dez 122010
 

Escrito e dirigido por Wes Craven, o mesmo criador do maravilhoso A Hora do Pesadelo (1984), A Sétima Alma é um equívoco que se estende por completo desde seus minutos iniciais até os créditos finais, literalmente. Destilando um roteiro pedestre por uma montagem desorientada, o filme mais parece um projeto de conclusão de curso de um estudante de cinema do que de alguém com quase quatro décadas de experiência.

A história? Um estripador com distúrbio de personalidade morre misteriosamente, no entanto, suas sete personas sobrevivem na alma de jovens que nasceram no mesmo dia da sua morte – isso de acordo com uma enfermeira supersticiosa, o que não atribui grande credibilidade. Mas enfim… A sequência de abertura que apresenta o tal assassino e seu problema psicológico é feito de maneira tão súbita que mesmo a mais simples das ideias fica difícil de absorver. Tudo transcorre numa rapidez anticlimática tamanha que a única sensação causada na plateia é o riso.

E o pior de tudo é que esse não é o maior dos problemas, pois A Sétima Alma é uma profusão de sequências que, não beiram, mas abraçam com todas as forças o ridículo e a total falta de bom senso. Não há esforço por parte de Craven em articular uma atmosfera mais elaborada. Muito pelo contrário. Algumas das cenas (e isso compreende 99% do longa!) apresentam um misturado indigesto de comédia pastelão com terror juvenil mambembe e um tiquinho de algo como um significado para alguma coisa importante que deveria estar na trama (um exemplo claro disso é a patética sequência do seminário), porém, o absurdo dos diálogos e da narrativa que se desenrola impossibilitam uma melhor visualização – ele chega a tocar Franz Ferdinand numa sequência extremamente longa e desnecessária, já que ela não reflete de modo algum mais adiante.

Se há algum (sic) mérito em A Sétima Alma é o clima de suspense teen oitentista que em alguns momentos aflora pela ótica de Wes Craven. Contudo, são alguns poucos momentos que consequentemente tornam-se insignificantes. Sem contar que os anos 80 acabaram, mas apenas o diretor parece não ter percebido. E uma prova disso é a sua insistência em aplicar o clímax de perseguição entre vilão mascarado e vítima, como se isso fosse uma assinatura sua. E se a precariedade estética e narrativa não fosse o bastante, ao término do filme somos jogados em créditos finais animados que destoam inteiramente do restante. No final, a impressão é a de que um senhor de idade tentou tirar um sarro com a cara do espectador. Bem, se era essa a intenção, então o único que deve ter se divertido com essa piada de mal gosto foi ele.

por Alexandre Carlomagno

alexyubari@yahoo.com.br / Twitter – @alexyubari / Facebook / Cinemorfose

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