ago 032010
 

Lendo sua resposta a ultima pergunta sobre (auto) ajuda, refleti e simplesmente veio uma coisa. Então me responda: por que, NECESSARIAMENTE, temos que ter problemas? (Hélio “Zitto” Sbroion Rocha)

Simples, se não há problema, também não há solução para nada. E a vida não se transforma, fica a mesma coisa de sempre, que se vai levando sem nem saber para onde. Sem percalços, sem amarguras. Mas também sem alegria. Nada mais chato do que uma existência isenta de conflitos.

Toda criação humana tem por finalidade a solução para algum problema. Construções, meios de transporte, roupas, ferramentas e dispositivos. Tudo isso foi inventado para resolver questões práticas, que de outro modo seriam impossíveis ou extremamente custosas de serem realizadas. A inventividade é a principal característica do ser humano, embora a modificação e utilização dos recursos do ambiente estejam presentes no comportamento de diversos animais – castores, abelhas, macacos etc. Mas ao contrário do bicho homem, os outros bichos não aprendem nada com isso, suas determinações são puramente genéticas. Já o ser humano gosta de inovar. Constrói casas quadradas, redondas, triangulares. Inventa um dispositivo de transporte sobre rodas e o faz em milhares de modelos diferentes. Usa e abusa das cores, formatos e materiais. É a inquietude da criatividade, sempre buscando novas possibilidades.

E é exatamente para isso que os problemas servem: dar espaço a novas possibilidades. Em todos os aspectos da nossa vida. A necessidade é a mãe da invenção, e os conflitos são necessários para que possamos inventar nosso próprio caminho. É o processo que as mães costumam chamar de “amadurecimento”, a arte de caminhar com as próprias pernas. E resolver os próprios problemas.

Em tempo: leitores dirão que o Monge enganou-se ao considerar que tudo que nós criamos tem a função de solucionar algum conflito prático. E evocarão as artes, nossos patrimônios culturais para dizer que estou errado. A questão, no caso, é que a beleza, a estética, a poesia, são criações com o intuito de resolverem os mais delicados dos problemas, aqueles que doem e afligem a alma.

  One Response to “Problemas, problemas”

  1. O começo do seu texto me lembrou um trecho do artigo do Olavo de Carvalho sobre Mário Ferreira dos Santos :P

    “Se a razão fornece o conhecimento do geral e a intuição o do particular, em ambos os casos há uma seleção: conhecer é também desconhecer. Todos os dualismos da razão – concreto-abstrato, objetividade-subjetividade, finito-infinito, etc. – procedem da articulação entre conhecer e desconhecer. Não se conhece um objeto enquanto não se sabe o que tem de ser desconhecido para que ele se torne conhecido.”

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