out 302010
 

Monge, hiperconectividade, hipersexualização, hiperatividade… Vivemos em uma “época hype” e passageira, é uma tendência quase óbvia do desenvolvimento da sociedade da informação e do consumo, ou tratam-se de fenômenos pontuais? (Lucas, por email)

Sim, meu amigo, esta é a mais óbvia tendência social da civilização pós-moderna, conectada e hype. Difícil dizer que se trata de um fenômeno pontual, visto o quanto ele está vinculado ao próprio conceito das novas tecnologias, que chegaram com o intuito de ficar. Mas se por algum motivo tais tecnologias deixarem bruscamente de existir, estaremos em sérios apuros paradigmáticos. Mas para isso seria necessário no mínimo um pulso eletromagnético em escala global. Capacidade para isso nós temos, resta saber quem seria doido de apertar o botão. Mas deixemos os devaneios apocalípticos de lado.

Nosso modo de vida contemporâneo sustenta e é sustentado pelas tecnologias disponíveis. Por exemplo, o celular. O conceito de telefone portátil tornou-se uma função já quase obsoleta, mas foi essencial para consolidar um tipo de produto almejado desde o início dos anos 90: o computador de bolso. Depois das tentativas fracassadas (porque nunca se tornaram populares) dos palmtops e similares, a popularização do celular abriu caminho para a customização do aparelho, transformado no mais hiperfuncional possível. É uma máquina fotográfica digital, reproduz mp3 e mp4, possui TV, acesso à internet e às redes sociais (importantíssimo), minijogos, toneladas de aplicativos úteis e inúteis, e ainda faz e recebe ligações telefônicas!

O celular serve como um ótimo parâmetro da época em que vivemos hoje, onde todas as informações são conectadas. E isso implica em uma necessidade quase que fisiológica de registrar tudo a todo momento, transformando idéias e emoções em arquivos digitais que serão replicados e reproduzidos para todos os cantos do ciberespaço. Uma hiperestimulação que, em contrapartida, adormece o receptor de tanta informação. E pode fazer com que ele busque vivências cada vez mais extremas para escapar da insensibilidade na qual foi submergido.

Nosso tempo é o da individualização alienada, da liberdade conseguida através do cartão de crédito e da informação de mãos dadas com a desinformação, banalizadas no universo virtual. Huxley acertou na mosca. Admirável mundo novo e digitalmente globalizado.




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