fev 112010

Tem coisas que passam na mídia que meu cérebro ignora automaticamente, mas dessa vez ele decidiu que ia dar atenção ao clipe musical que passava no canal Multishow (juro que não sou bipolar). A música é “3″ da Britney Spears (clique aqui para ver a letra).

Antes de começar destilar o ácido, gostaria de salientar que não sou, de forma alguma, moralista. Simplesmente é inaceitável que uma artista cujo público principal são adolescentes (menores de 18 anos) interpretar uma música que incentiva orgias.

Há tempo para tudo na vida. Creio que não preciso de nenhuma formação em psicologia para saber que não é lá muito correto uma música para adolescentes dizer “…quanto mais, melhor, Diversão tripla, daquele jeito” e na estrofe seguinte mandar um “…viver em pecado é a nova onda. Você está dentro?”. O tempo para ménages e orgias é um pouco mais tarde, não?

Este artigo caminha sem dificuldades no campo da moralidade, que por sua vez, significa “característica ou qualidade do que é moral, do que é conforme os princípios ou valores morais, éticos”. Completamente diferente de moralismo, que é uma “manifestação por meio de palavras ou atos que demonstra exagerada preocupação com questões de moral e tendência para a intolerância e preconceito em relação aos outros” (ambas definições segundo o dicionário Caldas Aulete).

Então, vamos dançar, porque no final tudo acaba em pizza e dança.

O que fazemos é inocente

Só por diversão, e sem outras intenções

Se você não gosta da companhia

Vamos fazer só você e eu

Você e eu …

Ou três …

Ou quatro …

It’s Britney bitch!

PS.: Enquanto terminava de escrever o artigo, me disseram que vão lançar uma cerveja com o nome DEVASSA. É isso mesmo? Ah, vou voltar a escrever histórias do Khaled. É muita maré pra pouco remo. Você ganhou Britney.

fev 102010

Sá, Rodrix e Guarabyra também devem ter passado por isso. Violão em punho, uma pequena platéia composta em sua maioria de amigos, cordas dedilhadas em busca de uma música que anime e seja reconhecida pela maioria, que cantem junto o refrão ou pelo menos arrisquem cantarolar a melodia. Mas tudo que vem na memória são as músicas desconhecidas do Caetano, as mais tristes baladas de Chico Buarque e uma saraivada de rock rural dos anos 70. Sem falar na variedade de músicas incompletas, harmonias desconhecidas e colagem de letras inverossímeis, um apanhado de sons que se confundem e fazem o cantor sentir-se uma calopsita que mistura “Atirei o Pau no Gato” com o hino do Botafogo.

A música é uma arte em constante expansão. Desde que o mundo é mundo o ser humano vive e respira as melodias ao seu redor, fazendo-o querer reproduzi-las e criar as suas próprias. Mas não somos todos músicos por natureza, e é fato visível que alguns possuem mais talento do que outros. E geralmente destacam-se de tal forma que não há caminho mais óbvio na escolha da profissão. Mas fora estes e aqueles incrivelmente desafinados (e sem ritmo), há uma quantidade considerável de pessoas comuns que gostam de soltar a voz e brincar com algum instrumento. Podem não criar seus próprios sons, mas sabem de cor as suas canções favoritas.

De cor? Às vezes parece que o peso do violão suga completamente a memória musical, a ponto de não lembrarmos nem mesmo da existência de uma canção que passou o dia inteiro pela cabeça. Como é mesmo aquela do Rappa? E Djavan, eu sei alguma? Se eu tocar Luiz Melodia, o pessoal vai gostar? A memória, ao invés de seletiva, torna-se aleatória.

E não mais que de repente, vem na lembrança os acordes de uma música do Calypso. É hora de passar o violão para o amigo mais próximo.

Lá estava Khaled em um ônibus viajando de Marrakech para Rabat quando uma turista loira gritou “Socorram-me subi no onibus em Marrocos”. Isso foi o gatilho que Khaled, filho de Hassan precisava para refletir sobre a miserabilidade da sua vida.

Vendo aquele mar de grãos de areia, o representante comercial de carnes exóticas (do tipo kebab) pensou até onde iria a subjetividade da existência da areia. Aquilo era areia ou uma população densa de pequeninos grãos que um dia foram gigantes rochas?

Khaled pensou o quão grande ele já foi. Já fora igual a rocha vulcânica que dominou o mundo bilhões de anos atrás, mas chorou quando percebeu o ponto que chegou: ouvir turistas loiras cinquentonas e gordas gritando palíndromos* (para quem não entendeu, leia “Socorram-me subi no onibus em Marrocos” da direita para a esquerda).

Eis que o sentido da vida nunca foi mais claro: o Universo nada mais é que um palíndromo. “A droga da gorda” (leia isso no sentido contrário também) acabara por ser todo o sentido da existência. Do pó viemos, para o pó voltaremos. Eis então, que Khaled enconstou a cabeça no banco do ônibus, começou a cochilar e sonhou com o excesso de palavras no cinema mudo…

*Palindromo: diz-se de palavra, frase ou verso que podem ser lidos da esquerda para a direita ou vice-versa, sem modificação de significado ou sentido

jan 212010

(publicada originalmente na edição 4 – maio de 2009 – segunda quinzena)

Prática na extensão. Feliz o universitário que possui em sua faculdade, oferta de cursos de extensão. Ou melhor, que abrigue tal qual um  guarda chuva acadêmico provendo liberdade de ação. Destes projetos nascem as maiores empresas, as melhores idéias e os melhores produtos. De pino cirúrgico biodegradável à diamantes de álcool. Este último conquistado através de um laboratório de sucata na Unicamp pelo pesquisador Vitor Baranauskas.
Explorar o potencial de seus discentes talvez seja sempre o único investimento de retorno ao longo prazo garantido e perene. As instituições que sobreviveram décadas foram por tais práticas, de pesquisa e extensão. O mercado aberto na gestão passada e comedidamente na atual forçaram as faculdades a uma busca  por alunos a ponto de que analfabetos funcionais engordassem as estatísticas de jovens no ensino superior.
A OAB recomendou a não abertura de um sem número de cursos que o MEC autorizou sem grandes dificuldades. A resposta veio pelo Exame da Ordem. É vergonhoso ver  quase 3/4 dos alunos reprovados a cada exame. Mas não se dá cobertura devida ao fato.
As faculdades de jornalismo se formassem com um pouco mais de empenho, talvez os alunos se preocupassem menos com diploma. Haja vista que os publicitários não necessitam do mesmo para exercer a profissão. A criatividade é o limite e vence quem estiver melhor preparado. Cada vez mais a profissão se refina e seus profissionais se profissionalizam.
Francisco Ornellas, diretor do Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado do jornal “O Estado de São Paulo”, em palestra de abertura da Semana de Jornalismo – Banco Real falou sobre isso. Disse que nos Estados Unidos não existe essa cobrança e quase a totalidade de profissionais são diplomados. Estejam preparados.
P.N.O. – Com quantas matérias se faz um diploma?

Marcelo Dias

Palavras Soltas

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