ago 292010
 

Os Famosos e os Duendes da Morte

por Alexandre Carlomagno (alexyubari@yahoo.com.br)

A linguagem de um curta, média e longa-metragem se diferem em um ponto crucial: o tempo dentro do espaço cinemático. Condensar o tempo de uma história dentro do espaço de um curta, por exemplo, requer uma habilidade específica – e assim vale para todos os formatos. Dito isso, o primeiro longa-metragem de Esmir Filho (curta-metragista responsável por Saliva e o famigerado Tapa na Pantera), Os Famosos e os Duendes da Morte (2009), demonstra claramente um falta de intimidade com uma narrativa mais diluída.

Contando a história de um rapaz de 16 anos, fã de Bob Dylan, que tateia o mundo através dos pixels do seu computador numa cidade rural no sul do país, Esmir Filho tenta discorrer sobre a distância entre mundos encurtada pela internet e como esta distancia os sentimentos, o toque físico, que estão a espreita, do outro lado da rua. O roteiro adaptado de um livro homônimo do escritor Ismael Caneppele tenta, também, abordar questões ao invés de respostas. Mas no que se prendem tais perguntas está um fiapo de trama com pretensões sensoriais.

Tudo é muito bem trabalhado em termos técnicos: fotografia, montagem, direção de arte e elenco estão todos cumprindo muito bem suas funções. Porém, ao que diz respeito à história, entre as sensações fica um vazio de significados preenchido com intenções artísticas que atingem unicamente o espaço que as ocupa – dessa maneira, a pretensão ganha tons pragmáticos pelo viés de floreios supérfluos. Esmir Filho pesa a mão em transições musicais exarcebadas que tomam a tela até, gradativamente, tornarem-se enfadonhas, extrapolando as simbologias que no início comportava.

E dessa forma, quando os propósitos emocionais dos personagens são expostos, já é tarde demais e o longa caminha para o fim. Os sentimentos que deveriam aflorar em nós, espectadores, são enraizados sob uma narrativa equivocada. Na tentativa de traduzir a monotonia da cidade rural em imagens, são estas que nos deixam monótonos diante o convencionalismo romântico. Os Famosos e os Duendes da Morte traz uma história de amor não consumado, de angústias e mágoas estampadas em sentimentos inacabados. No entanto, inadvertidamente, o filme também é sobre o tempo. Não dos personagens, mas sim, do nosso.

Do blog do autor

http://cinemorfose.wordpress.com/2010/08/25/os-famosos-e-os-duendes-da-morte/

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