nov 242010
 

Monge, você concorda com a afirmação de Wilhelm Reich de que a sociedade burguesa reprime especificamente a sexualidade de seus indivíduos? (Luiz Miguxo Costa, por email)

É algo a se pensar. Creio que na história da civilização, nunca se viu tanto sexo quanto nos dias de hoje. Ele está presente no cinema, na música, nas artes plásticas. Surge velada ou escancaradamente em propagandas, outdoors e eventos esportivos. Concentra a atenção quando aparece em um cena de novela. E gera muito falatório, muita conversa de padaria no dia seguinte. Porque hoje também se fala muito de sexo, principalmente na mídia. E não só nas revistas femininas e masculinas, mas em praticamente todo veículo de comunicação que não tenha crianças como único público alvo (mídias para adolescentes, no entanto, nadam de braçada no assunto). Na internet então, nem é necessário comentar. Nem que seja para falar mal, alguém sempre tem alguma coisa para dizer sobre sexo. Ou para mostrar.
No entato, isso não quer dizer que as pessoas fazem tanto sexo assim. A hiperexposição da sexualidade humana fez com que grande parte da sociedade passasse a viver a sua sexualidade através do outro, transformando o voyeurismo em fantasia coletiva sem que nos déssemos conta. Ao mesmo tempo, parece que quer obrigar os indivíduos a terem vida sexual ativa, determinando que tudo é válido e ensinando segredos de bordel a qualquer dona de casa que comprar uma revista para saber da novela. É a ditadura do prazer, que como toda boa ditadura, gera resistência.
Por trás de tudo isso, a sociedade burguesa, ou capitalista, como preferirem, que rapidinho descobriu que o sexo vende muito bem, seja como atrativo publicitário ou como produto. Reprime a sexualidade dos indivíduos a partir do momento em que a trata como mercadoria. Porque se existe algo que o bom burguês gosta muito mais do que sexo, é o dinheiro.



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