ago 012010
 

Moviola Textual

por Alexandre Carlomagno (alexyubari@yahoo.com.br)

Há uma profusão de equívocos que formam a base desta nova empreitada da indústria. Desde o roteiro até elementos fora da tela que sustentam o filme, Salt nos mostra que existe ali uma tentativa fajuta de entreter o público – sim, a movimentação é digna de aplausos, mas e a história?

Se você viu algum trailer ou sequer olhou para o pôster, então sabe que a chamada é esta: “quem é Salt?”.  Agente da CIA, Evelyn Salt (Angelina Jolie) é acusada de ser uma espiã russa cuja missão é assassinar o presidente do seu suposto país, a Rússia. Basicamente, o filão foi vendido a partir dessa premissa – o mistério em torno da identidade da protagonista, como um Jason Bourne de saia. Mas a questão não se resume apenas em ela ser ou não a tal espiã. Na verdade, essa é a abordagem dada apenas ao primeiro ato. E é justamente aí que o filme dá seu primeiro escorregão.

Quando Salt é apontada como uma farsa, sendo que ela clama por inocência, por que demônios ela inicia uma fuga desesperadora com direito a mortes, explosões e perseguições automobilísticas? “Quem não deve, não teme”, já dizia o ditado. Por isso, não se espante caso a obviedade das suas respostas se concretize – funciona assim em boa parte da trama. Por outro lado, Salt reserva sua parcela de reviravoltas. E por mais consistentes que elas sejam (o próprio caminho delineado pela personagem-título chega a surpreender), algumas simplesmente carecem de uma completa falta de explanação, o que nos leva do segundo para o terceiro equívoco.

O filme roteirizado por Kurt Wimmer (dos terríveis Equilibrium, 2003, e Ultravioleta, 2006) é um amalgama de aspectos narrativos lapidados em prol de uma cine-série – e com isso você pode imaginar a resolução da trama. Fica mais do que evidente a falta de lógica quando o filme chega ao fim. Ao invés de um término em aberto, o roteiro nos deixa praticamente sem resposta alguma, o que automaticamente invalida o nosso testemunho até ali. Se dois personagens importantes sabiam da verdade, por que montar todo aquele pano de fundo? Aliás, se a intenção era atingir um alvo em específico, por que não ir diretamente? Qual a verdadeira relação entre Salt e seu marido? Ela deveria recrutá-lo? Pra quê? Por quê?

As perguntas são muitas, mas, como um bom filme de entretenimento, o dinamismo empregado pelo diretor não deixa que elas nos incomodem durante a projeção. Como disse no início do texto, a movimentação é digna de aplausos, e Phillip Noyce (O Colecionador de Ossos, 1999, também com Jolie) faz por merecer. No entanto, após o vai e vem da história, a única verdade inconcussa é esta: quem é Salt?

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