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Existencialismo no deserto

Por: Leonildo Trombela Junior em fevereiro 9, 2010 4 comentários

Lá estava Khaled em um ônibus viajando de Marrakech para Rabat quando uma turista loira gritou “Socorram-me subi no onibus em Marrocos”. Isso foi o gatilho que Khaled, filho de Hassan precisava para refletir sobre a miserabilidade da sua vida.

Vendo aquele mar de grãos de areia, o representante comercial de carnes exóticas (do tipo kebab) pensou até onde iria a subjetividade da existência da areia. Aquilo era areia ou uma população densa de pequeninos grãos que um dia foram gigantes rochas?

Khaled pensou o quão grande ele já foi. Já fora igual a rocha vulcânica que dominou o mundo bilhões de anos atrás, mas chorou quando percebeu o ponto que chegou: ouvir turistas loiras cinquentonas e gordas gritando palíndromos* (para quem não entendeu, leia “Socorram-me subi no onibus em Marrocos” da direita para a esquerda).

Eis que o sentido da vida nunca foi mais claro: o Universo nada mais é que um palíndromo. “A droga da gorda” (leia isso no sentido contrário também) acabara por ser todo o sentido da existência. Do pó viemos, para o pó voltaremos. Eis então, que Khaled enconstou a cabeça no banco do ônibus, começou a cochilar e sonhou com o excesso de palavras no cinema mudo…

*Palindromo: diz-se de palavra, frase ou verso que podem ser lidos da esquerda para a direita ou vice-versa, sem modificação de significado ou sentido

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4 Respostas para “Existencialismo no deserto”

  1. Marcelo Dias escreveu em: 9 fevereiro 2010 at 4:28 am

    Épico.

  2. Alessandra escreveu em: 9 fevereiro 2010 at 5:56 am

    Penso no que poderia ter feito você escrever isso.. achei único, e gosto do que é único.

  3. rhap escreveu em: 9 fevereiro 2010 at 6:00 am

    Muito bom, Gotardo.

  4. Gabriel escreveu em: 9 fevereiro 2010 at 5:24 pm

    As vezes me sinto insultado pelos seus textos, quando eles têm explicações como o que é um palindromo.
    Isso mata a curiosidade e vontade de aprender, que faria uma pessoa procurar o significado da palavra (ou me faz, enquanto leitor, achar que vc me acha um boçal).

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