out 272010
 

Monge, o preceito bíblico “Se Deus é por nós, quem será contra nós” não gera uma briga eterna posto que a maioria das pessoas acreditam em Deus e se sentiriam abençoadas em suas convicções e princípios? (Marcelo Dias)

É uma citação capciosa. “Deus é a nosso favor”, ela diz, então quem ousaria colocar-se contra? É como uma auto-afirmação de fé, exaltando a importância da crença na palavra de Deus. A frase é atribuída a São Paulo, e está presente no livro Romanos, um dos primeiros do Novo Testamento. Ou seja, historicamente, o contexto da frase situa-se nos primórdios do Cristianismo, um período em que a Igreja Católica ainda não estava consolidada. Na necessidade de uma sentença impactante como essa, imagina-se o caos espiritual que reinava entre aqueles que desejavam seguir os ensinamentos do profeta-mártir de Jerusalém.

É o tipo de auto-afirmação que pode gerar briga. Afinal, a frase também se encontra na Bíblia seguida pelos católicos ortodoxos e pelos protestantes e evangélicos. Imagine se todo mundo resolver evocar Deus ao seu favor. Para onde ele iria? Quem detém realmente a verdade sobre os ensinamentos de Seu filho na Terra? Sem contar que, em termos de monoteísmo, judeus e muçulmanos também podem entrar na disputa. E cada doutrina afirma ser a detentora da verdadeira palavra do Senhor, sendo as outras apenas interpretações erradas. Como provar? Isso é algo que o Monge não entende muito bem sobre religião. Revelação Divina não devia ser para todo mundo? Por que Deus – ou os deuses, para não deixar o politeísmo de lado – iria confiar a missão de propagar sua palavra entre os homens justamente ao próprio ser humano, que Ele já saber ser problemático em primeiro lugar? Em dois mil anos, conseguimos deturpar completamente o sentido das palavras de Amor propagadas por Jesus. Não seria a hora de mandar o filho pra cá de novo?

Em tempo: para uma mente pessimista, a frase não soa muito bem. Olhando ao redor, vendo todo o caos que ainda reina, miséria, violência, intolerância. Aí chega um sacerdote e diz que, mesmo assim, Deus está presente, que é a nosso favor. “Putz”, pensa o pessimista, “imagina então como devem ser aqueles que são contra nós!” Assim são as palavras, ao sabor da interpretação de quem as escuta. Nem a Bíblia escapa.

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