dez 102010
 

Por que o ato de levar o carro para colocar ou trocar a placa é tão demorado? (pergunta espontânea surgida em todas as conversas das quais o Monge participou sobre o assunto)

Antes de mais nada, gostaria de pedir desculpas aos leitores pelo fato de esta pergunta ser respondida na sexta-feira, e não na quinta como deveria ser. Ocorre que esta resposta exigiu uma vivência prática pela qual o Monge passou nesta bela manhã de sexta. E foi a expectativa deste famigerado evento que gerou a pergunta propriamente dita. Para começar, quando contei a algumas pessoas que precisava emplacar o carro, aqueles que já conheciam o processo me retribuíram um olhar de comiseração. E recomendaram chegar mais cedo, pois a fila de carros chega a dobrar o quarteirão duas vezes. O que eu não compreendi muito bem foi o quão cedo eu deveria ter chegado. O único lugar que faz o serviço de “lacramento de carros” em Ribeirão Preto abre as 9 horas da manhã. Pois bem, o Monge chegou às 8 e meia, apenas para descobrir que um bom tanto de gente havia sido mais adiantada do que eu. Havia pessoas por lá desde as 6 e meia da manhã! E o que parece bem estranho é que esta antecipação de mais  de duas horas contribui para um adiantamento de no máximo 40 minutos do serviço.

Explico. O processo de colocar  uma nova placa em motos e automóveis dura, no máximo, 15 minutos. A demora concentra-se na fila. Com justiça, quem estava lá desde as 6 e meia da manhã foram os primeiros, e saíram de lá felizes e contentes com seu carro emplacado às 9:20h da manhã. Quem chegou um pouco mais cedo do que o Monge – lá pelas 8 horas – teve o serviço terminado às 10 horas. Ou seja, parece normal que alguém se submeta a perder algumas horas do dia inteiro – e de sono – para não perder preciosos minutos do horário útil de trabalho. Não soa como se as nossas prioridades naturais estivessem sendo distorcidas? Em que momento da civilização decidimos que o mal estar individual ou coletivo perde a importância perto das nossas gloriosas realizações burocráticas? Ah sim, o Monge está divagando de novo, o que é bem perceptível quando sua resposta começa a gerar novas perguntas, ainda mais complicadas do que a original. Mas o leitor também estaria pensando nisso se ficasse por quase três horas sentado em um carro parado, sob o aconchegante Sol que tanto ama Ribeirão Preto. Em uma manhã de dezembro.

Voltando ao cerne da questão, a única razão aparente do fato do processo inteiro – incluindo a fila – ser tão demorado é a urgência que todos tem em resolver isso o mais rápido possível. Afinal, é algo obrigatório, não se pode sair por aí com um carro sem placa, com placa danificada ou com informações conflitantes com o documento do veículo. E tem muita gente, principalmente vinda das cidades da região onde o serviço não existe. Mas no fim das contas é um serviço tão simples e rápido que é de se estranhar que em um raio de quilômetros e quilômetros só exista um lugar que o faça. A ironia continua sendo a mais perene companheira da sociedade burocrática. E continuamos fingindo não vê-la.




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