out 262010
 

por Alexandre Carlomagno (alexyubari@yahoo.com.br)

Nunca fui fã dos trabalhos do diretor Alexandre Aja. Superestimado, seu foco é no gore e a história quase sempre é relegada ao segundo plano. Alta Tensão (Haute Tension, 2003), filme que o lançou, é um excelente terror com final irrisório que carece completamente de uma lógica interna. Logo depois disso, ele se entregou de braços abertos à Hollywood. Aos poucos, o vislumbre de um cineasta com colhões para obras mais arriscadas foi se esvanecendo. E com este Piranha 3D, Aja comprova que veio a nada e, pior, que seu “talento” não passa de um eco destorcido do passado.

Surgindo como uma espécie de refilmagem do ligeiramente cultuado Piranhas Assassinas, de 1978, esta suruba cinemática promovida por Aja não funciona em momento algum, e a todo momento soa gratuito. A falta de fluência narrativa é tamanha que os 88 minutos de projeção surtem o efeito de experimentarmos um gostinho da eternidade. As sequências são soltas a esmo, ligadas por um fiapo de trama que em momento algum se justifica além do mero derramamento de sangue e a exposição de seios, bundas e… um pênis!

Sim, Aja ultrapassa o limite do bom senso no uso do 3D e utiliza a ferramenta como uma criança na puberdade: desde copos, os já citados seios, bundas e a “piroca”, até vômitos e as malditas piranhas. O diretor atira tudo em direção à plateia. Aliás, se a intenção era a de homenagear o cinema de horror B dos anos 80, então aí é que ele falha miseravelmente. Um dos elementos essenciais para o “funcionamento” dos longas dessa estirpe era os efeitos práticos e a textura borrachuda que dava certo “charme” às produções. Aqui, ao invés disso, temos efeitos computadorizados capengas que mais fazem o espectador brochar diante sua profunda artificialidade. E nem mesmo o nome de Greg Nicotero, mestre da maquiagem, nos créditos salva alguma coisa.

No final das contas, Piranha 3D está ancorado numa noção equivocada de que o público vá ingerir essa enorme profusão de ápices intermináveis – tudo soa maximizado, como se cada cena fosse um clímax. O que deveria vir como um filme descontraído acaba exercendo o contrário: estapafúrdio, irritante e sem a possibilidade de termos um mínimo vislumbre de entretenimento que seja, este último trabalho de Alexandre Aja denuncia, também, que o nome do cineasta figura apenas entre tantos outros.

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