ago 222010
 

Ele pode esganiçar o quanto quiser, dizer que seus filmes são incompreendidos e até mesmo matar os críticos de cinema, mas o problema do M. Night Shyamalan reside em seus textos. Enquanto diretor, ele é muito bom. Na verdade, a direção em si nunca foi o seu destaque – ao contrário dos seus roteiros. Para alguns, ele surgiu como o novo Alfred Hitchcock (sic), mas para mim ele não passa de uma promessa mal cumprida. É só pegar este O Último Mestre do Ar como exemplo: mesmo trabalhando pela primeira vez com material já existente, os erros que permeiam a trama são puramente textuais.

Tendo como base um desenho da Nickelodeon chamado Avatar (não, não é aquele do James Cameron), o filme conta história de quatro nações: ar, terra, fogo e água. Todas viviam em paz através do personagem-título, o único capaz de manipular os quatro elementos. Porém, desaparecido há quase um século, as nações entram em guerra e aguardam o dia em que a paz espiritual retornará. Agora, eu não tive a oportunidade de assistir a animação, por isso falo apenas do filme enquanto formato cinematográfico. Mesmo assim, não é preciso conhecimento prévio para perceber que Shyamalan se perdeu na hora de condensar as informações – a história parece começar do nada e partir para lugar algum.

Basicamente, ele se prende a detalhes que tentam costurar a história, dar continuidade à narrativa, mas negligencia o contexto necessário para sustentá-la. Em alguns momentos, personagens simplesmente pulam pra dentro da trama e tentam resolver problemas que surgem num piscar de olhos – é o caso dos espíritos do mar e da lua, apenas para ficar em um exemplo. Mas se o roteiro empurra tudo ladeira abaixo, é a direção – como dito acima – que consegue trazer certa dignidade. Todas as sequências de ação não apenas são empolgantes, como muito bem filmadas. Nada de montagem entrecortada. Shyamalan capta os movimentos em ótimos planos-sequências, e ainda faz questão de inserir um sucinto slow-motiom a cada golpe deferido, dando assim um tom de beleza peculiar às cenas.

Aproveitando a estapafúrdia comparação com o mestre Hitchcock, cuja linguagem calcada em partes no cinema mudo abordava um conceito no qual as imagens, tanto quanto as palavras – e as vezes até mais – eram essenciais para a narrativa, o filme é carregado quase que inteiramente pela exposição. Repare no ridículo diálogo entre Sokka e a princesa Yue e você entenderá o que eu digo. Mas no final das contas, O Último Mestre do Ar não é A Dama na Água, e muito menos O Fim dos Tempos. E isto por si só já é um alento.

por Alexandre Carlomagno (alexyubari@yahoo.com.br)

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