nov 022010
 

por Alexandre Carlomagno (alexyubari@yahoo.com.br)

O cinema, principalmente aquele feito dentro da indústria (vulgo Hollywood), usa como apelo público o reforço de valores tradicionais, tais como o amor pelo próximo, a propagação do bem, o fortalecimento da família etc. Este último em específico rendeu obras descartáveis por tratar o assunto de modo piegas, convencional e por vezes muito melodramático, mas também nos trouxe excelentes filmes, como este Quero Ser Grande (Big, 1988), um clássico absoluto dos anos 80.

Josh Baskin (David Moscow na versão criança e Tom Hanks, adulto) é um garoto de 13 anos como outro qualquer: ao lado do seu melhor amigo ele caça figurinhas, paquera a menina bonita da escola, fala do decote da professora e sofre as frustrações da idade. E é justamente durante uma série de eventos frustrados que ele se depara com uma máquina de desejos no parque de diversões e… Bem, você provavelmente já conhece o filme ou só de ler essas linhas conseguiu antecipar o acontecimento: Josh acorda no dia seguinte como um adulto.

Mais do que um filme sobre a importância da família, o trabalho da diretora Penny Marshal é sobre o tempo e como devemos nos adequar a ele. O assunto aqui não é tratado com desdém ou tampouco serve como desculpa para o humor fugaz. Tudo converge para um único ponto, que reside no protagonista e a sua percepção do mundo. Quando crianças, queremos nos tornar adultos em dados momentos, assim como na fase adulta muitas vezes desejamos ter 13 anos novamente e nos desprender das amarras tão constantes na rotina. O que não percebemos é que toda a vivência faz parte de um processo natural de crescimento – é aquela velha história: para acertar, precisamos errar. E numa cena de beleza ímpar, vemos Baskin, o garoto no corpo de um adulto, perdendo sua virgindade, porém, mais do que isso, ele está perdendo o tempo no qual tal evento – este, tão importante na vida de qualquer garoto – deveria estar acontecendo.

Num ótimo exercício de atuação, Tom Hanks nos brinda com um homem com trejeitos de criança, e parte da nossa crença na história vem daí – como esquecer a cena do piano na loja de brinquedos? E indo mais longe, o roteiro inteligentemente não perde tempo tentando elaborar explicações para o ocorrido, pois tem consciência de que as mesmas cairiam no estapafúrdio. O que interessa ao espectador não é como ele se tornou um adulto, mas por que. É a atmosfera peculiar do cinema oitentista em prol de uma mensagem contundente, mas lapidada com total competência e sem deixar a diversão de lado.

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