nov 162010
 

Quem inventou a concentração? (do jogador Ronaldo em seu Twitter, dia 12/11/10)

E aqui está o Monge novamente apropriando-se das perguntas alheias. Bom, o Twitter é comunicação pública, como parede de banheiro de rodoviária. E não tem como deixar sem resposta uma pergunta feita por tão ilustre celebridade futebolística. E graças à tecnologia da informação, nem na concentração se fica mais incomunicável.

Primeiramente, nunca é demais citar a frase do jornalista esportivo João Saldanha, de que “se concentração ganhasse jogo, o time da penitenciária seria campeão invicto.” O próprio Ronaldo já fez esta citação em uma declaração no ano passado, mostrando que a relação difícil do jogador com o ambiente tedioso da concentração não é novidade. E ele não é o único. O que não quer dizer que o futebol profissional esteja repleto de seguidores de Mané Garrincha, que religiosamente entornam uma(s) dose(s) antes de cada partida. Mas vá lá, ninguém é de ferro, e descarregar a tensão antes de qualquer empreitada devia ser um direito fundamental do ser humano. Não de qualquer jeito, óbvio, mas não é enclausurado com mais vinte e tantos caras na mesma situação que um jogador vai dizer “puxa vida, que ambiente bom pra relaxar!”

Mas aí chega a psicologia e a medicina, aliadas à disciplina burocrática, dizendo que a concentração traz uma série de fatores positivos para o rendimento do jogador em campo. O primeiro, mais óbvio, é que o técnico, os cartolas e a torcida podem ficar tranquilos, pois todo mundo sabe onde os jogadores estão. Não tem perigo de escaparem ou de acontecer qualquer coisa com eles. O segundo argumento traz a necessidade real de trabalhar e coordenar os jogadores, para buscar foco, traçar objetivos e unir o grupo. O que é muito bom, e é a outra finalidade histórica da concentração, desde a origem das atividades esportivas de competição. A primeira, como já dito, era evitar desertores. Resquícios militares, coisa dos soldados-atletas gregos.

Portanto, o Monge finaliza dizendo ao jogador Ronaldo que infelizmente não pode apurar quem foi o inventor da concentração no futebol, tampouco na história do esporte e da civilização. Mas ela não deixa de ter a sua importância. E é uma pena que às vezes o tecnicismo supere o bom senso, exagerando a duração dos períodos de concentração. E isso desconcentra qualquer um.

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