(publicada originalmente na edição 5 – junho de 2009 – primeira quinzena)
Mais do que uma lembrança, um registro histórico lançado em livro há algum tempo. Em “O Homem que Matou Che Guevara” Saulo Gomes produz uma reportagem jornalística sobre a morte de uma das figuras mais emblemáticas do século passado.
Com a propriedade de quem viveu e conviveu com muitos personagens da época, o autor detalha todos os passos que antecederam a captura e posterior execução do líder revolucionário. Desmistifica de maneira simples e direta lendas e suposições que margeiam até hoje sua morte.
E conseguiu, mais de 35 anos depois, mostrar inclusive os episódios brasileiros que culminaram com a busca, captura e execução de Chê. E um fato inédito que confere ainda mais credibilidade ao livro. Fez romper o silêncio do próprio executor.
Saulo Gomes, 81 anos, repórter investigativo. Há mais de meio século cobrindo a história do Brasil.
(publicada originalmente na edição 4 – maio de 2009 – segunda quinzena)
Judiciário. Tempos difíceis vive tal poder. Muito se fala de sua arbitrariedade, excessos e recessos e toda sorte de especulações. Mas e a regulação? Como fiscalizar o fiscal? Teve uma época em que o jornalismo se prestava a este papel. Um jornalismo investigativo sério. Atento à fatos, provas conseguidas por perícia e persistência no que se faz. Não na falácia da porrada ou no pau de arara de uma ditabranda.
Grandes reportagens que marcaram época foram abordagens feitas a partir deste tipo de jornalismo. Dentre muitas destacam-se as que buscavam solucionar erros judiciários. Além de achar bandidos, libertar inocentes dava audiência.
Em seu acervo Saulo Gomes coleciona inúmeros casos em que teve participação direta ou indireta na elucidação, captura ou entrega de bandidos perigosos à sociedade. Esteve envolvido em casos como o caso dos Irmãos Naves, o crime de Parelheiros e o do Advogado do Diabo sobre a socialite Danna de Teffé e o advogado Leopoldo Heitor. Neste último Saulo é a prova de que não existe crime perfeito. Afinal confissão é a rainha das provas. E diferente da prática de hoje, ele tem o áudio.
Saulo Gomes, 81 anos, repórter investigativo. Há mais de meio século cobrindo a história do Brasil.
(publicada originalmente na edição 3 – maio de 2009 – primeira quinzena)
Imagine-se no Rio de Janeiro no final da década de 50. Éder Jofre firmava-se no boxe, a disputa de Miss Brasil lembrava final de Copa do Mundo e Juscelino Kubitschek comandava o país. O Rio não era só glamour. Haviam enchentes e vários incêndios pela cidade. Eram tantos que a Rádio Continental era especialista em cobrir tais sinistros.
Uma diferença que existia à época era a cobertura dos fatos. Hoje em dia a espetacularização da mídia provoca “safras de crimes”. Eles ocorrem diariamente e de todos os tipos. Mas o que vale hoje em dia é a audiência e seu “crime da moda”.
Naquele Rio de Janeiro e todo seu contexto histórico surge um desses acontecimentos que entram para a história pelos ingredientes trágicos que o temperam.
Numa época em que o punguista (batedor de carteira) era o bandido temido, foi executado um crime passional que comoveu o País. Paixão, rejeição, ciúmes, traição, frieza e a paciência em atingir um objetivo. “Fera da Penha”, como ficou conhecida Neyde Maria Lopes, matou com cruel requinte a filha de seu amante Antônio, motorista de caminhão casado com Dona Nilza e pai da pequena Tânia, vítima de seu deslize conjugal.
Saulo, com perícia e sagacidade, chegou à dona Nilza e posteriormente a Antônio antes da polícia. Aberta a informação para o delegado, obteve preferência na cobertura. Permaneceu dentro da delegacia para onde fora levada Neyde na condição de testemunha pelo contato que havia feito com o casal. Apesar dos protestos de quem ficara de fora e não pode presenciar o depoimento de perto.
Após uma espera de mais de 12 horas de depoimento, havia quem pedisse um “tratamento” especial para que a Fera confessasse. Não precisou. Saulo teve a chance de conversar com Neide, à sós. Bastaram alguns minutos e a “Fera” morreu pela boca.
Saulo Gomes, 81 anos, repórter investigativo. Há mais de meio século cobrindo a história do Brasil.
Inconfidências