por Alexandre Carlomagno (alexyubari@yahoo.com.br)

Os créditos iniciais imersos numa escuridão soturna, com o letreiro que surge vagaroso não apenas dita a cadência narrativa peculiar do diretor, como também seu modus operandi. Logo de cara parece que fomos jogados num teste psicológico. No decorrer da trama, tempo e espaço coexistem numa profusão de personagens, psiques e moralidades que encontram respaldo na geografia típica de um vilarejo alemão às vésperas de um grande evento mundial.

Narrado pelo ponto de vista do professor da comunidade (Christian Friedel na juventude e Emst Jacobi mais velho, com a narração), o filme coloca em cheque, a partir daí, a veracidade dos fatos que se desenrolam naquele universo fictício/real. O que sabemos é o que o protagonista sabe – ou ao menos tem noção. E é isso o que pretende o diretor e roteirista Michael Haneke (A Professora de Piano, 2001): apetecer a mente do espectador e forçá-lo a acompanhar toda a trama. A ele interessam as perguntas.

Conforme dizeres do próprio Haneke, uma resposta concreta é praticamente impossível de se estabelecer em um filme – diferente das questões. Dessa maneira é possível estabelecer um paralelo entre este seu novo trabalho e Caché (2005), também de sua autoria. Pelo viés da verdade obscura e a inconcussa elucidação improvável dos fatos, o diretor graduado em psicologia, filosofia e ciências dramáticas pela Universidade de Viena estabelece alguns de seus princípios dentro do vilarejo. Perfeita em teoria, essa aldeia longe da cidade e do resto do mundo na prática prova-se falha.

Os incidentes insolúveis, as rixas hierárquicas, a educação retrógrada, o conservadorismo das relações e a faceta moralista e tantalizante emergem entre nichos dentro de nichos de seres-humanos. Por piores que sejam as mazelas, somos nós os mais graves causadores de tais. Mesmo manufaturado numa estonteante fotografia em preto e branco, o quadro pintado por Haneke, que data do início do século passado, por fim nos mostra uma contemporaneidade contundente. É como a pureza simbólica da fita branca cujo nó se desata do nosso caráter.

por Alexandre Carlomagno (alexyubari@yahoo.com.br)

Antes de começar a ler este texto eu lhe peço, por gentileza, que coloque seus óculos 3D. Sim, tudo está em três dimensões! Percebe as letrinhas dançando e sendo jogadas na sua cara? Olhe à sua volta, veja a sua mão, muito mais real, não acha? Bem, se você não compartilha de tal sensação, pouco importa, pois a indústria cinematográfica não está dando a mínima para a sua opinião. Avatar do James Cameron fez 2 bilhões de bilheteria nos cinemas e sua concepção foi matutada inteiramente para o 3D – ao menos é o que dizem -, então, a partir de agora, todos os filmes serão feitos da mesma maneira. Sim, pois se ele conseguiu esse montão de verdinhas, então a fórmula mágica finalmente foi encontrada. E se todo esse fuzuê for apadrinhado por diretores do calibre de Martin Scorsese, por exemplo, que disse este ser o caminho natural do cinema (ele inclusive queria o abominável Preciosa em 3D), então aí é que não há tempo a perder.

Aliás, por que pensar em toda a estrutura de um longa-metragem em três dimensões se é possível filmar tudo na maneira convencional – naquelas duas dimensões mesmo – e depois converter o material para o 3D? Tudo bem que o público vai ser enganado, já que estará pagando para assistir algo que não foi concebido em tal formato. Mas e daí? “Custa menos e é mais rápido”, devem pensar os astutos produtores. A câmera utilizada para realizar filmes no formato, hoje, é muito pesada, e engessa diretores da estirpe de Michael Bay (Transformers e mais outro tanto de desastres cinemáticos naturais) na hora de captar a ação com seu “estilo”, pois os malabarismos nas movimentações da câmera e na montagem ficam restringidos – é necessário um maior tempo entre um corte e outro para que o cérebro do espectador consiga processar a imagem projetada na tela.

Mas eis que surge uma opção, um Frankenstein, prole de uma orgia entre os Na’vis, a tridimensionalidade e nossos queridos e perspicazes produtores com suas massas cefálicas penianas: o filme será realizado com a câmera 3D para as cenas mais calmas, vulgo “dramáticas”, enquanto as sequências de ação serão feitas da maneira habitual e na pós-produção serão expostas aos “raios gamas” da conversão. Sinceramente, não sei o que vai sair disso tudo. A experiência de Avatar me incomodou, aqueles óculos em cima dos meus óculos de grau incomodavam ao ponto de eu ter que tirá-los durante a projeção para aliviar a dor. Alice no País das Maravilhas é insosso, não faz o uso devido da tecnologia, nem mesmo no que diz respeito à profundidade de campo, por isso sobreviveria facilmente na maneira convencional. E Fúria de Titãs, o qual eu ainda não assisti, foi convertido para o 3D às pressas, apenas em dois meses, para pegar carona no modismo e tem suscitado reações raivosas quanto a qualidade do trabalho. Será que a tecnologia cairá nas mãos de verdadeiros artistas e um dia estará a serviço de filmes mais autorais e intimistas? Por enquanto, a meu ver, tudo isso não passou de um estupro coletivo que Hollywood ocasionalmente promove em meio a muito black-tie e champanhe. Com o passar do tempo pode até se justificar – Scorsese já está realizando o seu “Preciosa” -, mas até lá eles continuarão a masturbar o cinema e a gozar na nossa cara, literalmente, em 3D.

Mais didático e cristalino que isso não existe.

Os detalhes (e o aprofundamento do assunto) ficam por conta de você, leitor.

Posso até recomendar onde começar:

Mini biografia de Friedrich August von Hayek:  http://mises.org/about/3234

Teoria Geral de Keynes: http://www.marxists.org/reference/subject/economics/keynes/general-theory/

Link Útil: Google Tradutor

PS.: Não foi eu quem fez a legenda gramaticalmente desastrosa.

Palavras Soltas

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