nov 072010
 

Oi, Seu Monge. Gostaria de saber sua opinião sobre as razões que sustentam, aqui e no mundo, ódio dos gays em relação às lésbicas e vice versa. (Fernanda, por email)

Bem, Fer, gays e lésbicas são respectivamente homens e mulheres, categorias humanas culturalmente distintas ao longo da história. Porque fora alguns aspectos biológicos, como o ciclo hormonal feminino e a maior resistência física masculina, as diferenças entre homens e mulheres são puramente culturais. Considerações do tipo “mulheres sabem equilibrar melhor emoção e razão” ou “homens tem uma melhor noção espacial e melhor coordenação motora” servem apenas para atiçar a fogueira da diferença entre os sexos. Que, aliás, provavelmente foi inventada por um homem, para justificar o domínio social sobre as mulheres. As feministas, claro, aproveitaram essa diferenciação para dizer que as mulheres não são mesmo iguais aos homens, porque na verdade são melhores.

Tudo isso é besteira, pois somos todos tripulantes do mesmo barco azul que roda ao redor do Sol. É trsite o fato de que a civilização em geral desenvolveu-se sob uma ótica machista, com raras exceções. A figura da mulher sempre esteve ligada mais a um lado espiritualizado e sereno, enquanto o homem era a representação da ação violenta, do impulso transformador da natureza. As mulheres davam a vida, os homens tiravam. Milênios de guerras e conflitos moldaram sociedades dependentes da divisão de papéis dos gêneros. Das tribos primitivas de caçadores coletores às grandes metrópoles capitalistas. Mas na atualidade esta divisão de papéis, se não caiu por terra, sofreu diversos abalos por conta das revoluções culturais e sociais do último século. Tanto que hoje temos a figura da mulher guerreira, que enfrenta o meio selvagem e pisa no pescoço dos seus inimigos. No caso, de salto agulha.

Gays e lésbicas são representantes destas mudanças,  devido às culturas diversificadas que criaram. Mas continuam sendo homens e mulheres, mesmo os que abdicaram de sua masculinidade ou feminilidade. E como gêneros opostos, não estão imunes à milenar “guerra dos sexos”, mas com um fator de grande importância: a ausência de tensão sexual entre as partes. Porque quando um homem e uma mulher brigam, sabemos – e ambos também sabem – que qualquer desentendimento pode ser resolvido na cama, quando não é este o próprio fator que gerou o atrito em primeiro lugar. No caso dos homossexuais masculinos e femininos, esta tensão não existe. E a desavença entre eles será então calcada na eterna diferença de comportamento de ambas as partes. Sexismo não escolhe gênero nem opção sexual.




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