mar 072010

… continuação da Saga de Khaled (clique para ver o primeiro episódio)

Khaled chega em Sabat e logo de cara vê um grupo católico em pregação. Apesar de tal ato ser crime passível de pena de morte em qualquer país islâmico, os ortodoxos irlandeses insistiram na  pregação suicida.

Eis então que chega a guarda do império islâmico e leva os irlandeses loucos para o xilindró. Alguns dias depois, na hora da execução – que fora transmitida em rede nacional, eles gritam: “A barbárie de vocês nos levará ao paraíso onde comeremos a carne de Jesus!”, logo após as últimas e profanas palavras, descem as espadas dos carrascos rumo à garganta dos infiéis.

Enquanto isso, estava lá Khaled em um botequinho tomando um suco (já que o islamismo abomina o consumo de bebida alcoólica) e assistindo a famigerada execução, que por sinal foi tão rápida que não teve nem tempo da diplomacia internacional agir.

Pensativo em tal ato de brutalidade (me refiro à pregação católica em solo marroquino), Khaled avisa para o dono do bar:

- Ei Rashid, os próximos turistas que vierem aqui e estiverem procurando por carne da boa, faz favor, passa meu celular!

Khaled pega seu celular com pressa, liga para sua empresa lá em Marrakech e avisa para seu chefe Salim:

- Chefe, estamos concorrendo com o sobrenatural, vamos inovar ou estaremos em apuros! Os irlandeses foram só o começo!

fev 272010

21 de dezembro de 2012. Um cataclisma global encerra a vida de bilhões de pessoas e mergulha o restante da humanidade em um novo estado de civilização. Conflitos violentos entre diversos grupos eclodem com cada vez mais frequência. Saques, furtos e latrocínios são constantes. A internet deixa de existir, a eletricidade é precária e água torna-se artigo de luxo até mesmo no Brasil. Enquanto isso, seis integrantes de um jornal sobrevivem juntos, reunidos na redação. Discutem os melhores métodos para retornar à circulação, agora que o conceito de jornal online perdeu o sentido. Com destaque para o debate sobre a numeração das futuras edições impressas, se mantém a tiragem seguindo as edições anteriores ou se começam do número zero novamente, seguindo o passo da humanidade. Faz sentido.

Mas um conflito particularmente grande ocorre nas ruas ali fora, e um participante particularmente exaltado – e particularmente muito bem armado com uma bazuca – dispara o seu brinquedo. O foguete atinge o prédio mais próximo, exatamente na sala de redação durante uma reunião de pauta, matando instantaneamente todos os membros. A pauta em questão era as inconfidências de um grupo de velhinhas que mantiveram seu Clube de Croché após o ruir da civilização.

Acabou? Fim da história? Não exatamente. Como pessoas de bom coração que eram, apesar das esquisitices de cada um, foram parar no Céu. Lá viram a possibilidade de continuar o seu trabalho, até porque o número de leitores por lá era muito maior do que os poucos que restaram sobre a Terra. Tendo chegado um tempo depois do quase fim do mundo, não tiveram que passar pelas filas intermináveis que os outros bilhões de almas tiveram que agüentar. E assim seguiram os seis para o Céu dos Jornalistas.

Mas mesmo assim eles não estavam imunes à burocracia celeste. Chegando ao portão do Céu dos Jornalistas, deparam-se com São Francisco de Sales, padroeiro da profissão. O santo já vai logo falando que nem todos os jornalistas podiam entrar ali. Três integrantes do grupo não tiveram problema algum, visto serem todos profissionais já formados, experientes e éticos. Daqueles que ninguém tem uma linha para falar mal. São Francisco de Sales abriu o portão para eles e cumprimentou-os pelo bom trabalho exercido.

Mas o santo porteiro fechou a cara e a passagem para os dois próximos membros, um formado em Direito e o outro psicólogo. De nada adiantaram as credenciais de trabalho de ambos, nem a experiência profissional que haviam acumulado. Nem mesmo o fato de os dois terem passado três anos na faculdade de jornalismo. São Francisco de Sales disse ao psicólogo que procurasse pelo Céu dos Psicólogos, e este respondeu que não gostaria de ir para um lugar tão chato. Perguntou então ao formado em Direito o que ele estava fazendo ali, visto que não havia nenhum magistrado, promotor e muito menos advogado no Paraíso. Ficariam para fora então.

A última integrante do grupo poderia facilmente ter ido desfrutar da eternidade no Céu dos Gastrônomos Poliglotas, mas quis acompanhar seus colegas de trabalho. E foi festejada pelo santo, que contou da dificuldade do pessoal dali em arrumar revisores e tradutores competentes. Sua formação em Tradução possibilitava uma brecha na burocracia de admissão, a mesma brecha utilizada por alguns formados em Letras que ali estavam. O portão abriu mais uma vez para a moça, e o santo retirou-se para o almoço.

E quanto aos colegas que não puderam entrar? Nosso psicólogo e nosso formado em Direito continuaram por lá, nas vicinais do Paraíso, atuando como correspondentes externos para o Inconfidência Celeste. Distribuindo edições por todos os recantos do Céu, captando cada detalhe dos assuntos correntes entre as almas, traficando informações durante o horário de almoço, pelas grades do portão do impenetrável Céu dos Jornalistas. O trabalho nunca para.

Moral da história: no Céu dos Jornalistas, diploma é obrigatório. Mas sempre há alguém capaz de buscar a notícia do lado de fora.

fev 272010

Em um lava rápido lá pelos lados do Jardim Paulista em Ribeirão Preto, o dono do estabelecimento tem uma cadela vira-lata consideravelmente independente, a Luna. Continue reading »

fev 172010

“Carnaval, Carnaval, Carnaval, eu fico triste quando chega o Carnaval…” Da minha geração, todos sabemos que estes versos são de Luiz Melodia, mas apenas porque Sérgio Britto nos esclarece do fato após cantarolá-los no álbum MTV Acústico Titãs, de 1997. Eu mesmo, um fã declarado do autor de “Estácio, Eu e Você”, ainda desconheço a canção original, chamada “Quando o Carnaval Chegou”, mesmo com todas as possibilidades que a internet oferece para os garimpeiros musicais.

Pois é, o Carnaval chegou e passou, como todos os anos, e talvez agora dê para dizer que o Brasil entrou em sua funcionalidade plena. Se isto também implica na libertação daqueles que passaram o feriado com fantasia listrada, lá pelas bandas do Planalto Central, não saberia dizer. Se acontecer, será uma ação repudiada por uma imensa parcela do povo brasileiro, mas não será algo inesperado. Há quem pense que no país é Carnaval durante todo o ano, tratando a todos como se estes estivessem fantasiados de palhaços.

Já estamos na Quarta-feira de Cinzas, que deve ter sido sabiamente nomeada devido ao gosto na boca com o qual alguns foliões permanecem o dia inteiro. É dia também de apuração do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, o mais badalado dos eventos carnavalescos. Dia de festa para uns e tristeza para outros, de comemoração em algumas comunidades e injúria coletiva em outras. Mas só por algum tempo, pois o ano segue adiante, e a proporção entre o luto e a festividade volta ser mais ou menos a mesma em todas as comunidades. O luto, tristemente, ocorrendo com frequência cada vez maior.

Mas é Carnaval! Ou melhor, foi Carnaval. Confetes, serpentinas e foliões adormecidos ainda estavam espalhados pelas ruas e salões esta manhã. Os amores de Carnaval, que durante a folia conduzem a dança dos Pierrôs, Colombinas e Arlequins, estarão acabados ou completamente consolidados nesta quarta-feira. Enquanto isso eu permaneço em casa, na ressaca de um Carnaval que eu não pulei.

Palavras Soltas

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