Cama de mãe

 Posted by at 1:07 pm  Pergunte ao Monge
jul 202010
 

Por que é tão bom dormir na cama da mãe? (Lívia Ricci, pergunta “apropriada” pelo Monge)

Geralmente a cama da mãe é de casal, e isso em si já é um belo motivo para preferir dormir lá ao invés daquela caminha de 80 cm de largura, na qual você dorme desde os seis anos de idade. E se não mora mais com a sua mãe, é muito provável que seja na sua cama de criança que você dormirá quando for visitá-la. E se por acaso mamãe já se desfez da sua velha cama, sempre haverá o sofá. Visualize então como a cama de casal parece uma opção muito mais confortável. O chato é ter que dividi-la com seus irmãos, além da sua mãe, já que não é justo jogá-la para dormir em outro lugar para favorecer a folga dos filhos, que já estão bem crescidinhos. E tem o seu pai também, se eles ainda moram juntos (e se dormem juntos na mesma cama). Mas talvez ele já seja mais acostumado ao sofá…

Ah, o Monge sabe que há alguns leitores (especialmente o pessoal da Psicologia) um pouco incomodados com o assunto. Essa história de dormir na cama da mãe, expulsar o pai para o sofá, Freud já explicava muito bem. Mas sinto muito, meus queridos colegas, esta resposta desconsidera completamente qualquer possibilidade de complexo de Édipo. Não queiram apropriar-se do contexto em prol da confirmação de uma teoria que nem está sendo tratada aqui. Já notou o “sorrisinho” no canto da boca de qualquer estudante da psicanálise freudiana quando qualquer um fala da própria mãe? Então…

Uma amiga do Monge (através da qual a pergunta caiu nas mãos dele) disse que a principal razão de dormir na cama da mãe é a memória corporal e olfativa. Concordo. O olfato é, dos cinco sentidos, o que tem a maior capacidade de “resgatar” a memória. Isso se dá porque o nervo olfativo passa no meio do sistema límbico, área do sistema nervoso ligada às emoções. Ou seja, o olfato ativa os componentes emocionais ligados a uma determinada lembrança, que vem à tona com muito mais intensidade. Por isso, sentir o cheiro da cama da sua mãe remete aos tempos remotos da infância, quando havia autorização para sorrateiramente abandonar o próprio quarto e esgueirar-se entre os cobertores maternos, buscando o carinho daquela que sempre te protegia de todos os medos. O sono mais tranquilo de todos. Não é de se estranhar que busquemos esta sensação mesmo quando já estamos bem grandinhos. Memórias sensoriais de um tempo em que Freud ainda não havia bagunçado as nossas idéias.




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