ago 152010
 

Os Mercenários
por Alexandre Carlomagno (alexyubari@yahoo.com.br)

O fator fetiche é elevado no novo filme do ator/diretor/produtor/ex-possível-garoto-de-programa Sylvester Stallone, Os Mercenários (The Expendables, 2010). Se você ao menos já vislumbrou o clarear de uma explosão vinda do cinema dos anos 80, então deve saber que o gênero “ação”, na época, era também conhecido por conceber obras “de homem para homem” – não oficialmente com esse rótulo, mas assim a ideia é sintética. Em outras palavras, o que se via na tela era uma extensão peniana da parte cefálica do homem que se masturbava desesperadamente para ser o herói e explodir tudo – além de salvar a mocinha e lutar pelo bem maior, independente de qual fosse.

Em Os Mercenários, as mulheres são meros objetos sexuais que arrastam o protagonista/herói de uma cambalhota direto para outro tiroteio. Aliás, nem mesmo sexualidade elas exalam. Muito pelo contrário. Por incrível que pareça, em um filme onde tudo e todos desfalecem nas mãos dos personagens, elas existem para exaltarem valores moralistas falhos – sim, olha só: o personagem mata, aniquila, como se em prol de uma justiça qualquer, mas as fêmeas estão ali para que eles não se esqueçam dos seus sentimentos, suas emoções – suas “almas”, como é dito. Mas não pense que sou ingênuo: eu não esperava outra coisa.

Está é uma “obra” (entenda as aspas como quiser) idealizada “de macho para macho” por um viés, mais uma vez, fetichista: são homens desfilando um coliseu de músculos para os companheiros que estão na poltrona, dentro do cinema, projetando seus desejos varonis de uma maior masculinidade e auto afirmação (é másculo em demasiado, mas é assim). Aliás, não são atores quaisquer que estão brincando ali na tela, mas sim, os saudosos astros do cinema de “ação” dos anos 80 – e aí o filme ganha traços de um muscle-exploitation com osteoporose e efeitos especiais “botóxicos”. Porém, novamente eu digo: eu não esperava outra coisa.

O que está errado em Os Mercenários, e faz com que todos seus defeitos saltem à tela como uma das inúmeras veias no corpo de Stallone, é que a própria intenção lúdica foi negligenciada, tratada com desdém. São piadas prontas e cretinas, que não funcionam; sequências de ação, pra dizer o mínimo, enfadonhas, e que não funcionam; efeitos visuais que chegam a ser uma ofensa ao espectador, ou seja, não funcionam; uma trama estúpida, insossa, batida e sem graça, que somada aos outros elementos fazem com que, sim, seu funcionamento seja deficiente. Assim sendo, o que era pra empolgar, acaba se mostrando equivocado e feito às pressas, como se o público fosse engolir qualquer babaquice simplesmente por ser uma ode as babaquices oitentistas. Mas alguém avise ao Stallone, por favor: os anos 80 acabaram!

The Expendables – Sylvester Stallone – 2010 – 1/5.

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