Mãos Molhadas

 Posted by at 1:14 am  Pergunte ao Monge
jan 202011
 

Prezado Monge, o que você acha de suborno? (Rick, via comentário no site)

Depende. De quanto estamos falando exatamente? E o que o senhor quer que eu faça? Não, não, esquece, é só brincadeira. O Monge é insubornável, independente da quantia. Coisas de idealista, fazer o que.

Não é nem necessário apontar que, no Brasil, o suborno é uma prática corriqueira. Magicamente, notas de 50 reais surgem no lugar de carteiras de motorista em uma blitz, por exemplo. Sem contar os malotes de dinheiro que passam de mão em mão nos altos escalões políticos. O suborno é a essência da corrupção, afinal. Quando o esquema cai nas vistas de alguém que poderia melar tudo, basta “molhar as mãos” do dito indivíduo, pois todo mundo tem seu preço. Não é assim que muita gente pensa?

Do mais singelo policial ou advogado ao mais influente político, ninguém está imune a uma generosa oferta em troca de fazer “vista grossa” para alguma atividade ilegal. Dizem que o poder corrompe, que o sistema em si é viciado. Pode ser. Mas a questão é um pouco mais profunda, advinda do âmago da natureza humana. Aquela lá mesmo, completamente imprevisível, lembra? Quando queremos, pensamos em uma coisa de cada vez, e fechamos os olhos para todo o resto. Isto é ainda mais fácil quando nossa atenção é desviada para algo “brilhante”, uma quantia que pode mudar a vida de muita gente. Inclusive a nossa.

A grande dúvida, no fim das contas, é a de quem afinal é o cidadão comum: aquele que aceita o suborno, como “todo mundo”, ou aquele que recusa?




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