monge?” É aí, pequeno sobrevivente, que começa o problema. Afinal, por que os maias escolheram justamente esta data para marcar o fim de uma era?

A ciência nega veementemente a possibilidade de uma catástrofe global em 2012, mas fornece diversas informações que fomentam ainda mais as teorias sobre o que pode acontecer. Uma delas é que nesta época o Sol vai entrar em uma fase de grande atividade em sua superfície, aumentando a intensidade dos “ventos solares” (partículas magneticamente carregadas que viajam do Sol à Terra e aos outros planetas, por assim dizer). Este fenômeno não é exatamente raro, acontecendo mais ou menos a cada 10, 11 anos. No entanto, diz-se também que na fatídica data ocorrerá um alinhamento do sistema solar com o centro da galáxia, o que diminui a intensidade do campo magnético dos corpos celestes do sistema solar. O que se especula que pode acontecer (e pelo que entendi, é a explicação dada no filme 2012) é que as cargas magnéticas dos ventos solares irão influenciar o núcleo magnético do planeta, que estará menos protegido. Daí para uma possível inversão dos pólos, ou mesmo uma “tremidinha” e reacomodação do núcleo, é um pulo. E depois do núcleo balançar, é a vez das placas tectônicas e, claro, dos oceanos. Não dá para chacoalhar um planeta e querer que toda a água da superfície fique ali quietinha.

Já dá pra imaginar o quadro, não é? Terremotos, erupções vulcânicas, maremotos, o norte virando o sul e vice-versa. Pânico generalizado, mortes, caos total. O que faz pensar que, se algo do gênero já aconteceu antes, muito pouco sobrou para contar a história, literalmente. Talvez o dilúvio bíblico (que também é mencionado na tradição de diversas culturas diferentes ao redor do mundo) tenha algo a ver com isso, mas tem muita cara de ser a “história oficial”, contada de forma a minimizar o que realmente aconteceu.

Outras teorias falam sobre um asteróide em rota de colisão com a Terra, ou sobre um “planeta misterioso” do sistema solar cuja órbita o colocaria perigosamente próximo do nosso planeta em 2012. Há também quem acredite que nesta época ocorrerá o Juízo Final, a batalha derradeira entre as forças do Bem e do Mal. Ou mesmo que visitantes extraterrestres virão para dar cabo da humanidade antes que a gente destrua o planeta inteiro, salvando-se apenas alguns poucos escolhidos por eles. A verdade é que nós gostamos de imaginar a nossa própria destruição, às vezes é um sentimento até confortante perante as bizarrices da humanidade. Mas nunca teremos certeza, até que chegue o dia. Na dúvida, nas férias de dezembro de 2012 o Monge estará bem seguro, no meio do Planalto Central. E torcendo para que as ondas gigantes não cheguem até lá.