jan 062011
 

“Quem é este Jesus?” (Papa Bento XVI, declarando que a Igreja deve suscitar esta pergunta no coração dos homens)

O Monge sabe do risco que corre em cometer qualquer tipo de sacrilégio ao querer responder esta pergunta. Mas acontece que não resisto à tentação de tecer comentários sobre religião, fé e Igreja Católica. Convenhamos, assuntos polêmicos assim são quase sempre interessantes. No entanto, procuro evitar o discurso inflamado dos teóricos ateus, sempre prontos a apontar as falhas históricas e retóricas da Igreja, a fim de justificar seu desejo de que nada exista além da nossa realidade material.

Onde estávamos? Ah sim, Jesus. Ou melhor, a visão que hoje os fiéis da Igreja Católica tem Dele. Hoje em dia, qual o significado simbólico do Filho de Deus? No Natal, por exemplo, poucas pessoas realmente se lembram do que estão celebrando. Na Páscoa também, e nem é necessário dizer que quase ninguém mais faz o resguardo da Quaresma (período de 40 dias entre o Carnaval e a Páscoa). Mas será que simbolismos são a única coisa que importa?

E quanto às palavras de Jesus? Tecnicamente, a grande revolução religiosa que Ele implantou junto ao povo judeu diz respeito à forma como Deus é visto e interage com o ser humano. Explicação prática: no Antigo Testamento, Deus é uma figura a se respeitar e temer, caso você saia da linha. Depois de Jesus, Deus passou a ser uma figura amorosa, capaz de redimir os pecadores. E é este o ponto mais importante da pregação de Cristo: o Amor, ao seu semelhante, a todas as criações divinas sob este céu azul. Não é a toa que, politicamente, Jesus foi visto como uma figura muito perigosa.

Dois mil anos depois, parece que ainda não entendemos direito qual foi a mensagem, se é que ainda existem resquícios das palavras originais. Aliás, historicamente, Jesus existiu? Os registros da época são confusos neste sentido. O fato é que, subitamente, houve uma reforma religiosa entre os romanos do oriente, judeus ou não, e que logo se espalhou pelo resto do império. O cristianismo surgiu no meio do povo, e só depois criou-se uma Igreja para “administrar” o novo rebanho. Sem ela, certamente a fé cristã teria se difundido de outra forma, ou teria sido morta em definitivo nas arenas romanas, entre leões e crucificações. Mas talvez não houvesse tamanha manipulação da mensagem de Amor ao próximo. Porque o Amor é um dom humano, e não existe crença religiosa que detenha o seu monopólio.

* Da famosa canção dos Beatles, significa “tudo o que você precisa é Amor”




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