jan 302011
 

Quatro indicações no Oscar, para melhor filme, ator coadjuvante (Mark Ruffalo), atriz (Annette Benning) e roteiro; quatro para o Globo de Ouro, com melhor atriz para Julianne Moore no lugar do Ruffalo, sendo que o longa saiu de lá com duas vitórias: Annete Benning, atriz, e melhor filme. Mas não há nada em Minhas Mães e Meu Pai que justifique essas e as outras tantas láureas que tem recebido.

O roteiro escrito pela diretora Lisa Cholodenko ao lado de Stuart Blumberg conta a história de duas lésbicas, Nic e Jules, Annette Bening e Julianne Moore respectivamente, mães de um casal de filhos, Joni e Laser. Ao atingir a maioridade, Joni resolve ir atrás da pessoa que doou o esperma na época em que sua mãe engravidou. É aí que entra o descolado dono de restaurante Paul (Ruffalo) e o relacionamento que se destrava entre esses cinco indivíduos.

Sem fazer alarde ou aplicar solenidade no lado homossexual, o casal de lésbicas é apresentado de maneira sóbria, como outro qualquer. Não há aqui uma edificação da “causa gay” – ou seja lá o que isso signifique. Enfim, o que realmente importa à dupla de roteiristas é o embate entre pessoas distintas. Cada uma com caráter muito bem definido, todas tentam encontrar seus respectivos caminhos dentro desse novo lado que surge na relação estabelecida entre elas (ainda que alguns erros aflorem no roteiro, como a relação entre Laser e seu amigo Clay, que não apenas é relegada ao nada, carente de resolução, como simplesmente é esquecida pelo filme).

O título nacional, Minhas Mães e Meus Pais é uma péssima e enganosa tradução de The Kids Are All Right (As Crianças Estão Bem). Utilizando do choque de opções sexuais para dialogar sobre a universalidade das sensações – de que cada pessoa, independente de com quem vá para a cama, divide os mesmo medos e anseios -, o filme estabelece uma idéia convencional através do pseudo-liberalismo presente numa dita relação moderna. Mesmo em divergências e contradições, as crianças estarão bem, pois, no final das contas, somo todos elas.

E apesar de não fazer jus às tantas indicações, Minhas Mães e Meus Pais está longe de ser um filme ruim. Muito pelo contrário. O problema é que ele foi escolhido para ser o longa indie de idéias contemporâneas da vez. E isso não tem absolutamente nada a ver com seus méritos e desméritos, infelizmente, ainda que sua edificação desgarrada seja inevitável neste caso.

por Alexandre Carlomagno

alexyubari@yahoo.com.br / Twitter – @alexyubari / Facebook / Cinemorfose

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