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	<title>Inconfidência Ribeirão &#187; Artigos</title>
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		<title>A Fita Branca</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 11:33:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daredacao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[T.I.]]></category>
		<category><![CDATA[conservadorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Haneke]]></category>
		<category><![CDATA[verdade obscura]]></category>

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		<description><![CDATA[por Alexandre Carlomagno (alexyubari@yahoo.com.br) Os créditos iniciais imersos numa escuridão soturna, com o letreiro que surge vagaroso não apenas dita a cadência narrativa peculiar do diretor, como também seu modus operandi. Logo de cara parece que fomos jogados num teste psicológico. No decorrer da trama, tempo e espaço coexistem numa profusão de personagens, psiques e <a href='http://inconfidenciaribeirao.com/2010/07/a-fita-branca/'>[...]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Alexandre Carlomagno</strong> (<a href="mailto:alexyubari@yahoo.com.br">alexyubari@yahoo.com.br</a>)</p>
<p style="text-align: justify;">Os créditos iniciais imersos numa escuridão soturna, com o letreiro que surge vagaroso não apenas dita a cadência narrativa peculiar do diretor, como também seu <em>modus operandi</em>. Logo de cara parece que fomos jogados num teste psicológico. No decorrer da trama, tempo e espaço coexistem numa profusão de personagens, psiques e moralidades que encontram respaldo na geografia típica de um vilarejo alemão às vésperas de um grande evento mundial.</p>
<p style="text-align: justify;">Narrado pelo ponto de vista do professor da comunidade (Christian Friedel na juventude e Emst Jacobi mais velho, com a narração), o filme coloca em cheque, a partir daí, a veracidade dos fatos que se desenrolam naquele universo fictício/real. O que sabemos é o que o protagonista sabe – ou ao menos tem noção. E é isso o que pretende o diretor e roteirista Michael Haneke (<strong>A Professora de Piano</strong>, 2001): apetecer a mente do espectador e forçá-lo a acompanhar toda a trama. A ele interessam as perguntas.</p>
<p style="text-align: justify;">Conforme dizeres do próprio Haneke, uma resposta concreta é praticamente impossível de se estabelecer em um filme – diferente das questões. Dessa maneira é possível estabelecer um paralelo entre este seu novo trabalho e <strong>Caché</strong> (2005), também de sua autoria. Pelo viés da verdade obscura e a inconcussa elucidação improvável dos fatos, o diretor graduado em psicologia, filosofia e ciências dramáticas pela Universidade de Viena estabelece alguns de seus princípios dentro do vilarejo. Perfeita em teoria, essa aldeia longe da cidade e do resto do mundo na prática prova-se falha.</p>
<p style="text-align: justify;">Os incidentes insolúveis, as rixas hierárquicas, a educação retrógrada, o conservadorismo das relações e a faceta moralista e tantalizante emergem entre nichos dentro de nichos de seres-humanos. Por piores que sejam as mazelas, somos nós os mais graves causadores de tais. Mesmo manufaturado numa estonteante fotografia em preto e branco, o quadro pintado por Haneke, que data do início do século passado, por fim nos mostra uma contemporaneidade contundente. É como a pureza simbólica da fita branca cujo nó se desata do nosso caráter.</p>
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		<title>O 3D é um ponto de vista</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Jun 2010 22:40:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daredacao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[T.I.]]></category>
		<category><![CDATA[3d]]></category>
		<category><![CDATA[Martin Scorsese]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Bay]]></category>

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		<description><![CDATA[por Alexandre Carlomagno (alexyubari@yahoo.com.br) Antes de começar a ler este texto eu lhe peço, por gentileza, que coloque seus óculos 3D. Sim, tudo está em três dimensões! Percebe as letrinhas dançando e sendo jogadas na sua cara? Olhe à sua volta, veja a sua mão, muito mais real, não acha? Bem, se você não compartilha <a href='http://inconfidenciaribeirao.com/2010/06/o-3d-e-um-ponto-de-vista/'>[...]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">por <strong>Alexandre Carlomagno</strong> (<a href="mailto:alexyubari@yahoo.com.br">alexyubari@yahoo.com.br</a>)</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de começar a ler este texto eu lhe peço, por gentileza, que coloque seus óculos 3D. Sim, tudo está em três dimensões! Percebe as letrinhas dançando e sendo jogadas na sua cara? Olhe à sua volta, veja a sua mão, muito mais real, não acha? Bem, se você não compartilha de tal sensação, pouco importa, pois a indústria cinematográfica não está dando a mínima para a sua opinião. Avatar do James Cameron fez 2 bilhões de bilheteria nos cinemas e sua concepção foi matutada inteiramente para o 3D – ao menos é o que dizem -, então, a partir de agora, todos os filmes serão feitos da mesma maneira. Sim, pois se ele conseguiu esse montão de verdinhas, então a fórmula mágica finalmente foi encontrada. E se todo esse fuzuê for apadrinhado por diretores do calibre de Martin Scorsese, por exemplo, que disse este ser o caminho natural do cinema (ele inclusive queria o abominável Preciosa em 3D), então aí é que não há tempo a perder.</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, por que pensar em toda a estrutura de um longa-metragem em três dimensões se é possível filmar tudo na maneira convencional – naquelas duas dimensões mesmo – e depois converter o material para o 3D? Tudo bem que o público vai ser enganado, já que estará pagando para assistir algo que não foi concebido em tal formato. Mas e daí? “Custa menos e é mais rápido”, devem pensar os astutos produtores. A câmera utilizada para realizar filmes no formato, hoje, é muito pesada, e engessa diretores da estirpe de Michael Bay (Transformers e mais outro tanto de desastres cinemáticos naturais) na hora de captar a ação com seu “estilo”, pois os malabarismos nas movimentações da câmera e na montagem ficam restringidos – é necessário um maior tempo entre um corte e outro para que o cérebro do espectador consiga processar a imagem projetada na tela.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas eis que surge uma opção, um Frankenstein, prole de uma orgia entre os Na’vis, a tridimensionalidade e nossos queridos e perspicazes produtores com suas massas cefálicas penianas: o filme será realizado com a câmera 3D para as cenas mais calmas, vulgo “dramáticas”, enquanto as sequências de ação serão feitas da maneira habitual e na pós-produção serão expostas aos “raios gamas” da conversão. Sinceramente, não sei o que vai sair disso tudo. A experiência de Avatar me incomodou, aqueles óculos em cima dos meus óculos de grau incomodavam ao ponto de eu ter que tirá-los durante a projeção para aliviar a dor. Alice no País das Maravilhas é insosso, não faz o uso devido da tecnologia, nem mesmo no que diz respeito à profundidade de campo, por isso sobreviveria facilmente na maneira convencional. E Fúria de Titãs, o qual eu ainda não assisti, foi convertido para o 3D às pressas, apenas em dois meses, para pegar carona no modismo e tem suscitado reações raivosas quanto a qualidade do trabalho. Será que a tecnologia cairá nas mãos de verdadeiros artistas e um dia estará a serviço de filmes mais autorais e intimistas? Por enquanto, a meu ver, tudo isso não passou de um estupro coletivo que Hollywood ocasionalmente promove em meio a muito black-tie e champanhe. Com o passar do tempo pode até se justificar – Scorsese já está realizando o seu “Preciosa” -, mas até lá eles continuarão a masturbar o cinema e a gozar na nossa cara, literalmente, em 3D.</p>
<p style="text-align: justify;">
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