jan 042011
 

Monge, por que a classe intelectual brasileira (cujo quartel general é a FFLCH-USP-SP) que é liderada por pessoas da estirpe de Marilena Chauí e Emir Sader faz questão de ignorar os dois brasileiros mais brilhantes na área filosófica de todos os tempos (no caso me refiro a Mario Ferreira dos Santos e Olavo de Carvalho)? (Leonildo Trombela Júnior)

Hum, conheço muita gente que se sentiria ofendida com a afirmação de que a FFLCH é o quartel general da intelectualidade brasileira, mas vá lá. É notório que lá se reúnem pensadores nacionais de alto nível, mas o Monge duvida que a produção acadêmica dali seja obrigatoriamente mais relevante do que nas outras centenas de faculdades pelo Brasil afora. Isso sem contar outros círculos intelectuais além dos acadêmicos, como Clubes do Livro, Cafés Filosóficos e rodinhas de bar.

Não pretendo adentrar nos âmbitos teóricos dos autores que você citou, meu amigo Leo. Basta dizer que o Monge já leu o suficiente de cada um deles para pensar por si mesmo. Porque por mais brilhantes que os pensadores mencionados – os quatro – sejam, seus embates ocorrem apenas no mundo das idéias. O que torna o debate seguro, mas não necessariamente pacífico. Soma-se a isto duas ideologias políticas distintas (criativamente conceituadas como Esquerda e Direita), que dão suporte e são suportadas por filosofias rivais. A coisa funciona assim mais ou menos desde a Revolução Francesa (não, a culpa não é só de Marx).

O Monge ficou tentado em enviar esta pergunta para todos os autores envolvidos, e deixar a briga correr solta bem na minha caixa de emails. Mas confesso que este tipo de discussão cansa meu raciocínio, desde os meus primórdios universitários. Encerrando agora o curso de Psicologia, assumo em definitivo a minha impaciência para picuinhas acadêmicas. Filosofia é algo apaixonante, e a leitura dos grandes pensadores deveria ser alimentada desde o pré-primário. Mas ao mesmo tempo em que ela abre a cabeça, pode voltar-se contra seu próprio cunho transformador e encerrar-se em apenas um direcionamento teórico. E isto em um mundo que todos sabem que não tem explicação, somente interpretações. A Filosofia, como toda paixão, às vezes cega. Apaixonados por suas ideologias, muitos pensadores fecham os olhos para o resto.

Mas não parece ser o caso dos colegas da Filosofia da USP. Se ignorassem Olavo de Carvalho e companhia, não criticariam tão ferrenhamente cada vírgula produzida por estes. Vale ressaltar também que a FFLCH não é necessariamente um centro mor do anti-direitismo. É só lembrar do mais neoliberal dos nossos ex-presidentes, professor titular da citada faculdade.




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