ago 312010
 

Querido Monginho, considerando que na maioria dos relacionamentos (qualquer tipo de relacionamento) as pessoas são infiéis em algum momento, qual a relação do ser humano com a traição? Beijos (Nathalia Carvalho)

Querida Nati, a chamada “traição” não precisa ser exatamente uma coisa ruim. Encaremos a coisa como uma mudança brusca de ideia, quando de repente queremos fazer algo diferente do que estamos fazendo. Tal mudança pode ser gerada tanto da própria vontade quanto de alguma influência externa – algo que o parceiro ou colega fez que desagradou a você, uma ideologia diferente, pressão por parte de terceiros etc.

O Monge está tentando pensar em larga escala agora. Quando você diz “qualquer tipo de relacionamento”, na minha cabeça isso inclui amor, família, trabalho, grupos sociais, até mesmo exércitos aliados em uma guerra. Mesmo em situações diferentes, o fenômeno é o mesmo. Se o outro conta com alguma atitude sua, e o que você faz é exatamente o contrário, aí está a traição como a conhecemos.

Não existe “traição menor”. O que muda são as conseqüências dela, de acordo com os contextos do relacionamento que ela afeta. Se um destacamento de um exército resolve debandar e aliar-se ao inimigo, isso pode não fazer diferença no resultado de um conflito, apenas “desestabilizar” a situação que existia anteriormente. Mas se tal debandada ocorre durante uma batalha crucial, onde qualquer desequilíbrio pode fazer a diferença, provavelmente os ex-aliados dos traidores estarão em apuros.

Ok, o exemplo foi um pouco inverossímil. Mas deu para pegar a ideia, não? Da mesma forma, um relacionamento amoroso não irá necessariamente por água abaixo quando ocorre uma traição. A questão, novamente, é a consequência. De repente pode acontecer de a parte traidora apaixonar-se loucamente após o ato, e querer dar um adeus definitivo à antiga companhia. Ou pode ser só uma coisa momentânea, uma vontade carnal irresistível. Claro que uma “escapada” inofensiva também pode acabar definitivamente com um relacionamento, mas aí depende mais da reação da parte traída ao fato. Para algumas pessoas, até mesmo um olhar lânguido para uma terceira seria imperdoável. Por isso mesmo, a comunicação entre as partes é essencial. É sempre interessante saber até onde se pode ir.




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