nov 112010
 

Por que é tão difícil para nós humanos aceitarmos o que foge ao nosso controle? Será que ninguém é dono do próprio destino? (Maíra Pádua, por email)

Minha querida, não há controle sobre os eventos que cercam o seu destino. Há apenas uma ilusão de controle, ocasionado pelo fato de que você pode selecionar os seus próprios atos. Mas a maioria das experiências que vivemos depende de diversos outros fatores além da sua própria participação. Nada pode ser previsto com exatidão. Nem a natureza, tampouco os outros humanos. Até mesmo nossa tecnologia mirabolante pode nos deixar na mão. E você mesma pode falhar também,  mesmo em momentos em que qualquer deslize pode mandar uma vida inteira por água abaixo.

Compreender esta realidade não é uma declaração de ineptidão perante o mundo, pelo contrário. Somos cada um donos do próprio destino, inegavelmente. O Monge não pode simplesmente passar a viver a vida da Maíra, tomando o fio do destino de suas mãos questionadoras. Gosto desta analogia. O destino é como um fio, um barbante, que possui uma extensão, um começo e um fim, mas é feito de um material flexível. Ou seja, mesmo que os dois extremos de sua vida estejam bem definidos, o percurso o qual ela irá tomar é determinado conforme o fio se desenrola. E é natural que ele vá se enroscando pelo caminho, percorrendo o trajeto construído tanto pelas circustâncias quanto pelas suas próprias escolhas.

E assim os zilhões de destinos individuais enroscam-se e formam o gigantesco novelo da civilização. Mas tal qual uma bola de neve, ele segue rolando freneticamente pelo universo, absorvendo vidas e mortes alheias. É o destino da humanidade, muito além da esfera individual, das ilusões de controle e principalmente da nossa humana compreensão. Adianta quebrar  a cabeça com ele?




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